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Volks com jeito
de Mercedes
Montadora
alemã inaugura fábrica
para produzir carros de luxo

Juliana Saboia
Fotos divulgação

Nova
fábrica da VW: madeira nobre e paredes de vidro
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A Volkswagen
prepara-se para mudar a imagem que foi sua principal marca nos últimos
64 anos. A fábrica que inventou o Fusca não quer ser conhecida
apenas como o fabricante de carros populares, pequenos e baratos. Quer
mostrar que pode fazer também carrões sofisticados, grandes
e caros, tão bons quanto os da Mercedes-Benz e os da BMW. Para
isso investiu 160 milhões de dólares numa nova fábrica,
em Dresden, na Alemanha, destinada a produzir um novo modelo, o Phaeton,
um carro que promete concorrer com a Classe E, da Mercedes, e a série
7, da BMW. Toda envidraçada, a empresa permite que se veja da rua
a forma como se fabricam os automóveis. Cada carro é montado
um a um, num ambiente asséptico. O piso da linha de montagem tem
madeira nobre. Os compradores que se dispuserem a gastar o equivalente
a 300.000 reais no novo VW serão convidados
pela empresa para conhecer a fábrica. Lá, assistirão
ao nascimento do veículo e poderão fazer alterações
de última hora na própria linha de montagem, como trocar
a cor da pintura, os instrumentos do painel ou o tipo do couro do estofamento.
Os primeiros Phaeton serão exibidos em março no Salão
do Automóvel de Genebra, e os brasileiros interessados no carro
poderão encomendá-lo a partir de julho de 2002.

O Phaeton
custará 300 000 reais e concorrerá com Mercedes e BMW |
Fabricar
carros de classe não é novidade para a Volks. A empresa
é dona de marcas como as inglesas Rolls-Royce e Bentley, as italianas
Lamborghini e Bugatti e a alemã Audi. O que nunca havia acontecido
era a Volks produzir um automóvel tão caro com seu logotipo
estampado na grade dianteira. "Os Rolls-Royce e os Bentley são
verdadeiras instituições no que se refere a luxo, enquanto
a Audi é uma referência em esportividade", explica Berthold
Krüger, vice-presidente da Volkswagen do Brasil. "O Phaeton foi criado
para mostrar os padrões de qualidade que a marca Volkswagen é
capaz de atingir." Os planos da empresa são ambiciosos. Com seu
modelo luxuoso, a Volks pretende abocanhar em um ano 10% do mercado automobilístico
de alto luxo, que movimenta 20 bilhões de dólares por ano.
Elegante
e sóbrio, o Phaeton tem 5 metros de comprimento, 1,90 metro de
largura e grande espaço interno. Pode ser equipado com sistema
de navegação por satélite, televisão, DVD,
fax e telefone. O conforto é garantido por um sistema de suspensão
pneumático computadorizado que se adapta a bruscas variações
de terreno. A empresa quer usar ainda a produção do Phaeton
como um laboratório de tecnologias que possam ser transferidas
para os demais modelos. Krüger acredita que o Brasil, o segundo maior
mercado de compradores da marca fora da Alemanha, será um beneficiário
direto dessas tecnologias. A Volks brasileira foi a primeira empresa a
trazer para os carros nacionais itens que foram criados para automóveis
de luxo, como freios ABS e injeção eletrônica.
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