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Medicina
Reaprendendo
a viver
Ali,
o menino que perdeu os braços
e a família na guerra no Iraque,
recupera-se na Inglaterra
Reuters
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ters
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| Depois
do trauma, fisioterapia, aulas de inglês e treinamento
com o braço eletrônico |
Em
março, bem no começo da guerra no Iraque, a aviação
americana lançou mísseis sobre um vilarejo perto de
Bagdá. Dois deles atingiram a casa de Ali Abbas, 13 anos,
que dormia com a família. Morreram seu pai, agricultor, sua
mãe (grávida de seis meses), seu irmão e mais
treze parentes. Ali foi retirado dos escombros ainda vivo, mas tomado
de queimaduras e com os dois braços tão comprometidos
que foram amputados assim que chegou ao hospital. Suas chances de
sobreviver eram mínimas no caos hospitalar de Bagdá.
Ele estava, literalmente, apodrecendo. Uma foto salvou-lhe a vida:
a imagem espantosamente trágica do menino mutilado, chorando
de desespero e dor, comoveu o mundo. Objeto de uma mobilização
internacional, Ali foi levado para um bom hospital no Kuwait (onde,
pela primeira vez em dezoito dias, recebeu analgésicos potentes)
e, depois de algumas cirurgias, viajou para a Inglaterra, onde continua
o tratamento de ponta. Mais gordinho, sorridente, tem como atividade
principal seguir todo o esquema puxado de exercícios para
se acostumar com o braço eletrônico que lhe permitirá,
entre outras coisas, pegar objetos e se vestir sozinho. "Estou feliz",
disse à revista americana People.
Ali
mora num subúrbio de Londres com um primo que chama de tio,
Mohamed, outro menino iraquiano que perdeu uma perna e uma das mãos
no mesmo ataque, Ahmad, e o pai de Ahmad. Está aprendendo
inglês e consegue usar os dedos dos pés para se alimentar
e jogar videogame. Um momento de satisfação foi quando,
depois de semanas de fisioterapia, se sentiu seguro o suficiente
para jogar futebol, que adora. Tudo indica que se recuperou da depressão
profunda manifestada nos meses após o ataque no que foi
ajudado por um encontro, em outubro, com o ator Christopher Reeve,
tetraplégico por causa de um acidente. "Quando vi o Super-Homem,
pensei: 'Pelo menos, tenho minhas duas pernas e respiro sozinho'",
conta Ali. Acostumar-se com o braço artificial de 1,5 quilo
levará tempo: apesar do mecanismo eletrônico, é
necessário o estímulo dos músculos de Ali para
dobrar o cotovelo, mexer o punho, abrir e fechar a mão e
mexer três dedos. Só o braço direito está
pronto; o esquerdo é apenas cosmético e a versão
eletrônica, quando for colocada, terá menos funções,
já que esse lado foi mais afetado. Simpático e falante,
Ali reclama um pouco da fama: "Gostaria de ser normal e de não
ser conhecido". E, como todo pré-adolescente, dos beijos.
"Recebo muitos. Não gosto."
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