Edição 1927 . 19 de outubro de 2005

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Auto-retrato
Datas
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Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

VEJA Recomenda

DVDs

Coleção Greta Garbo – Volumes 1 e 2 (Warner) – Os camaradas Iranoff, Buljanoff e Kopalski estão felizes da vida, instalados na suíte mais luxuosa de um hotel de Paris, quando um bloco de gelo chega para arruinar a festa – Madame Nina Yakushova, enviada diretamente de Moscou para zelar pela moral e pelos costumes socialistas e botar um freio no entusiasmo do trio. A partir daí, o diretor Ernst Lubitsch vai se divertir como nunca tentando corromper esse paradigma de virtude soviética, e só se dará por satisfeito quando ela estiver vestindo uma decadente lingerie francesa e caída de amores por ninguém menos que um conde. Com qualquer atriz, o filme seria ótimo. Com a sueca Greta Garbo (1905-1990), que tinha fama de transformar homens em estátuas de sal apenas com um de seus olhares de reprovação, ele se tornou antológico. Ninotchka, de 1939, é a estrela absoluta dessa coleção – o que não quer dizer que os cinco títulos complementares sejam coisa pouca. Mata Hari, Grande Hotel, Rainha Cristina, Anna Karenina e A Dama das Camélias são o que de melhor Garbo fez na década de 30, antes de se retirar do cinema, em 1941, com a célebre frase "I want to be alone" ("quero ficar só").

Fotos divulgação
Priscilla: comédia para todas as tendências sexuais


Priscilla – A Rainha do Deserto
(The Adventures of Priscilla, Queen of the Desert,
Austrália, 1994. Fox) – Duas drag queens e um transexual compram um ônibus caindo aos pedaços para atravessar o deserto australiano até uma estação de águas, onde assumirão o cabaré de um hotel. O enredo talvez parecesse pouco promissor, mas, com sua originalidade, seu humor e as excelentes atuações de Hugo Weaving, Guy Pearce e Terence Stamp como o trio em questão, Priscilla virou uma mania nos anos 90 – o primeiro filme australiano a fazer bilheteria mundial e também o primeiro sucesso GLS. Não é necessário simpatizar com essa ou aquela tendência para se divertir com a comédia: mais de dez anos depois, ela continua efervescente.

 

LIVROS

Os Loureiros Estão Cortados, de Édouard Dujardin (tradução de Hilda Pedrollo; Brejo; 117 páginas; 24 reais) – Embora seja uma figura esquecida, o francês Édouard Dujardin (1861-1949) influenciou muita gente. Ele foi um precursor da literatura modernista ao lançar mão do chamado "fluxo de consciência" – técnica narrativa calcada na introspecção e que seria consagrada pelo irlandês James Joyce e pela inglesa Virginia Woolf. Joyce creditava a Os Loureiros Estão Cortados sua inspiração em Ulisses. Publicada em 1888, a novela acompanha os pensamentos de um jovem que, durante seis horas, caminha por Paris à espera de sua pretendente. Simbolista, Dujardin tem uma prosa próxima da poesia. Leia trecho.

Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto (Nova Fronteira; 432 e 384 páginas; 59 reais cada volume) – O aventureiro Fernão Mendes Pinto foi um Marco Polo português: no auge das grandes navegações do século XVI, ele passou mais de vinte anos em viagens pelas terras desconhecidas do Oriente. Peregrinação, um relato extenso e rico em detalhes pitorescos de suas aventuras, é um contraponto a Os Lusíadas, do contemporâneo Luís de Camões. O livro tem o próprio autor como um herói que exagera seus feitos e expõe o lado patético das descobertas portuguesas. Apesar de sua importância histórica, a obra não contava com uma edição brasileira – lacuna que, felizmente, é preenchida agora. Leia trecho.

 

DISCOS

Thelonious Monk Quartet with John Coltrane at Carnegie Hall, Thelonious Monk e John Coltrane (EMI) – Em janeiro passado, um funcionário da Biblioteca do Congresso americano arrumava uma estante quando deparou com uma preciosidade: uma fita que continha uma gravação perdida de duas feras do jazz, o pianista Thelonious Monk e o saxofonista John Coltrane. Realizado em 1957, o concerto é um registro raro – as poucas gravações disponíveis da dupla não a captavam em boa forma ou tinham sonoridade ruim. A apresentação, agora lançada em CD, não tem só uma qualidade sonora superior: é um dos momentos mais inspirados da carreira de Coltrane.

 
Devendra: hippie chique  

Niño Rojo, Devendra Banhart (Sum) – Um crítico inglês definiu o estilo desse cantor e compositor de 24 anos como "hippie chique". Nada mais acertado. Nascido no Texas e criado na Venezuela e em San Francisco, Devendra Banhart se inspira na sonoridade de cantores da década de 60, como o escocês Donovan e o inglês Nick Drake. Mas suas canções vão além dessas influências: ele trafega também pelo blues e pela música latina. Suas letras falam de espiritualidade e de temas do cotidiano. Lançado no ano passado, Niño Rojo é o segundo disco da carreira de Banhart e nasceu das sobras de seu álbum de estréia, Rejoicing in the Hands, para o qual ele gravou nada menos do que 57 faixas.

 

OS MAIS VENDIDOS – CRÍTICA

A americana Jean P. Sasson conquistou seu lugar nas listas de best-sellers explorando um só tema: a opressão às mulheres nos países muçulmanos. Durante os doze anos em que viveu na Arábia Saudita, entre 1978 e 1990, a autora colecionou relatos dos horrores a que elas são submetidas nessas sociedades. A história de uma das mulheres com que travou amizade naquele país foi sua inspiração na trilogia de sucesso composta dos livros Princesa, Princesa Sultana e As Filhas da Princesa. Em Mayada – Filha do Iraque (tradução de Marcelo Almada; Best Seller; 266 páginas; 34,90 reais), que ocupa o décimo lugar na categoria de não-ficção da lista de VEJA, ela romantiza as agruras de outra figura real. A escritora conheceu sua personagem, Mayada Al-Askari, quando esta fez as vezes de sua intérprete numa viagem ao Iraque em 1998 – ainda em pleno regime de Saddam Hussein. Descendente de dois clãs poderosos da política do país, Mayada caiu em desgraça um ano depois de conhecê-la. Levada a uma prisão de Bagdá sem saber de qual crime era acusada, ela foi torturada e mantida sob condições desumanas. Por meio de sua trajetória, Jean expõe todo o terror de viver no Iraque nos tempos do ditador. Leia trecho.

Paula Aoyagui

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa; Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Cultura; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino.
 
 
 
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