Edição 1829 . 19 de novembro de 2003

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Carta ao leitor
O Brasil no jogo da Alca

 
AFP

Amorim: o desafio em Miami não é adiar o campeonato, mas disputá-lo

Em uma metáfora cara ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil entra em campo novamente nesta semana, em Miami, nos Estados Unidos, para uma rodada decisiva de negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a delegação brasileira terá na Flórida a chance de efetivamente começar a entrar no jogo que vai dar forma ao arranjo cujo objetivo final é abolir as tarifas alfandegárias entre 34 países do continente, com exceção de Cuba. Até agora, o time de Brasília não havia se convencido da necessidade e até mesmo da legitimidade do torneio. Em vez de jogar, vinha contornando a disputa, com a mal disfarçada convicção de que, sem a participação do Brasil, os demais contendores deixariam o campo certos de que, na ausência do gigante adormecido em berço esplêndido, não haveria partida alguma a disputar. É um erro de avaliação muito arriscado.

A Alca traz na mesma medida oportunidades e riscos para a economia brasileira. Entrando nela, haverá ganhos e perdas. Ficando fora, as perdas são certas e não haverá ganho algum. Diante de sua inevitabilidade, o Brasil, em Miami, vai começar a decidir o que quer ganhar e o que admite perder. Conforme mostra uma reportagem da presente edição de VEJA, quando participam de refregas no capitalismo global, os países podem conseguir vitórias extraordinárias. Na semana passada, o governo de George W. Bush foi condenado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) pelas práticas ilegais dos Estados Unidos na taxação do aço que eles importam. A decisão coloca o Brasil na posição de retaliar comercialmente os americanos. Desde 1995, o Brasil recorreu dezenove vezes à OMC questionando seus parceiros comerciais. Não perdeu nenhuma disputa. Ganhou oito. Cinco foram resolvidas amigavelmente. Seis ainda estão pendentes. Nas Copas do Mundo de futebol, quem realmente perde são as equipes que delas não participam por deficiência técnica ou por se negarem a aceitar as regras comuns da competição. Na diplomacia e no comércio globais, as coisas se passam da mesma maneira. Deve-se lutar para que as regras sejam justas. Tendo essa garantia, todos ganham.

 
 
 
 
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