Edição 1829 . 19 de novembro de 2003

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Cartas

 

"No cotidiano atroz e co"Sentimo-nos aliviados quando a soberana mão do Estado age em favor da nação, trazendo justiça independentemente de quem sejam os suspeitos."
Sidnei Alberto Baquette
Curitiba, PR

Justiça

Parabenizo a redação de VEJA pela reportagem "O bote da sucuri" (12 de novembro). No entanto, é lamentável que, ao passar alguns anos fora do Brasil, eu tenha de ser lembrado constantemente da realidade dura, mesquinha e imoral de nosso país. Aqueles que conhecem e trabalham com a lei distorcem a mesma para benefício próprio, usufruindo o dinheiro do contribuinte. Por isso, sou a favor da retirada da privacidade de tais pessoas públicas, monitorando-as continuamente, sendo isso o preço a pagar pelo poder. Não que a integridade dos indivíduos estivesse sendo questionada, mesmo porque quem é inocente não tem nada a esconder.
Leonardo Honfi Camilo
Haia, Holanda

Já passou o momento de uma revisão total no Judiciário. Da forma como o mesmo vem atuando, seus membros que têm postura adequada acabam sendo enquadrados na generalização de que todo o sistema é ineficiente. Certamente nossos representantes no poder ficarão, agora, mais sensibilizados para a necessidade urgente de dar andamento à reforma do Judiciário, pois, se muitos dos seus conceitos e procedimentos não forem revistos, mais uma vez quem vai sair perdendo é a sociedade. Parabéns, VEJA!
Carlos Alberto R. de Lima
Feira de Santana, BA

Não estranhem se as palavras do juiz Rocha Mattos se confirmarem: "Só daqui a dez anos, que é o tempo que a Justiça leva para julgar um caso como esse, é que as pessoas saberão da minha inocência". O motivo de tal descalabro é simples: a grande quantidade de chicanas, a certeza da impunidade e a falta de controle externo do Judiciário.
Alvino José Júnior
Laguna, SC

 

David McGrath

Surpreendente a falta de conhecimento técnico sobre ecologia e biologia da conservação demonstrada pelo geógrafo David McGrath em sua recente entrevista à revista VEJA (Amarelas, 12 de novembro). Até o momento, todos os estudos científicos bem-feitos demonstram que o estabelecimento de unidades de conservação e terras indígenas é o instrumento público mais efetivo para garantir a conservação da diversidade socioambiental e conter as ondas de desmatamento ilegal que atingem a Amazônia brasileira. O desenvolvimento da Amazônia passa pela conservação e pelo uso sustentável das extensas áreas de florestas e campos naturais, e também pelo uso intensivo e eficiente das áreas já alteradas, que hoje equivalem à extensão da França, e só pode ser garantido por políticas públicas responsáveis que visem valorizar as comunidades genuinamente amazônicas.
José Maria Cardoso da Silva
Vice-presidente da Conservation International do Brasil
Belém, PA

Discordamos da opinião do especialista que concedeu a entrevista a VEJA. 1) O crescente processo de conscientização ambiental vem impedindo ações degradadoras que outrora eram vistas como necessárias, basta ver as inúmeras mobilizações da sociedade e as ações civis por este país. 2) O desenvolvimento não induz à degradação, pois há atualmente formas de conciliá-lo com a preservação do meio ambiente, como o ecoturismo.
Antonio Silveira R. dos Santos
Programa Ambiental A Última Arca de Noé
www.aultimaarcadenoe.com

Ao deparar com a entrevista do professor David Gibbs McGrath, fiquei extasiada. Há muito tempo que tenho pensamento semelhante. A preservação precisa ser feita, mas de forma racional para que ande junto do progresso.
Deise Mineiro
Campo Grande, MS

