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19 de dezembro de 2007
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Auto-retrato
Nelsinho Piquet

Bernard Asset/Renault


Aos 22 anos, o filho do temperamental tricampeão Nelson Piquet fará sua estréia na Fórmula 1 em 2008, contratado pela Renault, ao lado do temperamental bicampeão Fernando Alonso, a quem ainda não conhece – os dois vão se encontrar no primeiro treino, em janeiro, e o resto será história. De Brasília, onde aproveita a folga de fim de ano para namorar e andar de kart, ele falou à repórter Sandra Brasil.

O sobrenome Piquet pesa ou ajuda?
Ajudou no começo. Com o passar do tempo e com os campeonatos que fui vencendo, acabei firmando meu próprio nome. É lógico que ainda falta muito, mas hoje não me cobro mais por ser filho do meu pai. Eu me cobro porque quero chegar lá.

Em algum momento você pensou em ter outra profissão?
Comecei a correr de kart quando tinha 8 anos e vim morar com meu pai em Brasília. Gostei e, à medida que ia dando certo, fui gostando ainda mais. Todo mundo que corre quer ser piloto de Fórmula 1. Nunca pensei em fazer outra coisa na vida.

Seu pai foi seu professor?
Nunca fui aluno dele. Depois das corridas, a gente conversa e ele faz comentários, mas nas pistas tenho outras pessoas para me ajudar. Meu pai sempre cuidou mais da parte administrativa e comercial da minha carreira. Ao vivo, mesmo, assistiu no máximo a 30% das minhas provas, mas com certeza é quase 100% responsável por tudo isso, porque foi quem me deu a chance e sempre esteve ao meu lado nas horas difíceis. Hoje sinto que a cada vitória as pessoas acreditam um pouco mais em mim. Se bem que até agora deve ter gente achando que só estou na Fórmula 1 por causa do meu pai.

Você aprendeu alguma coisa com ele sobre como se relacionar com pessoas difíceis?
Assim como ele, não tenho muitos amigos pilotos. É difícil haver amizade num ambiente de tanta concorrência. Tenho um temperamento parecido com o dele, mas o momento é outro. Meu pai diz que brigar com o companheiro de equipe, como ele fez com o Nigel Mansell, era uma tática dele para ganhar espaço. Hoje em dia não dá mais para fazer isso.

Seu colega na Renault, Fernando Alonso, tem fama de encrenqueiro. Vocês se conhecem?
Ainda não. Devo encontrá-lo no primeiro treino, em janeiro. É claro que vou para o campeonato disposto a ter um relacionamento normal com ele, mas nunca se sabe. Pode ser que aconteça um conflito já na primeira corrida. Pode ser que nos entendamos bem e viremos bons amigos. Só o tempo vai dizer. É lógico que darão mais ouvidos a ele, que é bicampeão mundial e tem uma experiência enorme. Ele vai ter mais moral lá dentro. Eu estou alguns passos atrás, porque sou inexperiente na Fórmula 1. Mas estamos os dois ali para ganhar corridas e o campeonato. Vamos ter as mesmas condições e o mesmo carro. E todo piloto entra para ganhar.

Qual foi o momento mais difícil até agora?
Foi quando saí do Brasil, com 17 anos, e fui morar sozinho na Inglaterra. Não tinha empregada nem nada. Abri mão de viagem de formatura, de festas e de Carnaval. Mas não me arrependo nem um pouco.

E qual é a parte chata de ser piloto?
Quando a corrida acaba e tenho de voltar para o hotel. Se eu pudesse ficar na pista o fim de semana inteiro, seria ótimo.

Você viu o acidente que tirou a vida de Rafael Sperafico em Interlagos?
Vi pela televisão. É sempre triste, terrível. O automobilismo pode mesmo ser perigoso.

Você já teve medo de sofrer um acidente grave?
Não. Quem tem medo não corre. Nunca machuquei nem a unha do pé na pista.




 

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