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Especial
Todo
mundo quer fazer
Pedro Rubens
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Roberta
Salomone
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INTERNET |
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Yoga.pro
É um dos mais completos sites sobre o assunto.
Explica detalhadamente cada uma das modalidades
do ioga |
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União
Internacional de Yôga
Informações sobre ioga em geral e sobre a Rede
DeRose |
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Universo
Ioga
Traz biliografia sobre ioga e dicas para a prática |
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Sempre
que têm uma chance, a atriz Fernanda Torres e mais uma constelação
de colegas famosos, como Rodrigo Santoro, Marcelo Serrado, Christiane
Torloni e Luciano Huck, contorcem-se, esticam-se e permanecem (o.k.,
alguns só tentam) por vários minutos nas posições
mais estranhas. São, no Brasil, a face mais conhecida da
legião de convertidos à mais recente onda em matéria
de condicionamento físico: a ioga. Para a maioria dos adeptos,
ioga, nesse caso, tem muito pouco a ver com as técnicas desenvolvidas
há mais de 5.000 anos na Índia
com o propósito de buscar, por meio da meditação
e de práticas exigentíssimas, a transcendência
espiritual. Nas academias, nos programas de televisão, nos
vídeos de fitness e até na classificação
das prateleiras das grandes livrarias, ioga aquele conjunto
de exercícios tranqüilos e lentos, muito recomendados
antigamente para grávidas e senhoras idosas virou
sinônimo de ginástica puxada. E, com base muito mais
no desejo que na realidade, ginástica capaz de modelar corpos
como o da modelo Stefanye Falco, que ilustra esta página,
ou a saradíssima figura da cantora Madonna, aos 45 anos ainda
a mãe de todos os modismos, que muito contribuiu para a difusão
do gênero ao aparecer, fantasticamente contorcida, em foto
na revista W.
AFP
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HOMEM
ELÁSTICO
Aos poucos, suavemente, o praticante de ioga ganha a flexibilidade
de um contorcionista |
A idéia de que a antiqüíssima prática
indiana esculpe corpos fabulosos e que, mesmo de maneira muito vaga,
"faz bem" à saúde alimenta uma demanda em ascensão.
Por causa dela existe hoje um quadro inimaginável há
quarenta anos: ioga e orientalismos afins, que nos tempos dos hippies
e da contracultura faziam parte do arsenal de resistência
aos valores da então execrada sociedade de consumo, tornaram-se
atividades das mais lucrativas, administradas com técnicas
empresariais modernas. Sinal inequívoco de que o público
existe, e anseia por mais, é o evento que uma empresa de
telefonia patrocina neste fim de semana no Rio de Janeiro, em que
16.000 pessoas foram convidadas a contorcer-se
em aulas de ioga, workshops e baladas movidas a uma certa yoga
dance tudo comandado pela empresária Marlene Mattos,
53 anos, que diz que trabalhou por amor à causa. "Não
pus nem ganhei dinheiro nenhum. Só ajudei a organizar", declara.
Mesmo que movida por motivos imateriais, Marlene, com seu conhecido
tino para os negócios, está entrando num jogo de gente
grande. Nos Estados Unidos, são 15 milhões de praticantes:
adultos jovens ou já entrados na maturidade, cheios de dinheiro
para gastar, especialmente com produtos e serviços que prometam
bem-estar. Por causa deles, gigantes como Nike e Adidas desenvolveram
linhas específicas para praticantes de ioga. As roupas não
diferem em quase nada dos modelos convencionais de ginástica
são um pouco mais folgadas e feitas de tecido mais
leve , mas já respondem por cerca de 10% das vendas
de vestuário feminino das duas empresas no Brasil. De olho
no filão, Marcos Wettreich, presidente do iBest, um dos maiores
provedores de internet do país, vai investir 1 milhão
de reais num empreendimento batizado de Espaço Nirvana, tendo
como sócia a carioca Isabela Fortes, que largou o mercado
financeiro para se tornar professora de ioga.
