Edição 1829 . 19 de novembro de 2003

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Aventura
O gosto pelo risco é o mesmo,
mas o custo é menor

Na oitava viagem à Antártica,
Amyr Klink terá tecnologia de
primeira a preço de ocasião


Chrystiane Silva

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O navegador Amyr Klink começa nesta semana mais uma viagem à Antártica. O roteiro não será novidade para ele, que já foi sete vezes à região, mas desta vez os avanços tecnológicos vão permitir uma viagem mais confortável e econômica. O veleiro Paratii 2 está equipado com três computadores portáteis, internet, telefone e um localizador por satélite, o GPS (sigla em inglês para Global Positioning System). Terá ainda uma geladeira com capacidade para 500 litros e as músicas preferidas de Klink em arquivos digitais. Coisas impensáveis na primeira viagem à Antártica, em 1989, ainda no primeiro barco, o Paratii. Com o avanço da tecnologia, os cinco tripulantes e Klink, que planejam estar em alto-mar já na segunda-feira 17, ganham mais segurança e previsibilidade. "A navegação tornou-se mais estratégica. A gente não evita uma tempestade, mas com a sua previsão e localização minuto a minuto podemos encontrar a melhor solução para atravessá-la", diz o velejador. Durante os sessenta dias que Klink pretende passar na Antártica, ele irá fotografar e documentar a região.

O velejador ficou nacionalmente conhecido quando cruzou o Atlântico Sul em um barco a remo, em 1984. A estréia no continente gelado foi em 1989. Na ocasião, percorreu mais de 27 000 milhas, ficou um ano e um mês na Antártica e passou outros oito meses viajando pelo mundo. Nos últimos oito anos, Klink dedicou seu tempo à construção e ao aperfeiçoamento do Paratii 2, o veleiro de 5 milhões de dólares. Para esta viagem, ganhou com os avanços dos programas de computadores. Para ter acesso a todas as cartas mundiais em 1989, era preciso desembolsar 800.000 reais e arranjar um bom espaço no barco para guardá-las. Hoje, é possível ter as mesmas informações em um computador de mão com o programa Tsunamis NaviGator, por 30 000 reais. No Paratii 2, o velejador terá internet e telefone por satélite. O custo de uma ligação ainda é alto e chega a 8 dólares por minuto. O telefone só será usado em emergência, mas acabará com o isolamento. Desta vez, a troca de e-mail será freqüente com a mulher, Marina, e com as três filhas do casal. Na primeira viagem, a rota de navegação era projetada com complicados cálculos e conceitos de astronomia. Agora, tudo fica em um computador. O localizador por satélite também melhorou. "O primeiro GPS que usei custou mais de 9.000 reais, funcionava poucos minutos por dia e eu o guardava em uma caixa de veludo com medo de quebrar", conta Klink. O sistema atual custou 250 reais e funciona 24 horas.

A redução dos custos entre a primeira e esta viagem de Klink à Antártica é um exemplo do ritmo dos avanços tecnológicos. As novidades aumentam numa velocidade semelhante à da queda dos preços. A capacidade de manter conversas telefônicas simultâneas entre a América do Norte e a Europa era de apenas 89 no fim da década de 50, quando o primeiro cabo telefônico comercial entre os dois continentes foi colocado. Hoje, os cabos têm poder para transmitir mais de 1,3 milhão de chamadas ao mesmo tempo. Nas primeiras ligações entre os Estados Unidos e a Inglaterra, três minutos custavam 250 dólares. Agora, cada minuto entre Nova York e Londres sai por menos de 1 dólar. Com o preço corrigido pela inflação, a primeira lâmpada vendida nos EUA, em 1883, custaria hoje 1.500 dólares. A queda dos preços é resultado de pesquisas e ganhos de produtividade.

As aventuras de Klink estão se estendendo também ao mundo dos negócios. Desde o ano passado, ele fundou com outros dois sócios a empresa Mar Sem Fim, responsável por licenciar a marca que leva seu nome. Já são oitenta itens, que variam de calçados, bermudas, óculos e relógios a cosméticos e cadernos. A proposta é desenvolver produtos específicos para o mercado de aventuras. "A idéia do licenciamento é criar uma fonte permanente para financiar as viagens futuras", diz um dos sócios da empresa, Bernardo Dorf. A expectativa é que a marca Amyr Klink fature 300.000 reais por mês em 2005. Atualmente, todas as atenções de Klink estão voltadas para o Paratii 2. A tímida geladeira com capacidade de 80 litros, que guardava apenas alguns refrigerantes na primeira viagem, cedeu lugar a um equipamento que pode se transformar em freezer. O fogão a gás usado na primeira expedição à Antártica consumiu quatro bujões de gás e deu lugar a um fogão a diesel, mais econômico e seguro, em que é possível fazer até pão. A mudança mais expressiva, segundo Klink, é que ele aprendeu a cozinhar.


Foto Amyr Khan Klink
Klink
Paratii e Paratii 2: exemplos das mudanças tecnológicas dos últimos catorze anos

 



 
 
 
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