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Sociedade
Reforma
na sala
Dúvidas
sobre como agir na academia?
Danuza Leão atualiza seu manual de etiqueta

Marcelo Carneiro
Marco Antonio Rezende
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| Danuza:
boas maneiras, sem afetação |
Em
1992, vivendo uma entressafra profissional, Danuza Leão teve
a idéia de escrever um livro. Poderia ter optado por uma
autobiografia afinal, pouca gente teve a oportunidade de
conversar sobre poesia com o ditador chinês Mao Tsé-tung
ou de ver o ex-presidente Juscelino Kubitschek tirar os sapatos
na sala de seu apartamento. Danuza preferiu estrear na literatura
com um manual de regras de etiqueta, cuja tiragem chegou a 300.000,
estrondoso sucesso editorial para uma autora que, até então,
no seu próprio relato, tinha como máxima experiência
escrever bilhetes para a empregada. A partir daí, Danuza
que já foi modelo, relações-públicas
de boate, dona de butique, jurada de programa de TV e, sempre, símbolo
do estilo chique descontraído tornou-se conhecida
como escritora e colunista social, função que exerceu
de 1993 a 2001, no Jornal do Brasil. Algumas das histórias
que viveu à cata de notícias no mundo dos colunáveis
estão em Na Sala com Danuza.2, uma revisão
atualizada da edição original. O livro segue, basicamente,
o mesmo modelo: uma compilação de dicas de boas maneiras,
sem a afetação dos manuais tradicionais (veja
quadro), permeada de observações inteligentes
e bem-humoradas sobre a vida em geral. Mas cerca de 50% do material
da edição original foi trocado ou atualizado, incluindo,
por exemplo, dicas de como se comportar na academia de ginástica
ou diante de um caso de assédio sexual (com alegria, na ótica
assumidamente provocativa da autora).
A
primeira parte, em que relembra os tempos de colunista, que jura
terem sido difíceis, traz uma análise saborosa sobre
essa peculiar atividade e seus personagens. "Passei quase uma década
trabalhando nos réveillons e ainda acham que essa vida é
uma diversão", diz Danuza, que hoje, afastada, define o colunismo
social como um mundo que gira em torno de gente interessada em fazer
intrigas contra desafetos e plantar notícias favoráveis
sobre si mesma. Essa capixaba, que acaba de ganhar a segunda bisneta,
fez recentemente um piercing no queixo e odeia que lhe perguntem
a idade (não vamos insistir, quem quiser que faça
as contas). Foi tirada da escola aos 12 anos pelo pai, que contratou
para ela e para a irmã, Nara, professores de inglês,
francês, português e matemática. Aos 16, viajou
sozinha para a França; aos 19 era modelo do costureiro Jacques
Fath, um dos grandes nomes da moda no começo dos anos 50.
De volta ao Brasil, casou-se com Samuel Wainer, o então poderoso
dono do jornal Última Hora, e com ele correu o mundo.
Hoje, ganha a vida dando conselhos a quem sonha, um dia, ter uma
vida tão interessante quanto a sua.
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ASSÉDIO
SEXUAL
"Deveria ser tão obrigatório quanto o
serviço militar. E pobre da mulher que nunca
foi assediada sexualmente: ela deve ser a mais infeliz
das criaturas."
EMPREGADOS
"Se a sua babá te convidou para ser madrinha
de casamento, nada de ir simplesinha, com medo de chocar.
Vá superelegante, foi para isso que ela te chamou.
E não se esqueça de mandar de presente
o mais caro dos eletrodomésticos. Foi para isso
também que ela te convidou."
MULHERES
E IDADE
"Perguntar a idade de uma mulher é crime, só
que ainda não previsto no Código Penal.
Ainda."
PALITOS
"Palitar os dentes. Não devia nem falar, mas
vou. Nem pensar, mas nem pensar mesmo. Só escondido,
trancado no banheiro, luz apagada."
VIAGENS
"Viajar com filhos e netos é maravilhoso. Você
vai passando suas experiências, seus conhecimentos,
suas lembranças cheias de emoção.
E eles nem aí, claro."
TOLERÂNCIA
ZERO
"Tenha coragem para passar um rodo na sua vida e tirar
dela, definitivamente:
os politicamente corretos de carteirinha
as que botam camiseta, jeans e sandália
e ficam elegantíssimas, enquanto você gasta
uma grana preta e se acha sempre um lixo."
MATURIDADE
"A maturidade é como o futuro. Não chega
nunca."
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