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Cristiano,
Sara e Felipe, contra a lei do deputado: estilo |
| Foto: Antonio Milena |
Certo dia, no início deste ano, uma moça de 19 anos apareceu no gabinete do deputado Campos Machado na Assembléia Legislativa de São Paulo e contou uma história triste. Ela disse que quando tinha 15 anos se encantou com as tatuagens que viu nas colegas e resolveu entrar na onda da arte corporal. Hoje chora de arrependimento. Ao tentar ingressar na Aeronáutica, ela foi reprovada no exame médico justamente por causa do desenho estampado no corpo. Fez uma cirurgia reparadora, prestou exame e, mais uma vez, foi rejeitada em razão das cicatrizes incriminadoras. O deputado do PTB ficou sensibilizado. "Vi que era preciso fazer algo para preservar o futuro de nossos jovens", diz. Na semana passada, a preocupação de Campos Machado com o futuro da juventude em questão tão relevante materializou-se na forma de uma lei. A partir de agora, é proibido, no Estado de São Paulo, fazer tatuagens e colocar brincos e alfinetes no corpo de menores de 18 anos, o chamado piercing, mesmo com autorização dos pais.
"O que eu acho mais absurdo é que agora nós, pais, estamos proibidos até de proibir nossos filhos de fazer tatuagem", afirma Aparecida Barbosa Cunha, mãe de Sara, que aos 14 anos acaba de tatuar uma flor na nuca. O argumento do deputado paulista é que o Estado "tem a obrigação de tutelar a sociedade". Ele acha que os jovens e "alguns pais irresponsáveis" não enxergam que a tatuagem, por ser definitiva, pode atrapalhar a pessoa no mercado de trabalho. "Eu mesmo tenho preconceito", reconhece. "Uma moça com dois brincos no nariz me causa repulsa", diz. "Se o preconceito existe, ele o está institucionalizando por lei", rebate o estudante Felipe Lisot, de 16 anos, que tem um lagarto verde e um dragão estampados no braço.
Excluindo-se os índios, com suas magníficas pinturas corporais, a tatuagem começou a ser usada no Brasil por prostitutas e presidiários. Nos últimos anos, foi incorporada ao figurino dos jovens como uma das pouquíssimas opções, hoje, para o tradicional ritual de marcar diferença entre as gerações mais velhas. "É só um jeito de ser diferente, de ter estilo", explica Cristiano Telles, de 15 anos. Campos Machado acha isso repulsivo e impôs seu gosto aos jovens paulistas. Até angariou adeptos. O vereador Janualdo da Mardil, do PSDB, apresentou projeto semelhante na Câmara do Rio de Janeiro. Ele e Campos Machado contam que deputados de Brasília já demonstraram interesse em transformar a proibição em lei federal.
Quando o piercing é furado
A lei
paulista sobre enfeites epidérmicos é uma
maluquice mas existe um argumento, a ser levado
em consideração pelos envolvidos diretos contra
pelo menos um desses adereços, o piercing na
língua. Um estudo publicado na revista da
Associação Odontológica Americana lista os
riscos de colocar brincos nesse órgão. Logo
depois da perfuração, há dor, inchaço,
aumento da salivação e lesões na gengiva. Com
o tempo, por causa do inchaço e do aumento da
vascularização da língua, a fala fica
comprometida. Muitas vezes, com a movimentação
natural da língua, os brincos batem nos dentes e
podem lascá-los, provocando dificuldades para
mastigar e engolir alimentos. Outro problema do
enfeite exótico é que o buraco feito para
colocar o brinco torna-se um depósito de restos
de comida e células mortas da mucosa |
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