Edição 1829 . 19 de novembro de 2003

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CINEMA


Fotos divulgação
Em Lugar Nenhum da África: filme não apela para imagens de cartão-postal


Em Lugar Nenhum da África
(Nirgendwo in Afrika, Alemanha, 2002. Estréia nesta sexta-feira) – Com a II Guerra Mundial se desenhando, uma família de judeus alemães se refugia no Quênia e se descobre totalmente despreparada para a vida na África. Só Regina, a filha do casal, se encontra no novo continente, e passa de uma criança medrosa a uma garota desenvolta. Adaptado de uma história verídica e premiado com o Oscar de filme estrangeiro deste ano, o drama da diretora Caroline Link capta com inspiração e nitidez tanto as alegrias da meninice quanto as dificuldades de um casal que vive em ritmos diferentes e sofre não por estar na guerra, mas por causa de seu alheamento dela. Caroline, além disso, mostra uma salutar disposição para evitar a síndrome do "feitiço africano", que acomete tantos filmes do gênero: o Quênia que ela mostra aqui é tanto mais atraente por não parecer um cartão-postal.

 

LIVROS

Contos Fantásticos, de Ryûnosuke Akutagawa (tradução de Diogo Kaupatez; Z; 96 páginas; 25 reais) – Nome essencial da literatura de seu país, o japonês Akutagawa (1892-1927) foi um escritor atormentado, que se suicidou aos 35 anos. Ele converteu sua angústia em ingrediente de contos que se equilibram entre o macabro e a sátira dos costumes de seu país. Vários dos cinco textos reunidos na antologia são inéditos no Brasil – e todos foram traduzidos diretamente do japonês. Constam da seleção seus dois contos mais famosos, nos quais se baseia o filme Rashomon (1950), de Akira Kurosawa. A obra homônima é uma fábula de horror: narra o encontro de um servo com uma ladra de cabelos de cadáveres. Já Dentro da Mata reconta o assassinato de um samurai pela visão de diferentes personagens. Leia trecho.

A Estepe, de Anton Tchekov (tradução de Sérgio Borín; Nova Alexandria; 118 páginas; 26 reais) – Além de dramaturgo célebre, o russo Anton Tchekov (1860-1904) é um dos maiores contistas da literatura universal. A Estepe ocupa um lugar especial em sua trajetória. Datado de 1887, esse conto longo, ou novela, foi sua primeira obra publicada numa revista literária de prestígio. O enredo, de teor autobiográfico, fala sobre um garoto que cruza o cenário desolado da estepe ucraniana, com destino a uma escola numa cidade distante. Monótona e melancólica, a viagem é uma metáfora da solidão humana. Mais que o garoto, Tchekov faz da própria estepe a protagonista de sua novela, o que é realçado por suas descrições da paisagem.

 

DISCOS

 
Gal Costa: belos boleros  

Todas as Coisas e Eu, Gal Costa (Indie Records) – Uma das maiores intérpretes da MPB, Gal Costa passou os últimos anos gravando discos no piloto automático. Todas as Coisas e Eu, o seu novo lançamento, a repõe no pedestal. Traz músicas compostas entre as décadas de 20 e 50, que receberam um belo tratamento do maestro Eduardo Souto Neto. Gal, que sempre mostrou familiaridade com o repertório de boleros e canções tristonhas (vide a exemplar gravação de Alguém Me Disse, de Anisio Silva, que ela registrou em 1990), faz a festa. As versões dela para Nervos de Aço, de Lupicínio Rodrigues, e Fim de Caso, de Dolores Duran, são de cortar os pulsos de tanta melancolia.

Communication, Karl Bartos (Sony Music) – Autor de algumas das músicas mais lembradas do grupo alemão Kraftwerk (como Pocket Calculator, que virou anúncio de traquitanas eletrônicas), o baterista e tecladista Karl Bartos partiu para a carreira-solo no início da década passada. "O Kraftwerk deu um tempo na produção de discos e eu tinha muita coisa para mostrar", diz. Bartos, que inicialmente se aventurou pela carreira de produtor, agora lança Communication, seu primeiro trabalho sozinho. Nesse disco, ele dá continuidade às idéias que defendia no Kraftwerk. Bartos usa o vocoder (a vozinha de robô que foi marca registrada do Kraftwerk) e cria climas hipnóticos com recursos eletrônicos. Uma prova de que continua em boa forma está na faixa 15 Minutes of Fame.

 

TELEVISÃO

Taken: Spielberg e os extraterrestres

Steven Spielberg Apresenta Taken (estréia no domingo, dia 16, às 22h, na HBO) – O cineasta Steven Spielberg usou um caso conhecido como mote dessa série de ficção científica: a suposta queda de um disco voador em Roswell, no Estado americano do Novo México, em 1947, episódio que teria sido abafado por militares e até hoje rende acaloradas discussões entre ufólogos e afins. Taken parte da premissa de que os ETs estiveram, sim, em Roswell – e o resultado é uma trama de clima tão perturbador quanto o dos melhores momentos do seriado Arquivo X. Ganhadora do Emmy, a série acompanha três famílias que teriam sido afetadas por aqueles acontecimentos. Há histórias de abdução e até uma personagem que dá à luz um ser meio humano, meio extraterrestre.

 

DVDs

Levada da Breca (Bringing Up Baby, Estados Unidos, 1938. Versátil) – Katharine Hepburn é uma socialite amalucada, que anda com um leopardo pela coleira (o Baby do título original) e se enamora do paleontólogo interpretado por Cary Grant, cuja vida ela não tardará a arruinar com suas confusões. Uma interpretação possível é que, como quem está perdido por um está perdido por mil, o pobre cientista não vê remédio a não ser se apaixonar pela moça também e casar com ela, para que ela possa levar a cabo o projeto de reduzi-lo a escombros. A outra leitura, mais aceita, é que o diretor Howard Hawks cunhou aqui uma das mais perfeitas screwball comedies, ou comédias abiloladas, o gênero por excelência dos anos 30.

CSI: melhor a cada episódio

C.S.I. – A Primeira Temporada (PlayArte) – Um dos prazeres de rever em seqüência aquilo a que se havia assistido de forma episódica na televisão é observar como um grupo de atores desenvolve uma dinâmica bem-sucedida. Nesse sentido, a primeira temporada do seriado sobre os investigadores forenses de Las Vegas é um deleite. Aos poucos, Gil Grissom (William Petersen), o chefe da equipe, aprimora seu humor lacônico, enquanto seus comandados deixam de atuar apenas como ferramentas do roteiro e adquirem personalidade. Cada uma das histórias, além disso, oferece uma dose considerável de mistério e explora com eficácia a nova filosofia dos policiais televisivos – a de que, antes de serem durões, esses são profissionais obrigados a carregar os pecados do mundo nos ombros.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel; Belém: Nobel, Laselva.
 
 
 
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