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Esporte "Quero
ganhar tudo duas vezes" Talentoso e com
fama de bom moço, Kaká termina uma temporada de sucesso no Milan
e fala sobre o futuro e o plano de se tornar pastor evangélico
Giuseppe Cacace/AFP  |
| Kaká: o prêmio de melhor da Europa é só o começo |
| | Ricardo
Izecson dos Santos Leite, o Kaká do Milan, é o favorito na disputa
pelo título de o melhor jogador do mundo em 2007, prêmio da Fifa
que será anunciado nesta segunda-feira, 17. No início do mês,
aos 25 anos, o brasileiro foi eleito o melhor jogador da Europa em votação
da qual participaram jornalistas esportivos do continente. Kaká, que na
sexta-feira passada estava em Tóquio para a disputa do Mundial de Clubes,
falou ao repórter Alexandre Salvador.
Depois
de ganhar títulos com o Milan e com a seleção brasileira
e de ser um dos favoritos para o título de o melhor jogador do mundo pela
Fifa, o que falta você conquistar? Se confirmado, esse prêmio
fecha a primeira fase da minha carreira. A temporada termina com uma grande virada,
pois começou muito mal, com a derrota na Copa do Mundo. Meu objetivo agora
é conquistar de novo tudo o que já ganhei. Também gostaria
de marcar uma era na seleção, tornando-me o símbolo de uma
geração. Mas para isso preciso ganhar as Olimpíadas no ano
que vem ou a próxima Copa. Você
comemorou o rebaixamento do Corinthians? Como jogador e admirador do futebol,
é triste ver um grande clube brasileiro ir para a série B. Por outro
lado, o Corinthians colheu aquilo que plantou. Espero que isso sirva de exemplo
para outras equipes mal administradas. Como torcedor do São Paulo, fiquei
feliz. Você é o jogador
mais bem pago do Milan e tem muitos contratos de publicidade. O que faz com o
dinheiro? O futebol é minha fonte de renda. Por muitos anos, no
entanto, antes de me tornar profissional, eu paguei para jogar bola. Faço
questão de tomar conta do meu dinheiro. Amo a bolsa de valores, acompanho
sempre, compro e vendo ações. Também tenho muitos negócios
na área imobiliária com meu pai, que é engenheiro civil.
Você pretende ficar de vez
na Itália? Não. Ainda tenho muito que fazer por aqui,
mas quando me aposentar vou morar no Brasil. Quero continuar trabalhando no futebol,
mas na parte administrativa, não como técnico. Tenho muito carinho
pelo São Paulo, clube no qual fiquei por treze anos. Ronaldinho
Gaúcho ganhou duas vezes o título de o melhor do mundo e hoje sofre
com a cobrança intensa. Você tem medo disso? Não tenho
medo de olho gordo. As conquistas deixam o jogador visado em campo, é verdade.
Terei de inovar para me manter como um jogador decisivo. Nem sempre vou decidir
todos os jogos, mas vou arriscar sempre. Hoje sou um dos líderes tanto
do Milan quanto da seleção e assumo a minha responsabilidade. Você
realmente pretende ser pastor evangélico? Sim. Freqüento
a Igreja Renascer em Cristo e também dou o dízimo e a oferta, que
são mandamentos bíblicos. Sou grato a Deus por tudo o que tenho
hoje. Se um dia eu tiver a oportunidade de passar toda a minha experiência
com Deus para outras pessoas, de cuidar de um rebanho, farei com prazer.
Como você recebeu a notícia da condenação do casal
Sonia e Estevam Hernandes, líderes da igreja Renascer? Foi muito
chato, principalmente pela sentença que deram a eles (dez meses de reclusão
e catorze meses de liberdade condicional, nos Estados Unidos). Em nenhum momento
desconfiei da integridade e da honestidade do casal. Continuo do lado deles, conversamos
freqüentemente por telefone. Eles estão bem, apesar de a situação
não ser nada confortável para a família. Por
que nunca vemos seu nome nos tablóides de fofoca? Simplesmente
porque gosto de sair com a minha esposa ou meus amigos para jantar e sempre volto
para casa cedo.
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