Contratado
para Amar(La Doublure, França/Itália, 2006. Califórnia)
Daniel Auteuil é um empresário canalha que trai a mulher
com uma modelo (Alice Taglioni). Problema: a mulher (Kristin Scott Thomas) começa
a desconfiar, e é ela a dona da fortuna do casal. Num esforço de
controle de danos, o safado arruma um noivo de fachada para sua amante
François (o ótimo Gad Elmaleh), manobrista de um restaurante chique.
Sendo humano, François descobre o prazer de exibir uma namorada dessas
para os colegas. Mas, sendo também um romântico, teme pela bagunça
que a impostura pode vir a lhe arrumar com sua verdadeira paixão (Virginie
Ledoyen). O diretor François Veber, que já fizera O Closet
com Auteuil, tem mão certeira para a farsa. Veja
cenas.
Prison Break
A Segunda Temporada (Estados Unidos, 2006. Fox) Quando a
primeira temporada de um seriado chamado Prison Break termina exatamente
dessa forma com os protagonistas foragidos da prisão , como
manter o interesse da história? Ora, tornando a captura deles um risco
contínuo e colocando dois excelentes atores na liderança da caçada.
Paul Adelstein, que já vinha da temporada inicial no papel do sinistro
agente do serviço secreto Paul Kellerman, ganha agora um destaque à
altura de seu talento. E ganha também um antagonista formidável
na figura de William Fichtner, que interpreta o volátil agente federal
Alexander Mahone. Só ficaria melhor se os roteiristas aparassem as histórias
paralelas para se concentrar nessa dupla e no sempre confiável Wentworth
Miller, o bandido mais mocinho da televisão.
LIVROS
Instituto
de Cultura do Uruguai
Quiroga:
embates dramáticos entre homem e natureza
Contos
da Selva, de Horácio Quiroga (tradução de Wilson
Alves-Bezerra; Iluminuras; 128 páginas; 29 reais) O uruguaio Horácio
Quiroga (1878-1937) fez da vida rústica nas selvas da província
argentina de Misiones, onde viveu muito tempo, o pano de fundo de seus grandes
contos, nos quais sempre há um embate dramático entre o homem e
a natureza. Em Contos da Selva como em Cartas de um Caçador,
também lançado recentemente pela Iluminuras , Quiroga traduz
essa violência selvagem para o público infanto-juvenil em divertidas
fábulas de moral indeterminada, como a história de um grupo de jacarés
que combate um navio de guerra.
Bouvard
e Pécuchet, de Gustave Flaubert (tradução de Marina
Appenzeller; Estação Liberdade; 400 páginas; 48 reais)
Este romance foi o projeto mais ousado do autor de Madame Bovary
não por acaso, ficou inacabado. Bouvard e Pécuchet são dois
escreventes que, depois de receber uma herança, abandonam seus es-critórios
para levar uma vida retirada, no campo, onde estudam e põem em prática
as mais diversas disciplinas agricultura, astronomia, medicina, filosofia
, sempre com resultados frustrantes. Na figura dos dois estudiosos mas atrapalhados
escreventes, Flaubert (1821-1880) satiriza a fé cega no conhecimento livresco
e no progresso científico. Leia
trecho.
DISCOS
Roberto
Setton
Wilson
e Pinheiro: novos caminhos para a música instrumental
Nova,
Chico Pinheiro & Anthony Wilson (Buriti) Em 2005, Anthony Wilson, guitarrista
da banda de Diana Krall e um dos músicos mais talentosos do jazz contemporâneo,
apaixonou-se por Meia-Noite, Meio-Dia, disco do guitarrista e compositor
paulistano Chico Pinheiro. Wilson entrou em contato com o brasileiro e formou
uma parceria cujo resultado é Nova. São doze faixas, entre
canções da dupla e releituras para obras de João Donato,
Dorival Caymmi e Wayne Shorter. Eles deixam aflorar suas influên-cias mais
óbvias Baden Powell no violão e Pat Metheny na guitarra ,
porém há um toque de originalidade em cada fraseado. Em canções
como Cuba e Planície, Pinheiro reafirma sua condição
de grande melodista. Wilson, por seu turno, brinca com a linguagem do blues em
Easter Monday.
Divulgação
Alicia
Keys: soul que fisga sem se descaracterizar
As
I Am, Alicia Keys (Sony/BMG) São raros os artistas que conseguem
fazer soul music sem se exceder na reverência ou convocar rappers para dar
um ar de modernidade ao gênero no que o descaracterizam por completo.
Alicia Keys, cantora americana de 27 anos, é uma dessas honrosas exceções.
Seus discos têm ritmos eletrônicos, mas seu estilo de interpretação
é derramado, digno de divas como Aretha Franklin e Gladys Knight (quem
duvida pode ir direto a No One, em que ela lamenta o fim de um namoro).
As I Am, o terceiro disco da cantora, inclui ainda na receita baladas pop
e músicas dançantes. Na primeira categoria, o destaque é
Lesson Learned, que ganhou um acento blues graças à canja
do cantor e guitarrista John Mayer. Os metais de Where do We Go from Here
remetem à soul music dos anos 60.