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Eleições
Dúvida
jurídica
Com
a eventual cassação de Roriz,
ninguém sabe quem seria o novo
governador do DF
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Dida Sampaio/AE

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| O
governador Roriz: sob ameaça de cassação |
Nesta
quinta-feira, salvo imprevisto de última hora, o Tribunal
Superior Eleitoral se reúne para julgar um caso que se arrasta
desde a eleição passada a denúncia de
que o governador Joaquim Roriz, do Distrito Federal, desviou 6 milhões
de reais dos cofres públicos para sua campanha reeleitoral.
Na contabilidade oficial, seu gasto eleitoral chegou a 6 milhões
de reais, mas as investigações policiais encontraram
o uso de outros 6 milhões, saídos do Erário.
Na denúncia apresentada pelo Ministério Público,
há casos documentados de desvio de verba pública.
Às vésperas do pleito, de acordo com notas fiscais
anexadas ao processo, um órgão do governo liberou
20 milhões de reais para duas empresas que prestavam serviços
ao governo do Distrito Federal. Oficialmente, os 20 milhões
seriam usados para informatizar algumas repartições
públicas. A polícia, ao rastrear essa quantia, descobriu
que parte da verba fora aplicada nas despesas de campanha do governador
na montagem de comitês eleitorais, no pagamento de
gasolina e na remuneração de cabos eleitorais. A acusação,
descrita na denúncia do Ministério Público,
traz datas, valores e cópia dos documentos.
Se
for condenado, Joaquim Roriz terá seu diploma de governador
cassado, o que significa que perderá o mandato assim que
a sentença for prolatada. Há, no entanto, uma polêmica
jurídica em torno de quem seria, nesse caso, o novo governador.
Há dois anos, o TSE cassou o mandato do governador Francisco
de Assis de Moraes Souza, o "Mão Santa", do Piauí,
sob a mesma acusação que agora pesa contra Roriz,
por uso de dinheiro público na campanha. No caso de Mão
Santa, o novo governador, por decisão do TSE, foi o candidato
que ficara em segundo lugar na disputa eleitoral o então
senador Hugo Napoleão. Dessa vez, porém, há
divergências entre os juízes do Tribunal. Joaquim Roriz
se elegeu, por uma estreita vantagem de 15.000
votos, no segundo turno. Portanto, se os votos que recebeu forem
anulados, em razão do abuso de poder econômico, o TSE
estará, na prática, invalidando mais da metade dos
votos dos eleitores do Distrito Federal. Nesse caso, alguns juristas
interpretam que seria preciso convocar nova eleição.
A
discussão em torno da sucessão no governo de Brasília
é pertinente porque a possibilidade de cassação
do mandato de Joaquim Roriz não é uma hipótese
apenas teórica. Entre as provas apresentadas pela acusação,
na denúncia do Ministério Público, inclui-se
até uma foto produzida por um pardal, o radar de trânsito
que multa e fotografa a placa de automóveis em excesso de
velocidade. A polícia descobriu que o veículo flagrado
pelo pardal, decorado com adesivos de Roriz, era alugado por uma
empresa que prestava serviços ao governo do DF, mas o pagamento
do aluguel e mesmo da multa de trânsito fora
feito com dinheiro público. É uma prova prosaica,
quase infantil, mas com força jurídica para virar
o vento contra o réu. Se for absolvido, nem assim Roriz deixará
de ter dor de cabeça. Há novas investigações
de desvio de dinheiro público em curso, que já encontraram
indícios de que outros 24 milhões de reais foram desviados
para a campanha.
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