Uma entrevista nas alturas

Vladimir com Menem
no avião: o gravador
quase caiu
Foto: Ana Araujo  

O repórter Vladimir Netto, de 24 anos, fez um excelente negócio na semana passada: comprou uma camisa por 16 reais. A descoberta das vantagens do comércio popular foi fruto da necessidade. Encarregado de entrevistar o presidente da Argentina, Carlos Menem, em visita ao Brasil, Vladimir acabou embarcando com a roupa do corpo no Tango Uno, o avião presidencial, no percurso entre Brasília e São Paulo. A entrevista, em princípio, deveria acontecer na casa do embaixador argentino em Brasília, Jorge Hugo Herrera Vegas. Ao chegar lá, Menem estava dando uma coletiva e o repórter descobriu que, depois disso, iria receber o presidente Fernando Henrique e seus ministros para almoçar. Só pretendia falar a VEJA no caminho para o aeroporto, de onde voaria para São Paulo não daria mais de dez minutos de conversa, tempo irrisório para as páginas amarelas da revista.

A proposta de fazer a entrevista durante o vôo de uma hora e meia foi do chefe da sucursal de Brasília, André Petry. Testemunha das negociações, Fernando Henrique Cardoso achou excelente a idéia e incentivou seu colega a aceitar. "Menem, como seu avião não tem pára-quedas, é melhor ainda: se ele fizer pergunta inconveniente, manda ele saltar", aconselhou, com seu inderrubável bom humor. Duas horas depois, Vladimir Netto e a fotógrafa Ana Araújo estavam no 757 de Menem. Começaram a conversa antes da decolagem, o gravador quase caiu da mesa quando o avião levantou vôo, e ficaram no gabinete, uma sala de cerca de 10 metros quadrados e cadeiras confortáveis, por mais de uma hora. Em São Paulo, Vladimir foi para a redação da revista e escreveu a primeira entrevista de sua carreira com um presidente. Além do problema da muda de roupa, Vladimir estava sem carteira de identidade e com apenas 3 reais no bolso. De volta a Brasília, ainda tinha já preparado para esses tempos bicudos de pacote um troco de 2 reais.




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