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VEJA Recomenda DVDs
Coleção Greta Garbo
Volumes 1 e 2 (Warner) Os camaradas Iranoff, Buljanoff e Kopalski
estão felizes da vida, instalados na suíte mais luxuosa de um hotel
de Paris, quando um bloco de gelo chega para arruinar a festa Madame Nina
Yakushova, enviada diretamente de Moscou para zelar pela moral e pelos costumes
socialistas e botar um freio no entusiasmo do trio. A partir daí, o diretor
Ernst Lubitsch vai se divertir como nunca tentando corromper esse paradigma de
virtude soviética, e só se dará por satisfeito quando ela
estiver vestindo uma decadente lingerie francesa e caída de amores por
ninguém menos que um conde. Com qualquer atriz, o filme seria ótimo.
Com a sueca Greta Garbo (1905-1990), que tinha fama de transformar homens em estátuas
de sal apenas com um de seus olhares de reprovação, ele se tornou
antológico. Ninotchka, de 1939, é a estrela absoluta dessa
coleção o que não quer dizer que os cinco títulos
complementares sejam coisa pouca. Mata Hari, Grande Hotel, Rainha Cristina,
Anna Karenina e A Dama das Camélias são o que de melhor
Garbo fez na década de 30, antes de se retirar do cinema, em 1941, com
a célebre frase "I want to be alone" ("quero ficar só").
Fotos
divulgação
 | | Priscilla:
comédia para todas as tendências sexuais |
Priscilla
A Rainha do Deserto (The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert,
Austrália, 1994. Fox) Duas drag queens e um transexual compram um
ônibus caindo aos pedaços para atravessar o deserto australiano até
uma estação de águas, onde assumirão o cabaré
de um hotel. O enredo talvez parecesse pouco promissor, mas, com sua originalidade,
seu humor e as excelentes atuações de Hugo Weaving, Guy Pearce e
Terence Stamp como o trio em questão, Priscilla virou uma mania
nos anos 90 o primeiro filme australiano a fazer bilheteria mundial e também
o primeiro sucesso GLS. Não é necessário simpatizar com essa
ou aquela tendência para se divertir com a comédia: mais de dez anos
depois, ela continua efervescente.
LIVROS Os
Loureiros Estão Cortados, de Édouard Dujardin (tradução
de Hilda Pedrollo; Brejo; 117 páginas; 24 reais) Embora seja uma
figura esquecida, o francês Édouard Dujardin (1861-1949) influenciou
muita gente. Ele foi um precursor da literatura modernista ao lançar mão
do chamado "fluxo de consciência" técnica narrativa calcada
na introspecção e que seria consagrada pelo irlandês James
Joyce e pela inglesa Virginia Woolf. Joyce creditava a Os Loureiros
Estão Cortados sua inspiração em Ulisses. Publicada
em 1888, a novela acompanha os pensamentos de um jovem que, durante seis horas,
caminha por Paris à espera de sua pretendente. Simbolista, Dujardin tem
uma prosa próxima da poesia. Leia
trecho. Peregrinação,
de Fernão Mendes Pinto (Nova Fronteira; 432 e 384 páginas; 59 reais
cada volume) O aventureiro Fernão Mendes Pinto foi um Marco Polo
português: no auge das grandes navegações do século
XVI, ele passou mais de vinte anos em viagens pelas terras desconhecidas do Oriente.
Peregrinação, um relato extenso e rico em detalhes pitorescos
de suas aventuras, é um contraponto a Os Lusíadas, do contemporâneo
Luís de Camões. O livro tem o próprio autor como um herói
que exagera seus feitos e expõe o lado patético das descobertas
portuguesas. Apesar de sua importância histórica, a obra não
contava com uma edição brasileira lacuna que, felizmente,
é preenchida agora. Leia
trecho.
DISCOS
Thelonious
Monk Quartet with John Coltrane at Carnegie Hall, Thelonious Monk e John
Coltrane (EMI) Em janeiro passado, um funcionário da Biblioteca
do Congresso americano arrumava uma estante quando deparou com uma preciosidade:
uma fita que continha uma gravação perdida de duas feras do jazz,
o pianista Thelonious Monk e o saxofonista John Coltrane. Realizado em 1957, o
concerto é um registro raro as poucas gravações disponíveis
da dupla não a captavam em boa forma ou tinham sonoridade ruim. A apresentação,
agora lançada em CD, não tem só uma qualidade sonora superior:
é um dos momentos mais inspirados da carreira de Coltrane.  |  | | Devendra:
hippie chique | |
Niño
Rojo, Devendra Banhart (Sum) Um crítico inglês definiu
o estilo desse cantor e compositor de 24 anos como "hippie chique". Nada mais
acertado. Nascido no Texas e criado na Venezuela e em San Francisco, Devendra
Banhart se inspira na sonoridade de cantores da década de 60, como o escocês
Donovan e o inglês Nick Drake. Mas suas canções vão
além dessas influências: ele trafega também pelo blues e pela
música latina. Suas letras falam de espiritualidade e de temas do cotidiano.
Lançado no ano passado, Niño Rojo é o segundo disco
da carreira de Banhart e nasceu das sobras de seu álbum de estréia,
Rejoicing in the Hands, para o qual ele gravou nada menos do que 57 faixas.
OS
MAIS VENDIDOS CRÍTICA
A
americana Jean P. Sasson conquistou seu lugar nas listas de best-sellers explorando
um só tema: a opressão às mulheres nos países muçulmanos.
Durante os doze anos em que viveu na Arábia Saudita, entre 1978 e 1990,
a autora colecionou relatos dos horrores a que elas são submetidas nessas
sociedades. A história de uma das mulheres com que travou amizade naquele
país foi sua inspiração na trilogia de sucesso composta dos
livros Princesa, Princesa Sultana e As Filhas da Princesa. Em Mayada
Filha do Iraque (tradução de Marcelo Almada; Best
Seller; 266 páginas; 34,90 reais), que ocupa o décimo lugar na categoria
de não-ficção da lista de VEJA, ela romantiza as agruras
de outra figura real. A escritora conheceu sua personagem, Mayada Al-Askari, quando
esta fez as vezes de sua intérprete numa viagem ao Iraque em 1998
ainda em pleno regime de Saddam Hussein. Descendente de dois clãs poderosos
da política do país, Mayada caiu em desgraça um ano depois
de conhecê-la. Levada a uma prisão de Bagdá sem saber de qual
crime era acusada, ela foi torturada e mantida sob condições desumanas.
Por meio de sua trajetória, Jean expõe todo o terror de viver no
Iraque nos tempos do ditador. Leia
trecho. Paula Aoyagui |
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