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19 de dezembro de 2007
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Automóveis
Para quem acha
uma Ferrari banal

Feitos um a um, em pequenas fábricas, novos
supercarros esbanjam tecnologia e velocidade


Rafael Corrêa

Fotos Divulgação

Ultimate Aero TT
Fabricante: Shelby Super Cars
Origem: Estados Unidos
Velocidade máxima: 412 quilômetros por hora
Produção anual: 50
Preço: 550 000 dólares
O carro de série mais rápido do mundo sacrificou o luxo em nome da velocidade. Ele vem com poucos itens de série e o acabamento interno é espartano. A beleza do design foi preterida em nome da aerodinâmica. A carroceria foi reforçada com titânio para suportar altas velocidades



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Qual é o carro produzido em série mais rápido do mundo? Engana-se quem pensou em marcas esportivas tradicionais como Ferrari, Porsche ou Lamborghini. O automóvel mais veloz do planeta é o americano Ultimate Aero TT. Impulsionado por um motor V8, biturbo, com 1 183 cavalos de potência, o superesportivo atingiu a velocidade real de 412 quilômetros por hora em teste para ser incluído no livro dos recordes. A potência de seu motor equivale à soma de quinze carros 1.0. O recordista anterior, o sueco Koenigsseg CCR, só tinha chegado a 388 quilômetros por hora, em 2005. Ambos pertencem a uma nova geração de esportivos produzidos de forma quase manual por pequenas fábricas, com não mais de cinqüenta operários, cuja produção anual raramente ultrapassa 100 unidades. O Ultimate Aero TT é fabricado pela Shelby SuperCars, no noroeste dos Estados Unidos, ao ritmo de cinqüenta carros por ano. A produção do Koenigsseg emprega 35 trabalhadores em um galpão antes utilizado para a montagem de aviões.

Spyker C12 Zagato
Fabricante: Spyker
Origem: Holanda
Velocidade máxima: 310 quilômetros por hora
Produção anual: 24
Preço: 650 000 dólares
O esportivo incorpora elementos dos carros de Fórmula 1, como o câmbio borboleta (as marchas são trocadas por botões no volante) e a frente em formato de seta

Uma característica dos supercarros é a capacidade de rivalizar em tecnologia e potência com os carrões de marcas tradicionais. A carroceria do Koenigsseg é composta de fibra de carbono e kevlar, materiais mais usados na fuselagem de aviões ou naves espaciais. Uma nova versão do carro, chamada de CCXR Edition, é movida a biocombustível. Existe a expectativa de que a mistura de gasolina e etanol melhore em 25% o desempenho do carro, levando-o a mais de 400 quilômetros por hora. O desafio no projeto de um superesportivo é conciliar a capacidade de voar numa pista de corrida com a necessidade de rodar tranqüilamente nas ruas ao lado de veículos comuns. Para trafegar em dois universos diferentes, o Ultimate Aero TT dispõe de um sistema que levanta a frente do carro quando é preciso andar em baixa velocidade em piso irregular. Se o motorista resolve correr um pouco mais, a frente desce, melhorando a aerodinâmica e a estabilidade do carro. Outros modelos oferecem recursos como direção assistida, para facilitar as manobras em baixas velocidades, e suspensão inteligente, para diminuir os solavancos causados por irregularidades no asfalto – um problema comum em carros esportivos que costumam ter a carroceria muito próxima do solo.

Koenigsseg CCXR edition
Fabricante: Koenigsseg
Origem: Suécia
Velocidade máxima: 400 quilômetros por hora
Produção anual: 25
Preço: 2,2 milhões de dólares
Esta é a versão especial do CCX, duas vezes mais cara que a normal e que colocou a Suécia no mapa dos supercarros. A mistura de álcool e gasolina usada pelo CCXR aumentou em 25% a potência do motor

Há menos de três dezenas de fabricantes desses carros de produção limitada e alto preço – os modelos mais baratos ficam em torno de 350 000 dólares. O italiano Pagani Zonda Roadster F, um dos mais caros, chega a 1,2 milhão de dólares. A maior parte das Ferrari custa menos, mas o Lamborghini Reventón é vendido por 1,4 milhão de dólares. O Pagani Zonda é um carro especialmente luxuoso, com interior trabalhado a mão em couro e madeira. "Essas empresas não têm nome forte no mercado. A única maneira de elas sobressaírem é oferecer produtos extremamente fortes em termos de qualidade e desempenho", disse a VEJA o americano Alexander Edwards, presidente da consultoria Strategic Vision. O que está em jogo para essas marcas jovens na disputa com Ferrari e Lamborghini é um mercado estimado em 3 bilhões de dólares por ano. Enquanto a indústria automotiva experimenta uma fase internacional de estagnação, o setor de carros de luxo, que inclui os supercarros, vive um momento de expansão. As vendas devem dobrar até o fim da década. Boa parte desse avanço deve-se à entrada de novos consumidores em países em desenvolvimento, como China e Rússia. A procura é tamanha que a lista de espera pode demorar um ano. A produção da Koenigsseg está vendida pelo próximo um ano e meio. Como bem destaca Christian von Koenigsseg, dono da fábrica: "Nossos carros são perfeitos para quem acha Ferrari e Lamborghini carros banais".

Ascari A10
Fabricante: Ascari
Origem: Inglaterra
Velocidade máxima: 355 quilômetros por hora
Produção anual: 50
Preço: 768 000 dólares
O nome é inspirado no piloto italiano Alberto Ascari, bicampeão de Fórmula 1. A fábrica possui um resort com pista própria, no sul da Espanha, onde os donos de um Ascari podem acelerar seu carro ao máximo



Zonda Roadster F
Fabricante: Pagani Automobili
Origem: Itália
Velocidade máxima: 345 quilômetros por hora
Produção anual: 20
Preço: 1,2 milhão de dólares
O Zonda é o mais luxuoso dos novos superesportivos. Seu interior, de madeira e couro, é feito a mão. O argentino Juan Manuel Fangio, lenda da Fórmula 1, colaborou no projeto do carro



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