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Ciência
Um
rosto novo em folha
Médicos
dizem estar prontos
para realizar
o
primeiro transplante facial
da história

Anna
Paula Buchalla
Christophe L.
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Médicos ingleses, americanos e franceses estão dispostos
a realizar uma cirurgia ousada do ponto de vista médico,
moral e psicológico: o primeiro transplante facial. O comitê
de ética do Royal College of Surgeons, uma das mais antigas
entidades médicas da Inglaterra, publicará nesta semana
um relatório que abrirá oficialmente os debates sobre
o procedimento. O transplante de rosto é um tema recorrente
na ficção. Foi abordado, por exemplo, no filme A
Outra Face, de 1997. Na trama, John Travolta interpreta
um agente do FBI que caça o terrorista vivido por Nicolas
Cage. O vilão entra em coma, mas deixa armada uma bomba que
destruirá boa parte de Los Angeles. A fim de encontrar o
explosivo, Travolta tem de se passar por Cage. Para tanto, submete-se
a um transplante facial.
Há
cerca de um ano, médicos ingleses anunciaram que, com as
novas técnicas de microcirurgia vascular e o uso de drogas
anti-rejeição potentíssimas, seria viável
transplantar lábios, nariz, orelhas, pele e músculos
do rosto de um recém-falecido para uma vítima de deformidade
facial. Como é a estrutura óssea que molda as feições
de uma pessoa, elas não mudariam muito depois de uma operação
dessas. Alguns cirurgiões, no entanto, consideram a hipótese
de ir além. Assim como ocorre no filme A Outra Face,
defendem também o transplante dos ossos de suporte do rosto,
o que deixaria o paciente bem parecido com o doador. Na Inglaterra,
dez pessoas que tiveram o rosto desfigurado por doença, queimadura
ou acidente já procuraram o cirurgião plástico
inglês Peter Butler, do Royal Free Hospital, de Londres, um
dos médicos que lançaram a idéia.
Divulgação
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| Travolta
e Cage: rostos trocados no filme A Outra Face |
Para
restaurar um rosto deformado, os métodos mais utilizados
atualmente são os enxertos de pele e os transplantes de revestimento
cutâneo. Nesse último caso, o médico retira
das costas do próprio paciente um pedaço da camada
mais superficial da pele, juntamente com parte do tecido gorduroso
subjacente, e o transfere para o rosto. Essa cirurgia tem dois inconvenientes:
deixa uma cicatriz no dorso da pessoa e seu resultado estético
é pobre. Isso porque o tecido transplantado é de uma
textura mais grossa que a do rosto, o que também compromete
as expressões faciais. Os que apostam no transplante de rosto
total dizem que esses problemas seriam eliminados. Eles reconhecem,
contudo, que depois da cirurgia é grande o risco de ocorrerem
transtornos graves. O principal seria a necessidade de tomar drogas
imunossupressoras pesadas até o fim da vida. Apesar dos avanços
farmacológicos, ninguém sabe exatamente qual é
a extensão dos efeitos colaterais desses remédios.
"Em tese, um transplante facial mais radical pode ser feito no Brasil.
Mas ainda não estou convencido de que é uma vantagem
para o paciente, tanto do ponto de vista estético quanto
psicológico", diz o médico Marcus Castro Ferreira,
chefe da cirurgia plástica do Hospital das Clínicas,
de São Paulo. Independentemente da viabilidade médica
ou do aspecto ético, há ainda outra questão
difícil de responder: quem se disporia a doar a própria
face, depois de morto?
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