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Edição 2039

19 de dezembro de 2007
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Esporte
"Quero ganhar tudo duas vezes"

Talentoso e com fama de bom moço, Kaká termina
uma temporada de sucesso no Milan e fala sobre
o futuro e o plano de se tornar pastor evangélico

Giuseppe Cacace/AFP
Kaká: o prêmio de melhor da Europa é só o começo
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Ricardo Izecson dos Santos Leite, o Kaká do Milan, é o favorito na disputa pelo título de o melhor jogador do mundo em 2007, prêmio da Fifa que será anunciado nesta segunda-feira, 17. No início do mês, aos 25 anos, o brasileiro foi eleito o melhor jogador da Europa em votação da qual participaram jornalistas esportivos do continente. Kaká, que na sexta-feira passada estava em Tóquio para a disputa do Mundial de Clubes, falou ao repórter Alexandre Salvador.

Depois de ganhar títulos com o Milan e com a seleção brasileira e de ser um dos favoritos para o título de o melhor jogador do mundo pela Fifa, o que falta você conquistar?
Se confirmado, esse prêmio fecha a primeira fase da minha carreira. A temporada termina com uma grande virada, pois começou muito mal, com a derrota na Copa do Mundo. Meu objetivo agora é conquistar de novo tudo o que já ganhei. Também gostaria de marcar uma era na seleção, tornando-me o símbolo de uma geração. Mas para isso preciso ganhar as Olimpíadas no ano que vem ou a próxima Copa.

Você comemorou o rebaixamento do Corinthians?
Como jogador e admirador do futebol, é triste ver um grande clube brasileiro ir para a série B. Por outro lado, o Corinthians colheu aquilo que plantou. Espero que isso sirva de exemplo para outras equipes mal administradas. Como torcedor do São Paulo, fiquei feliz.

Você é o jogador mais bem pago do Milan e tem muitos contratos de publicidade. O que faz com o dinheiro?
O futebol é minha fonte de renda. Por muitos anos, no entanto, antes de me tornar profissional, eu paguei para jogar bola. Faço questão de tomar conta do meu dinheiro. Amo a bolsa de valores, acompanho sempre, compro e vendo ações. Também tenho muitos negócios na área imobiliária com meu pai, que é engenheiro civil.

Você pretende ficar de vez na Itália?
Não. Ainda tenho muito que fazer por aqui, mas quando me aposentar vou morar no Brasil. Quero continuar trabalhando no futebol, mas na parte administrativa, não como técnico. Tenho muito carinho pelo São Paulo, clube no qual fiquei por treze anos.

Ronaldinho Gaúcho ganhou duas vezes o título de o melhor do mundo e hoje sofre com a cobrança intensa. Você tem medo disso?
Não tenho medo de olho gordo. As conquistas deixam o jogador visado em campo, é verdade. Terei de inovar para me manter como um jogador decisivo. Nem sempre vou decidir todos os jogos, mas vou arriscar sempre. Hoje sou um dos líderes tanto do Milan quanto da seleção e assumo a minha responsabilidade.

Você realmente pretende ser pastor evangélico?
Sim. Freqüento a Igreja Renascer em Cristo e também dou o dízimo e a oferta, que são mandamentos bíblicos. Sou grato a Deus por tudo o que tenho hoje. Se um dia eu tiver a oportunidade de passar toda a minha experiência com Deus para outras pessoas, de cuidar de um rebanho, farei com prazer.

Como você recebeu a notícia da condenação do casal Sonia e Estevam Hernandes, líderes da igreja Renascer?
Foi muito chato, principalmente pela sentença que deram a eles (dez meses de reclusão e catorze meses de liberdade condicional, nos Estados Unidos). Em nenhum momento desconfiei da integridade e da honestidade do casal. Continuo do lado deles, conversamos freqüentemente por telefone. Eles estão bem, apesar de a situação não ser nada confortável para a família.

Por que nunca vemos seu nome nos tablóides de fofoca?
Simplesmente porque gosto de sair com a minha esposa ou meus amigos para jantar e sempre volto para casa cedo.




 

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