Edição 1829 . 19 de novembro de 2003

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Saúde
Controle mais rígido

A Associação Americana de Diabetes reduz
o limite aceitável de glicose no sangue


Anna Paula Buchalla

VEJA Saúde

A Associação Americana de Diabetes acaba de lançar um documento com diretrizes mais rígidas para o diagnóstico da doença. A partir de agora, para que a taxa de glicose no sangue de um paciente em jejum seja considerada normal, ela tem de ser menor do que 100 miligramas por decilitro de sangue. Antes, valia a resolução de 1997, que considerava normal a dosagem de até 110 miligramas por decilitro de sangue. Com a revisão dos valores, em índices de 100 para cima e até 125 miligramas por decilitro de sangue, o diagnóstico é de pré-diabetes. Esse parâmetro faz com que o número de brasileiros pré-diabéticos passe de 5 milhões para cerca de 6 milhões.

A nova recomendação, publicada na edição de novembro da revista científica Diabetes Care, é uma tentativa de evitar que pessoas com índice glicêmico entre 100 e 110 fiquem sem controle. Os especialistas começaram a notar, durante a prática clínica, que a glicose em 100 já é o suficiente para causar lesão na parede das artérias, o que leva a doenças cardiovasculares. "Além disso, é grande o risco de pessoas nesse grupo desenvolverem as complicações crônicas do diabetes", diz Saulo Cavalcanti da Silva, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes. Entre seus efeitos colaterais mais devastadores estão infarto, derrame, insuficiência renal, cegueira, amputação de pernas ou pés e impotência sexual.

Há duas versões do diabetes. O diabetes tipo 1, embora menos comum, é o mais agressivo – o sistema imunológico destrói as células pancreáticas produtoras de insulina. Mas é o diabetes tipo 2, associado aos maus hábitos da vida moderna, que mais preocupa os médicos. A doença, que se instala no organismo de forma silenciosa, cresce 50% a cada dez anos. No Brasil, calcula-se que haja 10 milhões de diabéticos – 90% são portadores do diabetes tipo 2. Metade não sabe que está doente e, dos que sabem, mais de 20% não buscam tratamento. Com o resultado do exame de glicemia em jejum igual ou maior do que 100, deve-se adotar imediatamente medidas preventivas. Deixar de levar uma vida sedentária, manter uma alimentação saudável e perder peso pode prevenir, em quase 60% dos casos, o aparecimento do diabetes. Se essas medidas não forem suficientes, recomenda-se o uso de medicamentos. Entre os remédios mais eficazes para controlar o diabetes tipo 2, estão a metformina e a rosiglitazona, substâncias que deixam o organismo mais sensível à ação da insulina. A primeira pode evitar em mais de 30% dos casos a manifestação da doença. Com a rosiglitazona, esse índice chega a 55%. Quanto ao diabetes do tipo 1, não há jeito de evitá-lo.

 

O que mudou

Antes, o nível de glicemia era considerado normal se fosse igual ou inferior a 110 miligramas de açúcar por decilitro de sangue. Com a nova determinação, 100 miligramas por decilitro de sangue já é diagnóstico de pré-diabetes

 

Por quê

Os médicos perceberam que pacientes com nível de glicemia entre 100 e 110 miligramas por decilitro de sangue apresentavam um risco grande de avançar para o grupo dos diabéticos

 

Medidas preventivas

Com o resultado igual ou superior a 100 e até 125, o paciente deve adotar imediatamente mudanças alimentares e praticar exercícios físicos. Se essas medidas não forem suficientes para baixar o nível de glicemia, é recomendável o uso de remédios

 
 
 
 
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