A
trajetória do carioca Luiz Sérgio Alvarez, atualmente
conhecido como professor ou mestre De Rose, 60 anos, dá uma
idéia das potencialidades do ramo. Em 1969, ele fundou sua
primeira academia de iôga (assim, com circunflexo no "o" fechado,
única pronúncia que aceita) numa sala alugada em Copacabana.
Hoje, são 205 unidades credenciadas no Brasil e 32 no exterior.
Para usar a marca De Rose, o franqueado deve desembolsar 100.000
reais. De Rose, chamado de "mestrinho" pelas alunas, diz, com voz
mansa, que o investimento compensa. "Os credenciados recebem imediatamente
a mesma quantia que investiram em material didático"
que é todo feito por ele mesmo. É preciso paciência
de iogue para calcular quanto de material didático seria
necessário até completar 100.000
reais, mas o fato é que a marca tem apelo e é praticamente
sinônimo de ioga no Brasil. De Rose criou também a
Uni-Yôga, uma instituição que dá cursos
de extensão em convênio com universidades. Por suas
aulas já passaram, segundo ele, mais de 50.000
alunos. De Rose já escreveu mais de vinte livros, dos quais
o mais conhecido, por motivos óbvios, é Hiperorgasmo,
um tratado sobre as maravilhas do sexo tântrico (veja
quadro) que depois foi rebatizado, mais circunspectamente,
de Tantra, a Sexualidade Sacralizada.
AP
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FEIRA
ZEN
Cerca de 2 000 pessoas participam de uma aula na Yoga Expo 2003,
evento recordista em Los Angeles |
De
Rose não é unanimidade num meio em geral tomado por
divergências de fazer inveja às divisões internas
do Partido dos Trabalhadores. Os gurus do setor divergem até
sobre o que pode ou não ser considerado ioga. Modalidades
vigorosas como ashtanga e power ioga, por exemplo, são reputadas
por alguns como mera ginástica com tintas orientais. No fertilíssimo
mercado americano, no qual as apostas são maiores, as brigas
também sobem de tom, com plácidos iogues importados
da Índia para comandar grandes academias trocando acusações
de plágio na Justiça. Em qualquer lugar, a explicação
é a ocidentalíssima competição. Na defesa
de seu nicho de mercado, mestres pioneiros deixam de lado a atitude
zen para cutucar a concorrência. "Eu não vendo ioga,
eu vivo ioga", diz Hermógenes de Andrade, 82 anos, um dos
precursores da prática no Brasil e autor de mais de trinta
livros, que cobra 900 reais por palestra em empresas. Para sorte
dos mestres mais ambiciosos, cabe muita gente no imenso mercado
que resultou da descoberta do Oriente. Segundo a International Health,
Racquet & Sportsclub Association, dos Estados Unidos, a ioga
já é praticada em 86% das academias americanas e em
64% das academias do mundo. Ashtanga, hatha, swásthya, power,
não importa academia de ginástica que se preze
tem ioga para oferecer aos alunos, mesmo em versões completamente
heterodoxas, que vão desde ioga para bebês, para cães
com seus donos e até para motoristas. Nas salas de malhação,
ela foi reformada e ganhou nomes curiosos, como ioga fitness, fit
oriente e pilates power mix. Essas ramificações da
moda, ao contrário da ioga tradicional, não têm
a pretensão de atingir algum nível de elevação
espiritual. As criações mais ao gosto do público
das academias de ginástica não se baseiam numa mistura
de exercícios calmos e meditação. Eduardo Machado,
professor de ioga de São Paulo, procura reunir duas metades
que parecem se repelir. Ele convida seus alunos a associar o vigor
do spinning com a introspecção do ritual de meditar.
Em sua aula, os praticantes pedalam durante uma hora ao som de músicas
new age e de tempos em tempos, com os olhos fechados, chegam a entoar
mantras (o inevitável "ooommmm"). "É possível
meditar enquanto se faz exercício. Só é preciso
concentração", garante Machado, budista há
quatro anos e típico guru dos novos tempos: bem-apessoado,
malhado e muito à vontade entre aparelhos de musculação.