Concordo plenamente com David McGrath. Quando fui morar em Porto Velho, Rondônia, tínhamos florestas e rios de águas limpas próximos às cidades. Hoje o que se vê é a transformação da floresta em grandes áreas de pastos para criação de gado. Como as grandes fazendas pertencem na sua maioria a políticos influentes na região, fica difícil pensar em preservação.
Luiz Carlos B. dos Santos
Tibau do Sul, RN

Parabenizo a revista VEJA por abrir espaço para as opiniões sensatas do pesquisador David McGrath, a respeito de um tema fundamental como o desenvolvimento e o futuro da Amazônia. Costumo dizer que, em se tratando de debater ecologia e meio ambiente, podemos deparar com "ecoloucos" radicais e pouco contributivos, com "ecólogos" que por fazer pesquisa pura acabam se distanciando da realidade, e raramente deparamos com "ecológicos", como é o caso do doutor David McGrath, que com visão ajustada podem contribuir de fato para a garantia de um futuro promissor, em que progresso, produção, meio ambiente e o ser humano estejam contemplados e priorizados de maneira sustentável.
Alexander Estermann
Rondonópolis, MT

A tese do geógrafo David Gibbs McGrath sobre a Amazônia foi a mais inteligente que li até hoje. Um país não pode crescer dentro da mata.
José Joaquim de Souza
Bom Jardim, RJ

 

Antônio Ermírio de Moraes

VEJA presta mais um relevante serviço ao país ao publicar providencial entrevista com o empresário Antônio Ermírio de Moraes (Amarelas, 5 de novembro). Ancorado em mais de meio século de bem-sucedida experiência empresarial, o grande empreendedor do grupo Votorantim faz uma análise brilhante e serena do panorama nacional e aponta inteligentes soluções para a superação de graves problemas brasileiros, como o desemprego.
Antonio Carlos dos Reis (Salim)
Presidente da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT)
São Paulo, SP

 

Claudio de Moura Castro

Entre envergonhado e surpreso, li o texto "Funilândia existe?" (Ponto de vista, 12 de novembro), do excelente Claudio de Moura Castro, discorrendo sobre a escola existente no município de Funilândia, aqui nas nossas Minas Gerais. Surpreso, porque não podia imaginar que numa cidade tão pequena como Funilândia pudesse estar sendo empregado, no ensino, um método tão moderno. Envergonhado, porque Funilândia fica a menos de 30 quilômetros da minha cidade (Sete Lagoas), portanto no meu nariz, e foi preciso que a excelente VEJA, por intermédio de seu articulista e educador notável, viesse abrir meus olhos e mostrar-me uma idéia tão simples e tão brilhante. Agradecimentos a VEJA e ao sempre brilhante Cláudio de Moura Castro, com votos de que outros educandários sigam o exemplo magnífico!
José Augusto Faria de Sousa
Sete Lagoas, MG

Fico feliz ao ver o reconhecimento público por um trabalho. Vale lembrar, porém, que não é um esforço solitário. Para atingirmos o desempenho atual, a colaboração foi coletiva: prefeitura, Secretaria Municipal de Educação, direção e supervisão da Escola Municipal Sagrado Coração de Jesus, professores, auxiliares, alunos e pais, a quem humildemente agradeço.
Deniz Alves da Silva
Secretária municipal de Educação
Funilândia, MG

Gostei do artigo sobre Funilândia. Penso que deva ser exemplo não só para as escolas de 1º e 2º grau, mas também para as universidades. Se todos fizessem isso, analisando e avaliando as metas que o país, as empresas, os professores e alunos estabelecessem para a formação educacional e profissional, acredito que não precisaríamos nem de Provão nem de MEC. O exemplo de Funilândia deve ser copiado. Serve para todo mundo.
Professor Gabriel Mário Rodrigues
Reitor da Universidade Anhembi Morumbi
Presidente do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp)
São Paulo, SP

