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Guia A
palavra dos chefs sobre o seu Natal  Monica
Weinberg
Bruno Veiga/Strana
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| Roberta Sudbrack: ela e outros
dois chefs dão receitas para a ceia |
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Um
giro pelo cardápio natalino de diferentes países revela uma popular
torta de sementes de papoula polonesa, um improvável churrasco de camarão
australiano e (sim) uma receita de macarrão com nabo, venerada pelos finlandeses.
Ressaltadas
as devidas diferenças, a ceia desses e a de outros países
incluindo o Brasil guardam uma dezena de tradições em comum.
Elas têm origem em velhos hábitos da Roma antiga, como o consumo
de frutas secas nesta época do ano, ou nas sociedades medievais, em meio
às quais o bacalhau celebrizou-se. Aos comensais modernos, o mais difícil
é escolher cada um desses itens em prateleiras tão repletas de opções
boas e ruins. Para aumentar as chances de acerto na hora de comprar os
ingredientes natalinos, VEJA ouviu a opinião de sete chefs sobre cinco
dos itens mais populares à mesa de Natal. Eles ensinam alguns de seus truques,
como o de decifrar o sabor de uma noz com base na cor da casca, e técnicas
para fazer o melhor uso de tais ingredientes na ceia. Eis as sugestões. Nozes
Royalty-free/Getty
Images
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Como
apareceram na ceia Na Europa do século XV, as pessoas costumavam
ir em jejum à missa natalina e, naturalmente, chegavam em casa famintas.
Por serem um alimento capaz de conferir rápida sensação de
saciedade, as nozes se tornaram a iguaria mais popular para apaziguar a fome no
pós-missa
Sugestões
dos chefs Comprar as nozes com a casca. Sim, elas demandam a laboriosa
tarefa de descascá-las, mas oferecem uma vantagem pouco divulgada em relação
às demais: a casca contribui de modo decisivo para preservar o sabor da
noz. Também as protege do eventual aparecimento de uma camada rançosa
resultado do contato de seu óleo natural com as moléculas
de oxigênio do ar. Essa camada confere à noz gosto amargo
Evitar nozes com a casca entreaberta. É um sinal claro de seu
envelhecimento. Apenas uma dessas pode estragar uma receita inteira
Cascas de cor café e aspecto tostado são, em geral, sinônimo
de nozes pouco suculentas, por vezes ressecadas. Fuja delas Dica:
nozes picadas em minúsculos pedaços dão vida nova a uma farofa
trivial Panetone Raquel
Guedes
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Como
apareceu na ceia Motivado pela concorrência com um padeiro vizinho,
o milanês Antonio Toni decidiu enriquecer uma velha receita de pão
com frutas cristalizadas. Foi no século XV, em meio aos festejos natalinos.
Acredita-se que o panetone tenha surgido a partir da popularização
do tal pane (pão, em italiano) do Toni
Sugestões
dos chefs Panetone bom precisa ser macio e é bom tentar
tirar isso a limpo ao tateá-lo por sobre a embalagem plástica. Do
contrário, o bolo terá inevitavelmente gosto e textura de pão
Escolher os panetones de tons mais claros. Aqueles com a casca escura em geral
passaram do tempo no forno e, por isso, têm gosto amargo Frutas
cristalizadas brilhosas são mais frescas. Prefira essas Dica:
escolher um panetone sem recheio nenhum, justamente para preenchê-lo com
mais fartura. Para isso, é preciso cortar o fundo, retirar o miolo e molhá-lo
numa mistura de frutas picadas e doce de leite. Esse novo miolo deve retornar
ao panetone, junto com a base original do bolo Frutas
secas Michael
Rosenfield/Getty Images
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Como
apareceram na ceia Na Roma antiga, havia o costume de presentear as pessoas
com frutas secas durante a Saturnália, celebração no início
do inverno, justamente em 25 de dezembro. Acreditava-se que as frutas trariam
sorte às pessoas. Com o decreto do papa Júlio I, de 350 d.C., essa
se tornou a data de comemoração do Natal mas o hábito
de comer frutas secas permaneceu intacto
Sugestões
dos chefs Fazer uma inspeção cuidadosa antes de comprar.
Quanto mais úmida estiver uma fruta que se pretendia seca, maior a probabilidade
de revelar gosto insosso e de ter se tornado uma colônia de fungos. Naturalmente,
evite as frutas nessa condição A aparência de uma
fruta seca deve ser brilhosa. As espécies opacas certamente já passaram
do ponto Dica: três dessas
frutas casam especialmente bem com saladas verdes: figo, abacaxi e pêra
Peru
Ormuzd Alves
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Como
apareceu na ceia O navegador genovês Cristóvão Colombo
trouxe algumas espécies em seu navio, na viagem de volta da América
à Europa, no século XV. Os ingleses foram os primeiros a aderir
ao hábito de servir peru no Natal. A razão: a ave ganhava peso com
mais facilidade do que gansos e pavões, até então tradicionais
na ceia
Sugestões dos
chefs Preferir as embalagens menores de até 3 quilos
e meio porque vêm com as espécies mais jovens, cuja carne
é mais macia. Se for o caso de uma ceia para muita gente, a recomendação
é, ainda assim, persistir na regra dos pacotes pequenos. E comprar uma
série deles Evitar embalagens cobertas de gelo. É um
sinal de que o peru já deve ter sido descongelado pelo menos uma vez. E
isso significa sempre algum prejuízo ao sabor e à maciez da carne
Sem tempo ou disposição para enfrentar o demorado processo
de temperar a carne em casa algo que consome três ou quatro dias
, o mais indicado é comprar a versão industrializada. Nesse
caso, o tempero é injetado por meio de um processo industrial capaz de
distribuí-lo de modo uniforme, um efeito mais difícil de alcançar
com temperos caseiros
Dica: para temperar o
peru em casa, os chefs recomendam uma junção de suco de laranja,
vinho branco e vinagre balsâmico. Após doze horas de molho, a laranja
terá ajudado a amaciar a carne, o vinho lhe destacará o sabor e
o vinagre dará o tom dourado Bacalhau Eduardo
Delfin
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Como
apareceu na ceia Na Idade Média, o bacalhau era um peixe barato,
fácil de encontrar e tradicionalmente consumido em períodos durante
os quais, por recomendação da Igreja Católica, as pessoas
não comiam carne vermelha. O Natal era uma dessas ocasiões
Sugestões
dos chefs Tons puxados para o rosa ou para o vermelho significam
que o peixe passou algum tempo fora do sal. E esse não é um dado
bom: prejudica a sua conservação e, evidentemente, o gosto
final. A brancura do bacalhau é, portanto, um indicador positivo de seu
sabor. Prefira o peixe com essa característica O peixe deve estar
seco. Por duas razões: a umidade em excesso significa, em geral, que o
bacalhau está mal conservado e faz com que o peixe ainda renda porções
em média 20% menores quando vai ao fogo. Os chefs ensinam uma técnica
simples para averiguar a situação. É preciso posicionar o
peixe na vertical. Se ele permanecer reto, está no ponto certo. Quando
ele enverga, é porque apresenta umidade demais Dica:
o bacalhau deve ficar um dia inteiro de molho na água para a retirada
do excesso de sal. Essa água é trocada a cada três horas.
Na última dessas imersões, os chefs indicam substituir a água
por leite. Isso faz melhorar o sabor do peixe
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