Edição 1829 . 19 de novembro de 2003

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Sociedade
Reforma na sala

Dúvidas sobre como agir na academia?
Danuza Leão atualiza seu manual de etiqueta


Marcelo Carneiro



Marco Antonio Rezende
Danuza: boas maneiras, sem afetação

Trechos do livro

Em 1992, vivendo uma entressafra profissional, Danuza Leão teve a idéia de escrever um livro. Poderia ter optado por uma autobiografia – afinal, pouca gente teve a oportunidade de conversar sobre poesia com o ditador chinês Mao Tsé-tung ou de ver o ex-presidente Juscelino Kubitschek tirar os sapatos na sala de seu apartamento. Danuza preferiu estrear na literatura com um manual de regras de etiqueta, cuja tiragem chegou a 300.000, estrondoso sucesso editorial para uma autora que, até então, no seu próprio relato, tinha como máxima experiência escrever bilhetes para a empregada. A partir daí, Danuza – que já foi modelo, relações-públicas de boate, dona de butique, jurada de programa de TV e, sempre, símbolo do estilo chique descontraído – tornou-se conhecida como escritora e colunista social, função que exerceu de 1993 a 2001, no Jornal do Brasil. Algumas das histórias que viveu à cata de notícias no mundo dos colunáveis estão em Na Sala com Danuza.2, uma revisão atualizada da edição original. O livro segue, basicamente, o mesmo modelo: uma compilação de dicas de boas maneiras, sem a afetação dos manuais tradicionais (veja quadro), permeada de observações inteligentes e bem-humoradas sobre a vida em geral. Mas cerca de 50% do material da edição original foi trocado ou atualizado, incluindo, por exemplo, dicas de como se comportar na academia de ginástica ou diante de um caso de assédio sexual (com alegria, na ótica assumidamente provocativa da autora).

A primeira parte, em que relembra os tempos de colunista, que jura terem sido difíceis, traz uma análise saborosa sobre essa peculiar atividade e seus personagens. "Passei quase uma década trabalhando nos réveillons e ainda acham que essa vida é uma diversão", diz Danuza, que hoje, afastada, define o colunismo social como um mundo que gira em torno de gente interessada em fazer intrigas contra desafetos e plantar notícias favoráveis sobre si mesma. Essa capixaba, que acaba de ganhar a segunda bisneta, fez recentemente um piercing no queixo e odeia que lhe perguntem a idade (não vamos insistir, quem quiser que faça as contas). Foi tirada da escola aos 12 anos pelo pai, que contratou para ela e para a irmã, Nara, professores de inglês, francês, português e matemática. Aos 16, viajou sozinha para a França; aos 19 era modelo do costureiro Jacques Fath, um dos grandes nomes da moda no começo dos anos 50. De volta ao Brasil, casou-se com Samuel Wainer, o então poderoso dono do jornal Última Hora, e com ele correu o mundo. Hoje, ganha a vida dando conselhos a quem sonha, um dia, ter uma vida tão interessante quanto a sua.

 

ASSÉDIO SEXUAL – "Deveria ser tão obrigatório quanto o serviço militar. E pobre da mulher que nunca foi assediada sexualmente: ela deve ser a mais infeliz das criaturas."

EMPREGADOS – "Se a sua babá te convidou para ser madrinha de casamento, nada de ir simplesinha, com medo de chocar. Vá superelegante, foi para isso que ela te chamou. E não se esqueça de mandar de presente o mais caro dos eletrodomésticos. Foi para isso também que ela te convidou."

MULHERES E IDADE – "Perguntar a idade de uma mulher é crime, só que ainda não previsto no Código Penal. Ainda."

PALITOS – "Palitar os dentes. Não devia nem falar, mas vou. Nem pensar, mas nem pensar mesmo. Só escondido, trancado no banheiro, luz apagada."

VIAGENS – "Viajar com filhos e netos é maravilhoso. Você vai passando suas experiências, seus conhecimentos, suas lembranças cheias de emoção. E eles nem aí, claro."

TOLERÂNCIA ZERO – "Tenha coragem para passar um rodo na sua vida e tirar dela, definitivamente:
• os politicamente corretos de carteirinha
• as que botam camiseta, jeans e sandália e ficam elegantíssimas, enquanto você gasta uma grana preta e se acha sempre um lixo."

MATURIDADE – "A maturidade é como o futuro. Não chega nunca."

 
 
 
 
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