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Educação
A
escola dentro de casa
Famílias
americanas optam cada
vez mais pelo ensino doméstico,
feito pelos pais
Nos
Estados Unidos, mais de 850.000 crianças
e adolescentes recebem aulas em casa, tendo como professores os
próprios pais. Isso representa 1,7% do total de alunos. No
fim dos anos 80, esse número era de apenas 360.000
crianças. São estudantes que não vão
à escola ou, se vão, participam de algumas poucas
atividades curriculares, como educação física.
O homeschooling, como é chamada a prática nos
EUA, cresce a uma taxa de 11% ao ano. A tendência também
se espalhou pela Inglaterra, onde 1% das crianças em idade
escolar estudam em casa. Segundo pesquisa feita pelo departamento
de educação americano, o principal motivo para os
pais optarem pela educação em casa é a insatisfação
com a qualidade do ensino tradicional. "Existe no país uma
tendência crescente de usar testes padronizados para avaliar
o desempenho escolar, e, por isso, muitos pais temem que as necessidades
individuais dos filhos não sejam contempladas adequadamente
na escola", disse a VEJA Mitchell Stevens, sociólogo da Universidade
de Nova York e autor de um livro sobre o fenômeno.
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Em
casa, pais e filhos escolhem o que é mais importante estudar.
Material didático para isso é o que não falta.
O homeschooling movimenta um mercado de 700 milhões
de dólares, com revistas, livros e palestras especializados,
só nos Estados Unidos. A internet também é
um recurso didático praticamente ilimitado. Pais e filhos
tiram as dúvidas juntos nos sites eletrônicos, além
de poder encomendar livros, vídeos e mapas on-line. O aprendizado
é, de modo geral, de boa qualidade. Em 2000, os alunos que
tiveram aula em casa conseguiram pontuação 10% mais
alta que a média obtida pelos candidatos às universidades
americanas. Isso acontece porque, em casa, a criança pode
receber mais atenção do que em uma sala com trinta
alunos. Se o filho tem dificuldade com álgebra, por exemplo,
os pais-professores podem dar ênfase a essa matéria.
A
educação em casa é uma escolha difícil
para as famílias em que pai e mãe trabalham fora.
Para virar o professor dos filhos, um dos dois tem de desistir da
carreira. A maior crítica que se faz é que o ensino
doméstico reduz a quantidade de contato social das crianças.
Os psicólogos defendem que elas precisam aprender a lidar
com os conflitos comuns nas salas de aula. A freqüência
à escola pode servir também para que as autoridades
fiquem sabendo se as crianças estão sendo tratadas
adequadamente em casa. No mês passado, a polícia americana
descobriu que os seis filhos adotivos de um casal de Nova Jersey
estavam doentes e subnutridos, por negligência dos pais. As
crianças tinham sido tiradas da escola em 1995 e, oficialmente,
recebiam educação em casa. Se estivessem na escola,
os maus-tratos provavelmente teriam sido descobertos mais cedo.
O
movimento da educação doméstica foi iniciado
na década de 60 por hippies que defendiam um ensino livre
do "sistema educacional conformista". Há duas décadas
foi adotado em massa por cristãos fundamentalistas, que não
queriam influência externa nos valores morais e religiosos
que passavam aos filhos. Hoje, o homeschooling é aceito
por 75% das universidades e por todos os governos estaduais americanos.
Na Inglaterra, existe uma lei desde 1996 que permite essa forma
de ensino.
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