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Auto-retrato Nelsinho
Piquet
Bernard
Asset/Renault
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Aos
22 anos, o filho do temperamental tricampeão Nelson Piquet fará
sua estréia na Fórmula 1 em 2008, contratado pela Renault, ao lado
do temperamental bicampeão Fernando Alonso, a quem ainda não conhece
os dois vão se encontrar no primeiro treino, em janeiro, e o resto
será história. De Brasília, onde aproveita a folga de fim
de ano para namorar e andar de kart, ele falou à repórter Sandra
Brasil.
O sobrenome Piquet pesa ou
ajuda? Ajudou no começo. Com o passar do tempo e com os campeonatos
que fui vencendo, acabei firmando meu próprio nome. É lógico
que ainda falta muito, mas hoje não me cobro mais por ser filho do meu
pai. Eu me cobro porque quero chegar lá. Em
algum momento você pensou em ter outra profissão? Comecei
a correr de kart quando tinha 8 anos e vim morar com meu pai em Brasília.
Gostei e, à medida que ia dando certo, fui gostando ainda mais. Todo mundo
que corre quer ser piloto de Fórmula 1. Nunca pensei em fazer outra coisa
na vida. Seu pai foi seu professor?
Nunca fui aluno dele. Depois das corridas, a gente conversa e ele faz comentários,
mas nas pistas tenho outras pessoas para me ajudar. Meu pai sempre cuidou mais
da parte administrativa e comercial da minha carreira. Ao vivo, mesmo, assistiu
no máximo a 30% das minhas provas, mas com certeza é quase 100%
responsável por tudo isso, porque foi quem me deu a chance e sempre esteve
ao meu lado nas horas difíceis. Hoje sinto que a cada vitória as
pessoas acreditam um pouco mais em mim. Se bem que até agora deve ter gente
achando que só estou na Fórmula 1 por causa do meu pai. Você
aprendeu alguma coisa com ele sobre como se relacionar com pessoas difíceis?
Assim como ele, não tenho muitos amigos pilotos. É difícil
haver amizade num ambiente de tanta concorrência. Tenho um temperamento
parecido com o dele, mas o momento é outro. Meu pai diz que brigar com
o companheiro de equipe, como ele fez com o Nigel Mansell, era uma tática
dele para ganhar espaço. Hoje em dia não dá mais para fazer
isso. Seu colega na Renault, Fernando
Alonso, tem fama de encrenqueiro. Vocês se conhecem? Ainda não.
Devo encontrá-lo no primeiro treino, em janeiro. É claro que vou
para o campeonato disposto a ter um relacionamento normal com ele, mas nunca se
sabe. Pode ser que aconteça um conflito já na primeira corrida.
Pode ser que nos entendamos bem e viremos bons amigos. Só o tempo vai dizer.
É lógico que darão mais ouvidos a ele, que é bicampeão
mundial e tem uma experiência enorme. Ele vai ter mais moral lá dentro.
Eu estou alguns passos atrás, porque sou inexperiente na Fórmula
1. Mas estamos os dois ali para ganhar corridas e o campeonato. Vamos ter as mesmas
condições e o mesmo carro. E todo piloto entra para ganhar. Qual
foi o momento mais difícil até agora? Foi quando saí
do Brasil, com 17 anos, e fui morar sozinho na Inglaterra. Não tinha empregada
nem nada. Abri mão de viagem de formatura, de festas e de Carnaval. Mas
não me arrependo nem um pouco. E
qual é a parte chata de ser piloto? Quando a corrida acaba e tenho
de voltar para o hotel. Se eu pudesse ficar na pista o fim de semana inteiro,
seria ótimo. Você viu
o acidente que tirou a vida de Rafael Sperafico em Interlagos? Vi pela
televisão. É sempre triste, terrível. O automobilismo pode
mesmo ser perigoso. Você já
teve medo de sofrer um acidente grave? Não. Quem tem medo não
corre. Nunca machuquei nem a unha do pé na pista.
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