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Oriente
Médio
A cunhada do terrorista
Ex-mulher de um dos irmãos
de Bin Laden revela o pesadelo
vivido na Arábia Saudita com
o fanatismo do clã
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| Carmen
bin Laden em um lago suíço: de volta à
vida sem véu depois de onze anos sob os rigores do Islã
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O
saudita Osama bin Laden já teve sua vida vasculhada desde
que emergiu como o grande mentor dos atentados terroristas de 11
de setembro de 2001. Sabe-se bastante da militância política
e do fanatismo religioso do chefão da Al Qaeda mas
faltava conhecer um pouco mais da intimidade que envolve sua numerosa
família, uma das mais ricas e influentes da Arábia
Saudita. Seu pai, Mohamed, teve 54 filhos com 22 esposas. Empreiteiro,
ele ergueu um império econômico hoje avaliado em 5
bilhões de dólares. Coube a uma "infiel" mulher
e ocidental revelar detalhes até agora desconhecidos
do clã Laden no livro Por Dentro do Reino Opaco, que
está sendo lançado na Europa. Sua autora é
a suíça Carmen bin Laden, uma morena bonita de olhos
verdes e idade não revelada que foi casada
com Yeslam, irmão por parte de pai do terrorista. No livro,
Carmen conta sua experiência saudita de onze anos com os Bin
Laden, nas décadas de 70 e 80, na cidade de Jidá.
E mostra como os rigores da seita wahabita, interpretação
purista do Islã seguida entre os sauditas, forneceram o caldo
de cultura para o nascimento do tenebroso Osama e de sua Al Qaeda.
É bom lembrar que quinze dos dezenove terroristas dos atentados
de 11 de setembro eram sauditas.
AFP
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| Yeslam,
o irmão do terrorista: laços de sangue |
O primeiro encontro com o cunhado Osama, no fim dos anos 70, foi
memorável. Ele apareceu para visitar o irmão. Carmen
abriu a porta e o convidou para entrar. Ainda não era terrorista,
mas já tinha o comportamento fanático. "Ele ficou
pálido, balbuciou algumas palavras em árabe e virou
a cara", escreveu. O motivo: a cunhada estava sem o véu,
e a visão de um rosto feminino era ultrajante para Osama.
"Ele nunca mais dirigiu a palavra a mim." Filha de um empresário
suíço com uma iraniana abastada, Carmen nasceu e foi
criada em Genebra. Conheceu Yeslam quando ele passava férias
na cidade, em 1973. Então com 23 anos, o milionário
saudita a impressionou pelo estilo refinado e moderno apreciava
música clássica e tinha paixão por carros esportivos.
O romance engatou de vez quando os dois decidiram estudar numa universidade
da Califórnia, nos Estados Unidos. Com menos de um ano de
namoro, o casal desembarcou em Jidá para o casamento. Como
voltaram para os Estados Unidos em seguida, Carmen encarou a breve
estada saudita como uma experiência exótica.
O pesadelo para ela começou quando, por causa dos negócios
de família, Yeslam teve de fixar residência em Jidá,
em 1976. O casal instalou-se numa casa de propriedade do clã,
dentro de uma vila cercada de muros altos, sendo que os vizinhos
eram todos parentes. Ela engravidou pouco depois de Waffa, a primeira
das três filhas que teve com Yeslam. "Nunca podia sair sozinha,
e até para ir ao jardim era preciso usar o véu", conta
Carmen. "Passava o dia ao lado de mulheres que nunca tinham lido
um livro na vida e que só falavam de parentes e do Corão."
Sua desventura em Jidá terminou em 1987, quando a família
se mudou para Genebra. O casal separou-se há mais de dez
anos, mas só agora o divórcio está sendo acertado.
Yeslam continua morando na Suíça, onde é dono
de um banco.
Rahimullah Yousafzai/AP
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| Bin
Laden: segundo a cunhada, ficou pálido e virou o rosto ao vê-la
sem véu |
Como
vários dos integrantes do clã Laden, Yeslam condenou
publicamente Osama após os atentados de 2001 da mesma
forma que outro irmão por parte de pai do terrorista, Khalil
Mohamed bin Laden, casado com a brasileira Isabel Cristina Bayma
e radicado em Jidá. Para Carmen, porém, o rompimento
é apenas um jogo de cena. "Na cultura dos sauditas, os laços
do clã são sagrados", assegura. Ela diz que Osama
sempre foi reverenciado pela família por causa de seu fervor
religioso. O prestígio do cunhado aumentou ainda mais quando
ele decidiu lutar contra os soviéticos no Afeganistão,
nos anos 80. Carmen escreveu que, naquela época, Osama era
paparicado até pelo rei Fahd. Seu rompimento com a família
real saudita se deu após a Guerra do Golfo, em 1991
ele não aceitou a presença de tropas americanas no
país, que abriga as cidades santas de Meca e Medina. Laden
deu início a sua carreira de terrorista e nunca escondeu
sua intenção de derrubar a monarquia saudita. A Al
Qaeda é a principal suspeita no atentado suicida, no domingo
9, a um condomínio na capital saudita, Riad, onde só
viviam árabes e muçulmanos. O ataque deixou dezessete
mortos e mais de 120 feridos e colocou a família real em
situação difícil. Ela já vinha sendo
pressionada pelo governo americano para suspender a promoção
do fundamentalismo islâmico e o envio de dinheiro a movimentos
terroristas, como o Hamas, na Palestina. O ataque de domingo mostrou
que a monarquia saudita está agora experimentando do próprio
veneno.
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