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19 de dezembro de 2007
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Carta ao leitor
A política renasce

Beto Barata/AE
A CPMF cai no Senado: discussões sólidas


O governo sofreu sua primeira derrota política em cinco anos no Parlamento. O Senado negou ao Executivo a recriação da CPMF, o "imposto do cheque", cuja data-limite de cobrança é o fim deste mês. A proposta de emenda constitucional, PEC, que recriava o tributo conseguiu apenas 45 dos 49 votos necessários para sua aprovação e foi arquivada. Dessa maneira, a partir de janeiro, os brasileiros estarão livres do desconto de 0,38% em todas as suas transações financeiras. Como resultado, cerca de 40 bilhões de reais que são arrecadados anualmente pelo "imposto do cheque" deixam de ser entregues ao governo e permanecem em posse da sociedade. Não existe consenso sobre os impactos positivos e negativos de privar os cofres públicos de uma quantia tão elevada. Os economistas ouvidos por VEJA se dividem entre os que enxergam riscos para o equilíbrio das contas públicas e os que encaram a nova situação como uma dieta inadiável para um estado opulento e péssimo gastador. Todos concordam, no entanto, que a redução da carga de impostos por iniciativa dos políticos é um feito extraordinariamente auspicioso.

Foi uma sessão memorável não apenas pelo seu resultado, mas pela riqueza do processo político de sua legitimação. Houve convicção embasada em fatos de ambos os lados. Os oradores, 45 deles, se revezaram na tribuna exibindo argumentos sólidos, emoção genuína, disposição para negociação e, acima da defesa dos pontos de vista de governo e oposição, um gérmen do interesse nacional coletivo, elemento com o qual foram erguidos os grandes países e que andava meio sumido entre nós. Uma vez sacramentada a derrota da CPMF, os dois lados se mostraram dispostos a sentar-se à mesa para continuar a discutir como agir em conjunto para estabelecer a racionalidade no inferno tributário brasileiro. Como resumiu o senador José Agripino, do Democratas: "O Brasil não acaba hoje". Não acaba mesmo e pode estar começando a fazer política em bases bem mais saudáveis do que a prática dominante até agora. A instituição estava na lama como resultado dos obscuros processos em que Renan Calheiros espantou a ética da Casa. Por isso, o "não" à recriação da CPMF foi também uma vitória marcante para o Senado, para a independência entre os poderes e para a própria democracia.




 

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