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Edição 1 731 - 19 de dezembro de 2001
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Volks com jeito
de Mercedes

Montadora alemã inaugura fábrica
para produzir carros de luxo

Juliana Saboia

Fotos divulgação

Nova fábrica da VW: madeira nobre e paredes de vidro

A Volkswagen prepara-se para mudar a imagem que foi sua principal marca nos últimos 64 anos. A fábrica que inventou o Fusca não quer ser conhecida apenas como o fabricante de carros populares, pequenos e baratos. Quer mostrar que pode fazer também carrões sofisticados, grandes e caros, tão bons quanto os da Mercedes-Benz e os da BMW. Para isso investiu 160 milhões de dólares numa nova fábrica, em Dresden, na Alemanha, destinada a produzir um novo modelo, o Phaeton, um carro que promete concorrer com a Classe E, da Mercedes, e a série 7, da BMW. Toda envidraçada, a empresa permite que se veja da rua a forma como se fabricam os automóveis. Cada carro é montado um a um, num ambiente asséptico. O piso da linha de montagem tem madeira nobre. Os compradores que se dispuserem a gastar o equivalente a 300.000 reais no novo VW serão convidados pela empresa para conhecer a fábrica. Lá, assistirão ao nascimento do veículo e poderão fazer alterações de última hora na própria linha de montagem, como trocar a cor da pintura, os instrumentos do painel ou o tipo do couro do estofamento. Os primeiros Phaeton serão exibidos em março no Salão do Automóvel de Genebra, e os brasileiros interessados no carro poderão encomendá-lo a partir de julho de 2002.


O Phaeton custará 300 000 reais e concorrerá com Mercedes e BMW

Fabricar carros de classe não é novidade para a Volks. A empresa é dona de marcas como as inglesas Rolls-Royce e Bentley, as italianas Lamborghini e Bugatti e a alemã Audi. O que nunca havia acontecido era a Volks produzir um automóvel tão caro com seu logotipo estampado na grade dianteira. "Os Rolls-Royce e os Bentley são verdadeiras instituições no que se refere a luxo, enquanto a Audi é uma referência em esportividade", explica Berthold Krüger, vice-presidente da Volkswagen do Brasil. "O Phaeton foi criado para mostrar os padrões de qualidade que a marca Volkswagen é capaz de atingir." Os planos da empresa são ambiciosos. Com seu modelo luxuoso, a Volks pretende abocanhar em um ano 10% do mercado automobilístico de alto luxo, que movimenta 20 bilhões de dólares por ano.

Elegante e sóbrio, o Phaeton tem 5 metros de comprimento, 1,90 metro de largura e grande espaço interno. Pode ser equipado com sistema de navegação por satélite, televisão, DVD, fax e telefone. O conforto é garantido por um sistema de suspensão pneumático computadorizado que se adapta a bruscas variações de terreno. A empresa quer usar ainda a produção do Phaeton como um laboratório de tecnologias que possam ser transferidas para os demais modelos. Krüger acredita que o Brasil, o segundo maior mercado de compradores da marca fora da Alemanha, será um beneficiário direto dessas tecnologias. A Volks brasileira foi a primeira empresa a trazer para os carros nacionais itens que foram criados para automóveis de luxo, como freios ABS e injeção eletrônica.

   
 
   
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