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Tales
Alvarenga
O PT avacalha Freud
"O PT expôs o país
a uma era de
mediocridade. A culpa e a vergonha
foram desmoralizadas pela aplicação
contumaz da esperteza delinqüente"
Sigmund Freud, o fundador da psicanálise,
afirmava que a culpa resulta do confronto na infância com
o complexo de Édipo. Esse mecanismo produz nos meninos uma
inclinação afetiva e carnal pela mãe e um sentimento
de raiva pelo pai. O Brasil é o único país
do mundo onde a teoria de Freud não se aplica.
Integrantes conhecidos da cúpula do
PT roubaram, aceitaram gorjeta, empregaram parentes no serviço
público, mentiram, usaram o dinheiro sujo da cueca e, nunca,
mas nunca mesmo, manifestaram nenhum sentimento de culpa. Ou eles
não conheceram pai nem mãe para experimentar o complexo
de Édipo, o que é uma improbabilidade biológica
e uma impossibilidade estatística, ou então até
o complexo de Édipo foi desmoralizado no Brasil.
O governo petista foi um fracasso não
apenas porque roubou e governou mal. Fracassou também por
ter promovido a vulgaridade. A mais pesada crítica da esquerda
ao governo Lula é a de que ele se dobrou à agenda
da elite nacional e às exigências do sistema financeiro
internacional. Na verdade, fez coisa muito diferente. Escorregou
das mãos das mal-amadas elites para expor o país a
uma era de mediocridade. Piorou os já exíguos padrões
de auto-respeito que existiam. A culpa e a vergonha foram desmoralizadas
pela aplicação contumaz da esperteza delinqüente.
São diárias as manifestações
da autonomia petista em relação à moral e aos
bons costumes. Num ritual quase religioso de perdão coletivo,
Lula chamou os deputados petistas ao Palácio e disse a eles
que podiam ir em paz. Tinham errado, por certo, mas não eram
corruptos.
Além da grande corrupção,
o governo petista se caracterizou pela avidez em relação
às miudalhas. Seis ministros empregaram suas mulheres nas
repartições de Brasília. Um dos filhos de Lula,
Fábio Luís Lula da Silva, estava distraído
na vida quando um dia, do nada, um concessionário de serviço
público, a Telemar, resolveu investir 5 milhões de
reais em sua pequena empresa Gamecorp, de conteúdo multimídia.
Dias atrás, apareceu Vavá, irmão de Lula, como
lobista de empresários junto a órgãos federais.
O tráfico de influência alcançou
ainda Ângela Saragoça, ex-mulher de José Dirceu.
Ela também andava distraída quando um dia lhe apareceu
um emissário ligado ao esquema de Marcos Valério oferecendo-se
para comprar o apartamento que ela queria vender. Outro enviado
lhe arrumou um empréstimo para comprar apartamento novo.
E um terceiro, do BMG, banco mineiro afundado nas maracutaias do
mesmo Marcos Valério, arranjou-lhe um emprego. Até
o filho de José Dirceu se beneficiou das migalhas que caíam
da mesa do poder. A Casa Civil, conforme investigações,
trabalhava com o objetivo de liberar verbas do governo federal para
prefeituras paranaenses, que se apresentavam em Brasília
sob a proteção do pimpolho Zeca Dirceu. Essas manifestações
de nepotismo e vulgaridade servem apenas para desqualificar ainda
mais um governo que está no centro de um furacão milionário,
talvez bilionário, de corrupção.
A ausência de culpa por tudo isso explica
a declaração de Lula em Paris: o PT fez o que todos
fazem. E o antológico exame de consciência de Dirceu
em Brasília: "Estou cada dia mais convencido de minha inocência".
No Brasil, até Freud foi derrotado.
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