O artigo de Cláudio de Moura Castro focando os aspectos administrativos na educação merece reflexão. A febre da administração por resultados que vem assolando o mercado, travestida de diferentes denominações, como qualidade total, reengenharia, foco no cliente, gestão da qualidade, gestão do conhecimento etc. etc., está portando agora na área da educação. E, como era de esperar, pessoas que nunca tiveram a mínima vivência acadêmica passam a despejar normas, procedimentos e regras que acabam afetando e, na maioria das vezes, arruinando a área pedagógica. Nada contra a boa gestão e o planejamento, muito pelo contrário. Eles são extremamente importantes e necessários. Mas há que se ter o cuidado para não transformar o processo educativo com todas as suas nuances e características próprias, que privilegia o inter-relacionamento entre educando e educador, em um processo típico de uma fábrica de parafusos ou de empresas de serviços de rotina. É preciso não confundir a gestão administrativa com a acadêmica.
Professor Doutor Oscar Hipólito
Pró-reitor Acadêmico da Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban)
São Paulo, SP

 

Gustavo Franco

O sistema precisaria caminhar para uma simplificação, também, no encerramento das pequenas e microempresas junto ao Fisco. Existem cadastrados no CNPJ cerca de 5 milhões de firmas inativas e sem débitos com a Receita Federal. A delegacia poderia facilitar o cancelamento dessas empresas, aceitando um simples requerimento, via internet, com a devolução posterior do encerramento. Vamos evitar o famoso "arrumar dificuldades para vender facilidades" ("Precariedade tributária", Em foco, 12 de novembro).
Manuel da Lupa
São Paulo, SP

 

África

Acredito ser louvável a iniciativa de Lula de transformar o Brasil em líder do Terceiro Mundo. No entanto, sinto que o Brasil está sentindo falta do presidente aqui no país. Lula tem se envolvido em viagens internacionais sucessivas que parecem já superar as do antecessor. Isso acaba frustrando seus eleitores, que, como eu, assistem indignados às trapalhadas de seus ministros, como a recente fila dos idosos no INSS. Um bom presidente não é aquele que faz discursos contundentes, mas que toma atitudes e dá exemplos. É só se mirar nos estadistas mundiais. ("Lula viu a África", 12 de novembro).
Vera Lucia S. Rodriguez
São Paulo, SP

 

Religião

Muito positivo o resultado do rompimento da Igreja Anglicana com o Vaticano nos idos do século XVI ("Gay vira bispo anglicano", 12 de novembro). Essa atitude fez com que a referida Igreja seguisse a evolução da sociedade, ao contrário do que vem ocorrendo com a Igreja Católica Apostólica Romana, que se mantém ortodoxa e, aos poucos, vê minguar o número de seus fiéis. Essa postura evolutiva, não-preconceituosa e nada hipócrita, consolida-se ainda mais com a consagração do bispo Gene Robinson, assumidamente homossexual e com companheiro fixo há catorze anos.
Edson F. Nascimento
Ribeirão Preto, SP

 

Órgãos artificiais

Em relação à reportagem "Tudo é verdade" (12 de novembro), não posso deixar de acrescentar alguns dos mais impressionantes avanços conquistados na área da oftalmologia. Os implantes de cristalino artificial, sob a forma de modernas lentes intra-oculares bifocais ou acomodativas, muito em breve poderão tornar os óculos definitivamente obsoletos para os pacientes operados de catarata. Novos chips implantados em camadas profundas da retina de portadores de degeneração macular, retinose pigmentar e outras doenças oculares possibilitarão que esses pacientes voltem a enxergar. E, em fase bastante avançada de avaliação clínica na Austrália, um novo tecido artificial à base de polimetilmetacrilato vai nos permitir fazer transplantes de córnea dispensando o uso de tecidos de doadores humanos. Um sonho? Como oftalmologista, tendo participado ativamente de tantas conquistas nestas últimas três décadas, estou plenamente convencido de que chegará o dia, talvez mais breve do que possamos imaginar, em que a bioengenharia terá condições para criar um olho totalmente artificial.
Doutor Miguel Ângelo Padilha
Diretor Científico da Sociedade Brasileira de Catarata e Implantes Intra-oculares
Rio de Janeiro, RJ

