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Agricultura
A soja ideológica
Deputado
petista pró-transgênicos
leva a melhor sobre a ministra natureba
Dida Sampaio/AE
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Fabio Motta/AE
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deputado e a ministra, ambos do PT: com posições divergentes
sobre a soja |
O deputado
gaúcho Paulo Pimenta é um petista de tipo raro
é o único, pelo menos até agora, a defender
abertamente os transgênicos. "Em matéria de biotecnologia,
a questão não é ser contra ou a favor. É
criar regras para a pesquisa, pois o país não pode
viver sem pesquisa", diz. Na semana passada, o deputado fez valer
sua convicção. Como relator da medida provisória
sobre a soja transgênica, elaborou e aprovou
um texto em que autoriza o registro, para fins de pesquisa, das
42 variedades de soja transgênica ora em estudo no país.
Proposta pelo governo, a medida provisória, além de
autorizar a pesquisa, também libera o plantio de soja transgênica
neste ano e a comercialização da soja colhida em safras
anteriores. Para chegar ao texto final, Paulo Pimenta analisou 109
emendas, mas aceitou, no todo ou em parte, apenas dezessete. Agora,
a medida precisa ser aprovada pelo Senado para começar a
valer.
A
medida provisória, nos termos em que foi aprovada pela Câmara,
é um avanço, mas, como a discussão sobre o
assunto começou atrasada, criou-se uma situação
esquizóide: está tudo liberado, mas só até
a próxima colheita, em 2004. A votação representa
nova derrota para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que
é contra todo e qualquer transgênico e ficou especialmente
irritada com a autorização para a pesquisa. Ela supõe
que se trata de um passo para a legalização definitiva
da soja transgênica. Pode até ser que venha a acontecer,
mas isso não retira o caráter medieval, pré-iluminista,
de sua posição contrária à pesquisa
científica. Enquanto o Congresso debate medida provisória,
e ainda debaterá um projeto de lei definitivo sobre o assunto
e a instalação de uma CPI para descobrir como a semente
transgênica chegou ao país, a realidade já está
muito mais longe. No Rio Grande do Sul, em 90% da área plantada
a soja já é transgênica (veja tabela abaixo).
Além
da ministra Marina Silva, a multinacional Monsanto, dona da patente
da semente transgênica, também não gostou do
resultado final. Para a empresa, seria importante incluir no grão
um gene, batizado de terminator, que não deixa que
a soja nascida de uma semente transgênica produza novas sementes
igualmente transgênicas. Com isso, a Monsanto poderia impedir
que a plantação de hoje produzisse sementes transgênicas
para a plantação de amanhã. A medida provisória,
no entanto, proíbe a empresa de inserir o terminator
nas sementes. Outro artigo define que a cobrança de royalties
pela dona da patente só pode ser feita sobre a semente adquirida
pelo agricultor, e não sobre toda sua produção,
como queria a Monsanto.
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