AFP
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RECORDE
Com treinamento puxadíssimo baseado em técnicas
de ioga, Tanya Streeter, das Ilhas Cayman, é campeã
mundial de mergulho sem equipamentos |
A ioga, hoje, é procurada por três tipos de pessoa.
Mais recentemente, desembarcaram nas novas modalidades da ioga aqueles
praticantes que sempre querem experimentar uma novidade. Outro tipo
é representado por gente que se cansou das atividades frenéticas
e cansativas das academias. Esses querem coisa mais calma e relaxada
com que ocupar seus músculos. Por fim, há os que,
além dos benefícios para o corpo, buscam também
algo que lhes faça bem pelo lado de dentro. As vantagens
visíveis são evidentes: a ioga proporciona força,
flexibilidade, equilíbrio e melhor condicionamento cardiovascular.
Basta ver alunos de nível apenas mediano contorcidos em posturas
intrigantes e graciosas os asanas para perceber que
é preciso muito trabalho muscular. O segredo está
na conjugação de alongamento com postura. Combinados,
produzem também a sensação de bem-estar sereno,
sem picos de adrenalina mas bastante pronunciado, que é uma
das características mais marcantes da ioga. "Além
de um alongamento ativo e prolongado, a prática melhora a
postura, com efeitos positivos sobre circulação, pressão
arterial, articulações e coluna vertebral", enumera
Héldio Freitas, responsável pelo Núcleo de
Medicina do Esporte da USP.
Em
nível mais avançado, as técnicas respiratórias
ajudam atletas que precisam de muito fôlego, literalmente,
como alpinistas, nadadores e praticantes de mergulho livre. O efeito
calmante dos exercícios posturais e da respiração
profunda, mesmo para quem não atinge nada parecido com a
"supressão dos turbilhões da mente" pregada pelos
antigos mestres, também entra na categoria dos benefícios.
Como o stress tem algum grau de influência sobre um grande
leque de doenças, das cardíacas a certos tipos de
câncer, não é absurdo aceitar o componente preventivo
da ioga. Ir além disso já é entrar no campo
das suposições sem comprovação científica.
Em alguns hospitais americanos, pacientes que sofrem cirurgias cardíacas
podem ter aulas de ioga, entre outras terapias, no duro período
de recuperação. Noel Bairey Merz, diretora do centro
de reabilitação do Cedars-Sinai Medical Center, em
Los Angeles, afirma que os que optam pela ioga têm "tremendos
benefícios", incluindo diminuição do colesterol
e queda da pressão arterial, melhora da circulação
cardiovascular e, em alguns casos, até reversão do
espessamento das artérias. Não existem, porém,
estudos em quantidade suficiente para corroborar essas impressões.
Da mesma forma, não há confirmação de
uma das hipóteses aventadas sobre os efeitos positivos da
ioga: a de que as posições mais contorcidas provocam
uma espécie de massagem nas glândulas do sistema endócrino,
o que aumentaria a secreção de hormônios, inclusive
em mulheres entradas na menopausa.
Boa
parte da multidão que lota as academias está de olho
mesmo é no efeito da ioga sobre o corpo. Praticante há
um ano e meio, o ex-piloto Pedro Paulo Diniz, 33 anos, exalta as
qualidades do que já foi chamado de o "exercício perfeito",
pela abrangência de seus efeitos. "É o esporte mais
inteligente que já conheci. Corria, fazia musculação,
mas hoje não sinto falta de nada disso. Emagreci e parei
de sentir dores nas costas", diz. A ioga, de fato, é muito
eficiente para alongar a musculatura e melhorar a flexibilidade.