 

Ernesto Geisel

A reportagem sobre o livro de Elio Gaspari ("'Esse negócio de matar é uma barbaridade, mas acho que tem que ser'", 12 de novembro) traz algumas informações incorretas quando trata da política econômica do governo Geisel. É um direito concordar ou discordar dela, mas é preciso ser correto na informação e, ao publicar opiniões, procurar ouvir os dois lados. Simonsen pediu demissão no governo Figueiredo, após seis meses no cargo, que aliás só aceitara por pedido de Geisel, de quem continuou amigo e admirador até o fim da vida, devido a pressões dos ministros de Figueiredo por mais verbas. Existem, nos livros de economia, opiniões bem diversas das que foram publicadas.
Marcelo Chaves Barreto
São Paulo, SP

A Revolução de 64, para os que viveram aqueles tempos, tinha grandes e nobres objetivos: derrubar o presidente da República, exterminar o comunismo e democratizar nosso país. O primeiro objetivo foi cumprido sem que um único tiro fosse disparado. O segundo foi muito mais difícil. Para o Movimento Comunista Internacional (MCI), a implantação do comunismo aqui tinha alta prioridade, já que, uma vez comunizado nosso país, os nossos vizinhos teriam o mesmo destino, a Guerra Fria se desequilibraria pró-URSS e, possivelmente, o Muro de Berlim estaria em pé até os dias de hoje. Por isso, com orientação e apoio externos, o Brasil enfrentou ações de guerra revolucionária: três focos de guerrilha rural e ações de guerrilha urbana.
Pedro Cândido Ferreira Filho
Belo Horizonte, MG

É constrangedor para nós, moradores da região de Campinas, Paulínia, Cosmópolis e Arthur Nogueira, sermos ligados pela rodovia de nome General Milton Tavares, cujo passado obscuro não era de nosso conhecimento. Troquem o nome da rodovia para o de outro personagem histórico que tenha sido mais benéfico para o Brasil e para os brasileiros.
Leonardo Taborda Sandor
Campinas, SP

 
Rachel de Queiroz em VEJA


Muitos leitores escreveram para lamentar que VEJA tenha noticiado o falecimento da escritora cearense Rachel de Queiroz somente na seção Datas. "Encontrei apenas uma mínima referência. Os trabalhos e a biografia da escritora foram devidamente lembrados; entretanto, faltaram palavras. A escritora foi a mais importante mulher das letras brasileiras do século XX", escreveu Oscar L. de Alencar Neto, de Fortaleza, Ceará. Regina Imaculada Resende, de Belo Horizonte, Minas Gerais, esperava "ver, estampada na capa, Rachel de Queiroz". "Mas, não! Dei de cara com o juiz Rocha Mattos – aquele que coleciona dossiês. A imortal Rachel de Queiroz? Localizei, finalmente, uma nota na parte destinada às mortes. Esperava mais...", lamentou Regina. A escritora Rachel de Queiroz apareceu em diversas ocasiões com destaque nas páginas de VEJA. A chegada dela à Academia Brasileira de Letras foi noticiada por VEJA na reportagem "Enfim, a mulher imortal" (10 de agosto de 1977). Ela reapareceria em "A grande dama do sertão" (15 de junho de 1994), em que VEJA traçou seu perfil. Na edição de 2 de outubro de 1996, a escritora foi a entrevistada de Páginas Amarelas.

Reportagens de VEJA: Rachel de Queiroz

 
Vista do Porto de Cingapura

Na reportagem "O Brasil menos vulnerável" (5 de novembro), a foto ao lado, identificada como sendo do Porto de Hong Kong, na verdade é do Porto de Cingapura.

 

 
 
 
 
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