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Música
Do jeito de Paul
A
nova versão do disco Let It Be foi feita
à imagem e semelhança de McCartney

Sérgio
Martins
Divulgação
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| Os
Beatles, em 1970: no novo disco, as faixas são mais despojadas
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Ainda
que tenha rendido dois dos maiores sucessos dos Beatles, a faixa-título
e The Long and Winding Road, o disco Let It Be sempre
foi considerado um filho ilegítimo da banda. Na época
do lançamento, em 1970, o quarteto já se havia separado.
Como não conseguiam superar as diferenças e reunir-se
para finalizar o álbum, coube ao produtor americano Phil
Spector realizar esse trabalho. Ninguém ficou satisfeito.
John Lennon, o mais irônico, dizia que "não vomitou"
ao ouvir o disco. Paul McCartney, o mais indignado, detestava os
arranjos suntuosos. Nesta semana, uma nova versão do álbum
chega às lojas, com o título Let It Be... Naked.
Dez faixas do disco original, e ainda Don't Let Me Down,
antes lançada somente em compacto, ressurgem desprovidas
das orquestrações e coros. Sumiram até mesmo
as vinhetas e comentários que antes entremeavam as faixas
Let It Be... Naked traz 23 minutos de conversa entre
John, Paul, Ringo e George, mas num CD à parte. Seria esse
o álbum que os Beatles queriam?
Quando
começaram a pensar em Let It Be, os Beatles tinham
o propósito de retornar ao processo de gravação
de seu primeiro disco, Please Please Me. Eles tocariam juntos,
deixariam o gravador rolar e lançariam o resultado sem edição.
A sessão única de gravação nunca ocorreu
e, na hora de montar o disco, o que existia era o farto material
que Spector remanejou. Let It Be... Naked parece adotar a
filosofia do despojamento que os Beatles desejavam a princípio.
Só que não é bem assim. Para citar um exemplo:
I Me Mine é uma composição curtíssima
que foi bastante aumentada por Spector e continua aumentada
agora, em vez de voltar às dimensões originais. Mais
do que o disco sonhado pela banda, Let It Be... Naked parece
ser o disco sonhado por um beatle em particular: Paul McCartney,
o principal remanescente do grupo depois da morte de Lennon e Harrison
(Ringo Starr, como é notório, nunca mandou). Os resultados
são desiguais. A nova versão contida de The Long
and Winding Road é mais tocante que na versão
derramada de 1970. Já faixas como Across the Universe,
"despidas", perderam um tanto da graça. Os fãs vão
dar um veredicto. O dos Beatles, não se saberá.
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