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Carta
ao leitor
O
Brasil no jogo da Alca
AFP
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Amorim:
o desafio em Miami não é adiar o campeonato, mas disputá-lo
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Em
uma metáfora cara ao presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, o Brasil entra em campo novamente nesta semana, em Miami,
nos Estados Unidos, para uma rodada decisiva de negociações
da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
Liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Celso
Amorim, a delegação brasileira terá na Flórida
a chance de efetivamente começar a entrar no jogo que vai
dar forma ao arranjo cujo objetivo final é abolir as tarifas
alfandegárias entre 34 países do continente, com exceção
de Cuba. Até agora, o time de Brasília não
havia se convencido da necessidade e até mesmo da legitimidade
do torneio. Em vez de jogar, vinha contornando a disputa, com a
mal disfarçada convicção de que, sem a participação
do Brasil, os demais contendores deixariam o campo certos de que,
na ausência do gigante adormecido em berço esplêndido,
não haveria partida alguma a disputar. É um erro de
avaliação muito arriscado.
A Alca traz na mesma medida oportunidades e riscos para a economia
brasileira. Entrando nela, haverá ganhos e perdas. Ficando
fora, as perdas são certas e não haverá ganho
algum. Diante de sua inevitabilidade, o Brasil, em Miami, vai começar
a decidir o que quer ganhar e o que admite perder. Conforme mostra
uma reportagem da presente edição de VEJA, quando
participam de refregas no capitalismo global, os países podem
conseguir vitórias extraordinárias. Na semana passada,
o governo de George W. Bush foi condenado pela Organização
Mundial do Comércio (OMC) pelas práticas ilegais dos
Estados Unidos na taxação do aço que eles importam.
A decisão coloca o Brasil na posição de retaliar
comercialmente os americanos. Desde 1995, o Brasil recorreu dezenove
vezes à OMC questionando seus parceiros comerciais. Não
perdeu nenhuma disputa. Ganhou oito. Cinco foram resolvidas amigavelmente.
Seis ainda estão pendentes. Nas Copas do Mundo de futebol,
quem realmente perde são as equipes que delas não
participam por deficiência técnica ou por se negarem
a aceitar as regras comuns da competição. Na diplomacia
e no comércio globais, as coisas se passam da mesma maneira.
Deve-se lutar para que as regras sejam justas. Tendo essa garantia,
todos ganham.
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