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19 de novembro de 2008
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Arqueologia
O túmulo da poderosa

Descoberta no Egito pirâmide erguida em homenagem
à rainha Sesheshet, que com sua influência política
conseguiu levar o filho ao trono


Vanessa Vieira

Desenhos de 4 000 anos
Arqueólogo na pirâmide: só as mulheres de muito destaque eram enterradas nesse tipo de monumento

A descoberta de uma nova pirâmide sob as areias do Egito, anunciada na semana passada, causou dupla surpresa aos arqueólogos. Primeiro, porque o mo-numento se encontra numa área de Saqqara – a necrópole dos poderosos do país na Antiguidade – que já se pensava inteiramente explorada na busca por relíquias. Segundo, porque tudo indica que a pirâmide seja o túmulo de uma rainha notória pelo poder que amealhou – Sesheshet, mãe do faraó Teti, que inaugurou a sexta dinastia, em 2300 a.C. A estrutura desenterrada tem apenas 5 metros de altura, mas, pelo ângulo de sua construção em relação ao solo, é possível determinar que, originalmente, eram 14 metros de altura e 22 metros de comprimento na base. Os arqueólogos concluíram que a pirâmide é a tumba da rainha Sesheshet porque ela fica próximo da pirâmide do faraó e daquelas erguidas para suas principais esposas, Iput e Khuit, descobertas, respectivamente, em 1898 e em 1994.

A equipe de pesquisadores só terá certeza de que a pirâmide foi erguida para Sesheshet quando chegar à câmara mortuária, após mais algumas semanas de escavação. Antecipadamente, eles sabem que não vão encontrar a múmia da rainha – um túnel construído no passado indica que a câmara já foi visitada por ladrões de túmulos. Mas os pesquisadores esperam achar inscrições que confirmem sua teoria.

Segundo a tese dos egiptólogos, a pirâmide recém-descoberta foi uma homenagem do faraó Teti à mãe, como forma de retribuir o papel decisivo que ela teve em sua ascensão como primeiro faraó da sexta dinastia. Nessa época, houve um conflito entre dois ramos da família real para definir a sucessão no comando do Egito. A influência política de Sesheshet teria sido determinante na formação da aliança que assegurou o reinado do filho. Embora haja pirâmides dedicadas a mulheres desde a quarta dinastia, para os arqueólogos o achado é mais uma mostra do poder dessa rainha. "As mulheres só eram enterradas em pirâmides quando se destacavam muito. Nem mesmo a mãe do faraó Quéops, um dos maiores construtores do Egito antigo, teve uma pirâmide", comenta o egiptólogo Antonio Brancaglion, do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

A pirâmide de Sesheshet e as das esposas de Teti fornecem pistas sobre o momento político em que foram construídas. Bem menores do que as pirâmides da quarta dinastia, cujo maior expoente é Quéops, com 147 metros de altura, e feitas de simples tijolos em vez de blocos gigantescos de pedra, elas sugerem uma redução do poder dos faraós. Naquele período, surgiram lideranças localizadas que desafiavam seu poder ilimitado. A sexta dinastia encerrou o primeiro período de fausto e glória do antigo Egito. A partir daí, o país passaria por um período de dificuldades econômicas e instabilidade social que se estenderia por cerca de 800 anos. O país só recuperaria seu esplendor a partir da 18ª e da 19ª dinastias, das quais são representantes os faraós Tutancâmon e Ramsés II. A descoberta da pirâmide da rainha Sesheshet ajuda a contar essa história.

 
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