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Do resultado
da pesquisa sobre iniciação sexual, conclui-se que a sociedade
abandonou de vez seus adolescentes à própria sorte. Comportamentos
como infidelidade, transa imediata, promiscuidade precoce, com o aval
dos pais, explicam o aumento dos filhos órfãos de pais vivos
("As idades do sexo", 13 de fevereiro). É
lamentável que a "vida sexual" do idoso ainda enfrente tantos preconceitos.
Observei a exclusão de itens da pesquisa para as pessoas de idade
adiantada. Homens com 51 anos ou mais também podem ter ereções
"completas".
Fantástica
a entrevista concedida pelo sociólogo americano John Laub (Amarelas,
13 de fevereiro). Leitura obrigatória para os agentes do poder
público e todos os cidadãos brasileiros. Brilhante
a entrevista. Em nosso querido Brasil as leis não são respeitadas
pelos maiores governantes. Como então tentar impor essas leis aos
estrangeiros? Quem garante que os acusados de seqüestrar o publicitário
Washington Olivetto serão punidos e cumprirão a pena? Quem
garante que os culpados por crimes contra o patrimônio público
receberão punição?
O governo
tem as melhores universidades e as piores escolas de ensino médio
e fundamental do país. O programa de provas dos vestibulares supera
o conteúdo ensinado ao aluno de escola pública. Muitos alunos
procuram os cursinhos preparatórios e, em vez de relembrar, têm
de aprender as matérias não vistas na escola. O governo
não deve baixar o nível de suas provas, mas elevar o conteúdo
de ensino nas escolas e promover cursos de aperfeiçoamento para
os professores. A primeira coisa a fazer para consertar este país
é investir na educação (Ponto de vista, 13 de fevereiro).
Oportuna
a reportagem "É hora de atacar o sofrimento" (6 de fevereiro).
É inadmissível que alguém sofra de algum tipo de
dor sem tratamento adequado. As doenças reumáticas e do
aparelho locomotor estão entre as três primeiras causas de
afastamento do trabalho e de aposentadoria neste país, segundo
os dados do INSS, acarretando enormes prejuízos à nação
em termos de benefícios concedidos e horas de trabalho perdidas.
O
Brasil acompanha, com espanto e indignação, os desdobramentos
do seqüestro do publicitário Olivetto. Como se sabe, esse
cidadão brasileiro foi seqüestrado (crime hediondo) em solo
nacional por uma quadrilha de criminosos internacionais. Foi libertado
após 53 dias de cativeiro. A polícia prendeu seus seqüestradores,
liderados pelo chileno Mauricio Norambuena, assassino condenado a prisão
perpétua em seu país. Imediatamente, desembarca em São
Paulo a irmã do criminoso, acompanhada de advogado e representante
dos direitos humanos, falando grosso e declarando que Norambuena não
é bandido, mas "revolucionário internacional". Em seguida,
a Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR) divulga, em
Santiago, comunicado em que justifica o seqüestro praticado por seu
ex-líder. Só falta mesmo, e a exemplo do ocorrido no caso
Abilio Diniz, que autoridades, senadores, políticos e candidatos
se solidarizem com os seqüestradores e lutem por sua libertação!
("Olivetto, Abilio, Beltran e Luiz Sales: coincidências demais",
13 de fevereiro)
Com a libertação do "W/Brasil" e a prisão dos seqüestradores,
ganhamos um round contra a violência. Entretanto, não podemos
viver de discursos de nossos governantes. A sociedade exige atitudes urgentes
e mais enérgicas no combate à criminalidade.
Que bom termos Washington Olivetto de volta à vida, à liberdade.
Perder nosso "Ayrton Senna" da publicidade mundial seria uma tragédia
similar ao desaparecimento de nosso grande e inesquecível campeão.
Aos bandidos, a mão impiedosa da lei.
Gostaria de fazer uma correção a respeito da reportagem
"Norambuena: terror por dinheiro" (13 de fevereiro), em que se diz que
Notícia de um Seqüestro, de Gabriel García Márquez,
descreve o sofrimento de vítimas de seqüestros cometidos pelas
Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
No livro, o autor deixa claro que esses crimes foram praticados pelos
Extraditáveis, que era uma espécie de braço armado
dos narcotraficantes comandados por Pablo Escobar.
Gostaria de cumprimentar a jornalista Rosana Zakabi. Ela conseguiu tratar
de um assunto muito delicado sem induzir o leitor ("Gay de batina", 13
de fevereiro). Quanto ao padre José Mantero, é lamentável
seu modo de pensar: "Como os sacerdotes não respeitam o voto de
castidade, é hora de a Igreja tornar o celibato opcional". O fato
é que nem todos os padres têm essa postura e a Igreja não
se precipita em tomar alguma decisão apoiada nos erros de seus
filhos, mas se realiza em obedecer fielmente às Sagradas Escrituras.
Vale lembrar que o sacerdócio não é uma profissão,
mas uma vocação.
Com relação à questão da soberania sobre a
Amazônia ("Brasileiros, às armas!", 13 de fevereiro), o que
deveria realmente ser discutido não é se irão ou
quando irão os americanos invadir a floresta, mas o que esses grupos
que se dizem de "defesa da soberania nacional" têm feito de efetivo
para povoar a região, fazendo uso do desenvolvimento sustentável
e gerando riquezas para o país.
Perfeitas as considerações de Roberto Pompeu de Toledo sobre
o incidente envolvendo o governador Roriz e um militante do PT (Ensaio,
13 de fevereiro). Tudo não passou de uma dificuldade no uso do
idioma pátrio. Crioulo não é ofensa nem nunca foi,
crioulo é o filho de europeu nascido na América, ou nativo
da região, filho da terra. A palavra tem inclusive uma acepção
romântica, telúrica. Em Nova Orleans existem vários
restaurantes de comida crioula. No Sul do Brasil temos muitos centros
de cultura crioula. Roriz deveria ser processado, sim, por Camões
ou pelo professor Pasquale, por transmitir uma informação
diferente da que pretendia inicialmente.
Com
mestria, inteligência, criatividade, brilhantismo e humor, Roberto
Pompeu de Toledo reconstruiu a frase tida como racista, transformando-a
numa exaltação ao senhor Marinalvo Nascimento, vítima
da discriminação. Parabéns.
Gostei muito da reportagem sobre os novos tratamentos contra a dor ("É
hora de atacar o sofrimento", 6 de fevereiro). Contudo, quero esclarecer
que o doutor Russell Portenoy, especialista em dor citado na matéria,
trabalha no Beth Israel Medical Center de Nova York (e não de Boston).
Não é verdadeira a afirmação de que sou "trotskista"
("Acabou em torta e bate-boca", 13 de fevereiro). Se fosse, não
teria vergonha de afirmar-me como integrante de uma corrente de pensamento
que teve personagens tão ilustres e brilhantes como Mário
Pedrosa e Ernst Mandel. Registro, portanto, que nunca fui e não
sou trotskista, nem militei em alguma formação de origem
trotskista.
Os maoris não são índios, são polinésios,
o que inclui todos os nativos da Oceania e das ilhas do Pacífico
("A fruta e o pássaro", Cartas, 13 de fevereiro). Os índios
são os habitantes nativos das Américas. Esse nome foi dado
pelos portugueses quando aqui chegaram, pensando ter chegado às
Índias.
CORREÇÃO: A Refer, fundo de pensão dos funcionários da RFFSA, foi criada em 1979 e não em 1972, como informou a nota "Os superaposentados da RFFSA" (Radar, 6 de fevereiro).
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