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Política
Aos
poucos, a
oposição sai da toca
Com
inexperiência e timidez, neo-oposicionistas
usam frases de efeito, organizam protestos e
até cantam o Hino Nacional

Malu
Gaspar
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Roberto Castro/AE

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"Berzoini
é o ministro Doris, a moça má da
novela Mulheres Apaixonadas."
"O
governo está criando o xaxado cívico:
um passo para a frente e dois para trás."
Arthur Virgílio,
senador
do PSDB do Amazonas
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Há
poucos dias, o senador José Agripino (PFL-RN) subia a arquibancada
num estádio de futebol no interior de seu Estado e levou
um susto quando a torcida começou a saudá-lo. "Faziam
olas", relata, com orgulho. Seu colega Arthur Virgílio (PSDB-AM)
conta que vive sendo convidado a posar para fotos com populares.
"No Congresso ou nas ruas das cidades que visito", especifica, com
uma ponta de satisfação. O deputado José Carlos
Aleluia (PFL-BA) perdeu o receio de participar de debates com universitários.
"Ninguém vaia", regozija-se. Os dois senadores e o deputado
sofrem as agruras de não pertencer mais à base de
apoio do Palácio do Planalto, depois de oito anos de governo
tucano mas, como se vê, estão descobrindo as
delícias de ser oposição. Nas últimas
semanas, graças a alguns erros e gafes cometidos pelo governo,
como a desengonçada exigência de que os velhinhos aposentados
com mais de 90 anos fossem às filas do INSS para pedir um
recadastramento, a oposição fez uma festa e,
pela primeira vez, mostrou que já tem alguma estrutura e
articulação. Mas isso dá um trabalho...
Agora,
ex-governistas dão expediente em Brasília na semana
inteira. Desembarcam na segunda-feira, para bolar os ataques ao
governo, e com freqüência ficam até sexta, para
aproveitar deslizes de última hora. Na sexta, 7, por exemplo,
amplificaram ao máximo a idéia do ministro Ricardo
Berzoini de recadastrar os velhinhos acima de 90 anos e ganharam
generosos espaços nos jornais. Arthur Virgílio, esmerado
em frases de efeito, chamou Berzoini de "ministro Doris", referindo-se
à personagem da novela Mulheres Apaixonadas que vivia
torturando os avós. Além de frases de efeito, Arthur
Virgílio já é recordista em pedir CPI, requerer
informações ao governo ou exigir a convocação
de ministros ao Congresso Nacional. Já fez 140 pedidos de
informação e pediu a instalação de cinco
CPIs. Nenhuma saiu do papel, mas isso não vem ao caso. O
que importa, como ensinou o PT quando militava na oposição,
é fazer barulho. "A oposição passada dizia
'Fora FHC'. Nós queremos que Lula fique, nem que seja como
castigo", diz ele.
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Dida Sampaio/AE

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"O
governo se apaixonou
pela mulher errada."
(falando do FMI)
"Este
é um governo de faz-de-conta."
(sobre o
trabalho
de Duda Mendonça)
José
Agripino, senador
do PFL do Rio Grande do
Norte
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A nova
oposição, sem nenhum pudor, tem percorrido os caminhos
que os petistas desbravaram. O PFL, que nunca propusera uma ação
de inconstitucionalidade contra uma medida governamental, especializou-se
no tema. Neste ano, já propôs três. Uma foi indeferida
e as outras duas ainda não foram julgadas. Os parlamentares
aprenderam a obstruir votações. Na semana passada,
impediram a realização de uma sessão que votaria
a liberação de créditos suplementares ao governo.
Em outra ocasião, retardaram uma votação por
dezoito horas consecutivas. Cerca de um mês atrás,
o PFL formou uma equipe que esquadrinha o Siafi, sistema que exibe
os gastos do governo, para colher pequenos ou grandes desvios
e municiar a imprensa. Os pefelistas estão até criando
o Instituto Laborare, uma versão liberal do Instituto Cidadania
petista, cujo objetivo é discutir alternativas para a geração
de empregos.
Uma
das regras de ouro dos neo-oposicionistas é criar fatos e
aparecer na mídia. Nesse campo, estão claudicando
ainda, seja por inexperiência, seja por timidez. Há
poucos dias, num flagrante de inexperiência, encenaram uma
"sessão de enforcamento" dos brasileiros, em frente ao Congresso
Nacional. Era para denunciar o aumento de uma contribuição
tributária, cujo nome ninguém sabe direito. Naturalmente,
a platéia era um deserto desolador. Paciência. Dissabores
de oposição. Na madrugada em que se votou a reforma
tributária na Câmara, os deputados do PFL, contrários
ao texto, retiraram-se do plenário. Alguém teve a
idéia de que todos cantassem o Hino Nacional, para
ressaltar o caráter patriótico do protesto. Perfilados,
entoando o hino, alguns parlamentares não escondiam a timidez.
O deputado Luiz Carlos Santos (PFL-SP), encabulado, cochichava para
o colega ao lado: "Só canto porque é de madrugada".
Mas que cantou, cantou.
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