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Aventura
O
gosto pelo risco é o mesmo,
mas o custo é menor
Na
oitava viagem à Antártica,
Amyr Klink terá tecnologia de
primeira a preço de ocasião

Chrystiane
Silva
O navegador
Amyr Klink começa nesta semana mais uma viagem à Antártica.
O roteiro não será novidade para ele, que já
foi sete vezes à região, mas desta vez os avanços
tecnológicos vão permitir uma viagem mais confortável
e econômica. O veleiro Paratii 2 está equipado
com três computadores portáteis, internet, telefone
e um localizador por satélite, o GPS (sigla em inglês
para Global Positioning System). Terá ainda uma geladeira
com capacidade para 500 litros e as músicas preferidas de
Klink em arquivos digitais. Coisas impensáveis na primeira
viagem à Antártica, em 1989, ainda no primeiro barco,
o Paratii. Com o avanço da tecnologia, os cinco tripulantes
e Klink, que planejam estar em alto-mar já na segunda-feira
17, ganham mais segurança e previsibilidade. "A navegação
tornou-se mais estratégica. A gente não evita uma
tempestade, mas com a sua previsão e localização
minuto a minuto podemos encontrar a melhor solução
para atravessá-la", diz o velejador. Durante os sessenta
dias que Klink pretende passar na Antártica, ele irá
fotografar e documentar a região.
O
velejador ficou nacionalmente conhecido quando cruzou o Atlântico
Sul em um barco a remo, em 1984. A estréia no continente
gelado foi em 1989. Na ocasião, percorreu mais de 27 000
milhas, ficou um ano e um mês na Antártica e passou
outros oito meses viajando pelo mundo. Nos últimos oito anos,
Klink dedicou seu tempo à construção e ao aperfeiçoamento
do Paratii 2, o veleiro de 5 milhões de dólares.
Para esta viagem, ganhou com os avanços dos programas de
computadores. Para ter acesso a todas as cartas mundiais em 1989,
era preciso desembolsar 800.000 reais
e arranjar um bom espaço no barco para guardá-las.
Hoje, é possível ter as mesmas informações
em um computador de mão com o programa Tsunamis NaviGator,
por 30 000 reais. No Paratii 2, o velejador terá internet
e telefone por satélite. O custo de uma ligação
ainda é alto e chega a 8 dólares por minuto. O telefone
só será usado em emergência, mas acabará
com o isolamento. Desta vez, a troca de e-mail será freqüente
com a mulher, Marina, e com as três filhas do casal. Na primeira
viagem, a rota de navegação era projetada com complicados
cálculos e conceitos de astronomia. Agora, tudo fica em um
computador. O localizador por satélite também melhorou.
"O primeiro GPS que usei custou mais de 9.000
reais, funcionava poucos minutos por dia e eu o guardava em uma
caixa de veludo com medo de quebrar", conta Klink. O sistema atual
custou 250 reais e funciona 24 horas.
A
redução dos custos entre a primeira e esta viagem
de Klink à Antártica é um exemplo do ritmo
dos avanços tecnológicos. As novidades aumentam numa
velocidade semelhante à da queda dos preços. A capacidade
de manter conversas telefônicas simultâneas entre a
América do Norte e a Europa era de apenas 89 no fim da década
de 50, quando o primeiro cabo telefônico comercial entre os
dois continentes foi colocado. Hoje, os cabos têm poder para
transmitir mais de 1,3 milhão de chamadas ao mesmo tempo.
Nas primeiras ligações entre os Estados Unidos e a
Inglaterra, três minutos custavam 250 dólares. Agora,
cada minuto entre Nova York e Londres sai por menos de 1 dólar.
Com o preço corrigido pela inflação, a primeira
lâmpada vendida nos EUA, em 1883, custaria hoje 1.500
dólares. A queda dos preços é resultado de
pesquisas e ganhos de produtividade.
As
aventuras de Klink estão se estendendo também ao mundo
dos negócios. Desde o ano passado, ele fundou com outros
dois sócios a empresa Mar Sem Fim, responsável por
licenciar a marca que leva seu nome. Já são oitenta
itens, que variam de calçados, bermudas, óculos e
relógios a cosméticos e cadernos. A proposta é
desenvolver produtos específicos para o mercado de aventuras.
"A idéia do licenciamento é criar uma fonte permanente
para financiar as viagens futuras", diz um dos sócios da
empresa, Bernardo Dorf. A expectativa é que a marca Amyr
Klink fature 300.000 reais por mês
em 2005. Atualmente, todas as atenções de Klink estão
voltadas para o Paratii 2. A tímida geladeira com
capacidade de 80 litros, que guardava apenas alguns refrigerantes
na primeira viagem, cedeu lugar a um equipamento que pode se transformar
em freezer. O fogão a gás usado na primeira expedição
à Antártica consumiu quatro bujões de gás
e deu lugar a um fogão a diesel, mais econômico e seguro,
em que é possível fazer até pão. A mudança
mais expressiva, segundo Klink, é que ele aprendeu a cozinhar.
Foto Amyr Khan Klink
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Klink
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| Paratii
e Paratii 2: exemplos das mudanças tecnológicas dos últimos
catorze anos |
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