| |
Volta ao passado
Estudo
genético explica a primeira migração humana
Quando o assunto é
a origem da espécie humana, todos os cientistas
concordam que foi na África que surgiu o primeiro grupo
com comportamento e características genéticas que se
perpetuam até hoje. A novidade, anunciada em um
congresso sobre evolução humana nos Estados Unidos, é
que geneticistas acreditam ter dado um passo à frente
nas descobertas sobre como os primeiros antepassados se
espalharam pela Terra. De acordo com pesquisa da
Universidade do Estado da Pensilvânia, um grupo de no
máximo 500 indivíduos deixou a África cerca de 137.000
anos atrás e deu início ao povoamento dos continentes
vizinhos, a Ásia e a Europa. A data em si não é
novidade. Várias pesquisas arqueológicas já apontavam
para uma época parecida. Mas é a primeira vez que se
tenta reconstituir essa migração por meio da genética.
"Comparamos amostras do sangue de atuais moradores
da região abaixo do Deserto do Saara com as de outros
grupos e comprovamos que houve uma separação milhares
de anos atrás", explica o chefe da pesquisa, Mark
Stoneking. "Essa diferença pode ser a pegada
deixada na primeira grande viagem da humanidade."
A genética é um
recurso inteiramente novo no estudo da evolução humana.
Em vez de fazer escavações em sítios arqueológicos,
os pesquisadores coletam amostras de sangue para estudar
determinadas seqüências de DNA, o código genético
responsável pelas características de todos os seres
vivos. Quanto mais isolado for o grupo que teve o seu
sangue analisado, mais provável que possua indicadores
genéticos próximos dos seus ancestrais. É o caso das
tribos pesquisadas pelos cientistas americanos e que
tiveram seu sangue comparado com o de outros grupos
não-africanos, também isolados. Membros de tribos do
Quênia, por exemplo, têm uma diversidade enorme nas
suas mitocôndrias, um dos indicativos da ausência de
miscigenações com outros povos. Também no Quênia
foram descobertos alguns dos ossos mais antigos de
humanóides até hoje.
T.T.

|
|