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Edição 2087

19 de novembro de 2008
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A triste estréia do Nerpa

Vinte morrem sufocados em submarino russo
novo em folha; explicações ainda não convencem


Vilma Gryzinski

Valery Spidlen/AFP

Morrer por falta de ar é o destino terrível que paira no fundo da mente de todos os tripulantes de submarinos. Mas desafia a lógica que o acidente no submarino russo Nerpa tenha sido deliberadamente provocado por um marinheiro que acionou "sem motivo" o alarme contra incêndio, segundo a conclusão do inquérito oficial. O alarme desencadeou um sistema que injeta gás freon nos ambientes afetados para retirar oxigênio do ar e, assim, apagar as chamas. Não havia fogo nenhum. Vinte pessoas morreram por sufocamento e 21 foram hospitalizadas. Dos mortos, dezessete eram civis, técnicos ou funcionários do estaleiro Amur, onde o submarino foi construído e as vítimas foram veladas em clima de comoção, como mostra a foto. O Nerpa estava em fase de testes e o grande número de civis a bordo piorou a tragédia. No total, havia 208 pessoas, das quais apenas 81 tripulantes devidamente treinados para usar máscara de oxigênio em caso de acionamento do sistema de combate a incêndio – o gás, da mesma família dos utilizados em geladeiras, mata na hora quem não está protegido. O alarme não é uma alavanca qualquer. Existe uma seqüência de procedimentos, sob controle de oficiais de patente superior. Acidentes com submarinos têm uma simbologia especial na Rússia por causa da lenta e terrível morte dos 118 tripulantes do Kursk, em agosto de 2000. O Nerpa pertence a uma classe de submarinos movidos a energia nuclear mais silenciosos, eficientes e também simbólicos – sinalizam o renascimento da indústria bélica naval da Rússia. Apesar da estréia trágica, o Nerpa em si não foi afetado e deverá seguir o destino original: ser arrendado à Índia.



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