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Corte
de gastos
em ano eleitoral
Joedson Alves/AE
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| Aprovação
do orçamento no Congresso: corte recorde |
Quase
tão certo como depois do Carnaval vem a Quaresma é a constatação
de que em anos eleitorais os governos no Brasil abrem os cofres. É
uma maneira clássica e irresponsável de adular o eleitorado
em busca de votos. Portanto, constitui uma brusca mudança de prática
a decisão do governo federal de fazer um corte recorde no Orçamento
deste ano. A Pasta do Desenvolvimento Urbano teve sua verba de investimento
reduzida em 96%, o Ministério da Integração Nacional
perdeu 76% e o de Esporte e Turismo vai ter de trabalhar em 2002 com 75%
menos do que pretendia gastar. Ministérios com limites mínimos
de gastos protegidos pela Constituição, como o da Saúde
e o da Educação, também vão fazer sacrifícios.
O Ministério da Saúde perdeu 4,5% e o da Educação,
7,2%. No total, podaram-se 20% da verba de investimentos do Executivo.
Em vez dos 61 bilhões de reais do Orçamento aprovado pelo
Congresso, o governo se compromete a gastar 49 bilhões. São
12 bilhões de reais de corte.
A tesourada foi feita por uma razão simples. Neste ano, a arrecadação
será menor que o previsto por causa das mudanças no imposto
de renda. Além disso, o aumento do salário mínimo
obrigará o governo a arcar com mais despesas na Previdência.
Exatamente por ser dolorosa e por ter cortado na carne do próprio
Executivo, a medida é surpreendente. Não pelos cortes em
si, que tiram recursos destinados a ministérios e programas úteis,
alguns imprescindíveis ao bem-estar da população.
Os cortes, embora difíceis para os autores e penosos para os que
serão privados dos serviços estatais que se realizariam
com o dinheiro, têm um aspecto positivo por mostrar ao Brasil e,
em especial, aos investidores estrangeiros que o compromisso do país
com a transparência nas contas públicas e com a estabilidade
econômica é inarredável. A estabilidade é a
garantia de que o Brasil permanecerá no mapa da economia mundial
como um local atraente, uma destinação segura para investimentos
que criam riqueza e geram empregos.
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