Edição 1829 . 19 de novembro de 2003

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Educação
A escola dentro de casa

Famílias americanas optam cada
vez mais pelo ensino doméstico,
feito pelos pais

Site VEJA Educação
DOS ARQUIVOS DE VEJA
Aula em casa, com os pais (25/4/2001)

Nos Estados Unidos, mais de 850.000 crianças e adolescentes recebem aulas em casa, tendo como professores os próprios pais. Isso representa 1,7% do total de alunos. No fim dos anos 80, esse número era de apenas 360.000 crianças. São estudantes que não vão à escola ou, se vão, participam de algumas poucas atividades curriculares, como educação física. O homeschooling, como é chamada a prática nos EUA, cresce a uma taxa de 11% ao ano. A tendência também se espalhou pela Inglaterra, onde 1% das crianças em idade escolar estudam em casa. Segundo pesquisa feita pelo departamento de educação americano, o principal motivo para os pais optarem pela educação em casa é a insatisfação com a qualidade do ensino tradicional. "Existe no país uma tendência crescente de usar testes padronizados para avaliar o desempenho escolar, e, por isso, muitos pais temem que as necessidades individuais dos filhos não sejam contempladas adequadamente na escola", disse a VEJA Mitchell Stevens, sociólogo da Universidade de Nova York e autor de um livro sobre o fenômeno.


Em casa, pais e filhos escolhem o que é mais importante estudar. Material didático para isso é o que não falta. O homeschooling movimenta um mercado de 700 milhões de dólares, com revistas, livros e palestras especializados, só nos Estados Unidos. A internet também é um recurso didático praticamente ilimitado. Pais e filhos tiram as dúvidas juntos nos sites eletrônicos, além de poder encomendar livros, vídeos e mapas on-line. O aprendizado é, de modo geral, de boa qualidade. Em 2000, os alunos que tiveram aula em casa conseguiram pontuação 10% mais alta que a média obtida pelos candidatos às universidades americanas. Isso acontece porque, em casa, a criança pode receber mais atenção do que em uma sala com trinta alunos. Se o filho tem dificuldade com álgebra, por exemplo, os pais-professores podem dar ênfase a essa matéria.

A educação em casa é uma escolha difícil para as famílias em que pai e mãe trabalham fora. Para virar o professor dos filhos, um dos dois tem de desistir da carreira. A maior crítica que se faz é que o ensino doméstico reduz a quantidade de contato social das crianças. Os psicólogos defendem que elas precisam aprender a lidar com os conflitos comuns nas salas de aula. A freqüência à escola pode servir também para que as autoridades fiquem sabendo se as crianças estão sendo tratadas adequadamente em casa. No mês passado, a polícia americana descobriu que os seis filhos adotivos de um casal de Nova Jersey estavam doentes e subnutridos, por negligência dos pais. As crianças tinham sido tiradas da escola em 1995 e, oficialmente, recebiam educação em casa. Se estivessem na escola, os maus-tratos provavelmente teriam sido descobertos mais cedo.

O movimento da educação doméstica foi iniciado na década de 60 por hippies que defendiam um ensino livre do "sistema educacional conformista". Há duas décadas foi adotado em massa por cristãos fundamentalistas, que não queriam influência externa nos valores morais e religiosos que passavam aos filhos. Hoje, o homeschooling é aceito por 75% das universidades e por todos os governos estaduais americanos. Na Inglaterra, existe uma lei desde 1996 que permite essa forma de ensino.

 
 
 
 
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