Mas a forma impecável só é alcançada
depois de muito suar o tapetinho e geralmente está associada
a algum outro esporte. A própria Madonna, junto com ioga,
praticou dança a vida inteira e depois pegou pesadíssimo
na malhação. Outras famosas americanas Julia
Roberts, Gwyneth Paltrow, Michelle Pfeiffer antes de se esticarem
nas aulas de ioga já figuravam entre as mulheres mais belas
do planeta. No Brasil, Christiane Torloni, que anda invejavelmente
em forma, começou a fazer ioga durante as gravações
de Mulheres Apaixonadas, mas antes disso encarou meses de
musculação rigorosa para encenar a peça Joana
Dark. Rodrigo Santoro, adepto há dois meses "Traz
equilíbrio corporal e mental" , continua surfando,
correndo e nadando, como sempre fez. Fernanda Torres, aficionada
há três anos, atribui o corpo "seco" e rijo à
ioga: "A pele cola no músculo, o músculo cola no osso".
Mas também faz corrida e, depois da gravidez, mudou a alimentação
come verduras, carne branca e cortou doces e bebidas alcoólicas.
"Quem quer ganhar condicionamento físico tem de fazer ginástica.
Só ioga não resolve", avisa o fisiatra Luiz Felipe
Guimarães, que trabalha em dois dos mais conceituados hospitais
do Rio de Janeiro, a Clínica São Vicente e o Samaritano.
Guimarães alerta para os perigos das modalidades mais vigorosas
da ioga na musculatura de quem está fora de forma. Para a
ioga funcionar, é preciso ir se contorcendo aos poucos. Quem
não tiver boa orientação e paciência
oriental, em vez de virar Stefanye, a modelo da abertura desta reportagem,
que tem dez anos de prática e é instrutora de ioga,
pode dar um nó na coluna. Quando der um ataque de pressa
por resultados, respire fundo e lembre-se de que ioga originalmente
significa união. Do que com o quê? "Da alma individual
com o espírito absoluto", é uma das respostas. Há
outras.
O
mestre do hiperorgasmo
Claudio Rossi
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Para qualquer homem ocidental, o princípio da
coisa soa estranhíssimo: a ejaculação
constitui um desperdício de energia vital a ser
evitado a todo custo. Esse conceito primitivo, disseminado
pelo Oriente, está na base da modalidade de ioga
que deve ser praticada a dois, entre quatro paredes
(de preferência com muitas velas e incenso), o
tantra. Pela doutrina inventada na Índia, o sexo
tântrico conduz à purificação
espiritual e ao autoconhecimento, e somente iniciados
em outros níveis da ioga podem ter acesso a ele.
As relações sexuais duram horas ininterruptas
e o orgasmo masculino, além de adiado ao máximo,
deve acontecer sem ejaculação, uma aparente
contradição que os praticantes dizem ser
possível. A promessa é de um prazer inigualável
daí o título Hiperorgasmo
dado originalmente pelo mestre De Rose a seu livro sobre
o palpitante tema. De Rose descreve o orgasmo, tal como
entendido pela maioria das pessoas, como "apenas um
espasmo nervoso, um vislumbre do prazer". Já
o hiperorgasmo se assemelharia a uma explosão
nuclear. Atingir esse patamar de prazer estonteante
requer boa alimentação, não beber,
não fumar, não usar drogas e fazer exercícios
diários para enrijecer a musculatura genital.
O sexo em si é feito sem movimentação
de espécie alguma, a não ser lentas contrações
da mulher, a quem cabe a condução da prática
tântrica clássica.
O sexo tântrico faz parte do curso de instrutores
da Uni-Yôga, a "universidade" criada por De Rose,
mas, segundo ele, todas as aulas são teóricas.
Muito práticos, por outro lado, são os
conselhos que o mestre dá no livro ainda inédito
Alternativas de Relacionamento Afetivo. Nele,
tal como um dinossauro remanescente da década
de 70, prega o casamento aberto, que define como "uma
vertente do casamento monogâmico, só que
com atenuantes". A justificativa para decidir abordar
o tema do relacionamento em livro também é
prática. "Nós últimos quarenta
anos, fui casado mais de dez vezes. Estou mais qualificado
para dissertar sobre o tema que os teóricos da
matéria", diz De Rose, pai de três filhos.
As mães são todas instrutoras de suas
academias de ioga, reputadas pela beleza.
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