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Televisão
Trono usurpado
Uma pesquisa confirma: a TV está
perdendo terreno para a internet
na preferência dos adolescentes

Ricardo Valladares
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Desde que se popularizou, a internet
modifica o comportamento de seus usuários os jovens,
principalmente das formas mais variadas. Agora, uma pesquisa
demonstra: o computador caseiro com acesso à rede transformou
a maneira como os adolescentes brasileiros se relacionam com a TV.
Eles ainda devotam um bom tempo ao hábito de ver televisão,
mas ela não tem a mesma importância que teve para seus
pais e até seus irmãos mais velhos, quando eram da
mesma idade. Realizado pela ONG Midiativa e pelo instituto de pesquisa
MultiFocus, o levantamento investigou os hábitos de 400 crianças
e 200 adolescentes em relação aos meios de comunicação.
O mesmo estudo foi feito no ano passado, e sua segunda rodada corrobora
as conclusões sobre o universo infantil: há programas
bem-feitos e atraentes para esse público, mas eles não
cumprem todas as tarefas consideradas essenciais pelos pais, como
reforçar valores e preparar para a vida. As novidades se
concentram na pesquisa com os adolescentes, que desta vez foram
estudados em maior profundidade.
Fotos Rede Globo/divulgação
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gação
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A GRANDE FAMÍLIA
Jovens apreciam e se identificam com programas de humor
não dirigidos especificamente a eles |
CALDEIRÃO DO HUCK
A atração da Globo está entre as
poucas voltadas aos jovens e erra o alvo |
A pesquisa mostra que há
um abismo entre eles e a programação da TV. Perguntou-se
aos entrevistados jovens de 12 a 17 anos de São Paulo
e Rio de Janeiro, de todas as classes sociais o que eles
procuram nos meios de comunicação. Dos anseios mencionados
que se agrupam em categorias como busca de informação,
busca de diversão, busca de identidade e conexão com
o mundo , a TV preencheu sobretudo aqueles que são
considerados "menos destacados". O público encontra nela,
principalmente, uma forma de afastar o tédio e se entreter
a qualquer hora. Ou seja: a TV é um passatempo. Os jovens
oscilam entre a televisão e a internet na busca por informações
gerais. Mas itens valorizados, como a possibilidade de opinar e
de "estar em contato imediato com tudo", são proporcionados
apenas pela rede.
Assim como as crianças,
os adolescentes gastam em média quatro horas por dia com
a TV. Mas seu comportamento é bem diferente: enquanto os
primeiros têm nela uma babá para todas as horas, os
segundos usam a televisão como pano de fundo para outras
atividades. Ao mesmo tempo em que a deixam ligada, os jovens falam
ao telefone, ouvem rádio, conversam. Têm ainda um hábito
desafiador para o mercado publicitário: não hesitam
em zapear durante as propagandas. A internet, revela o estudo, já
ocupa tanto tempo dos jovens quanto a televisão. Só
que a ligação deles com o meio é mais estreita
dos bate-papos em serviços como o Messenger e o Orkut
aos diários em forma de blogs, grande parte da vida social
dos adolescentes passa hoje pela internet.
Quando colocados diante de um
cardápio de 100 programas, os adolescentes tiveram preferência
por atrações que não são especificamente
voltadas para sua faixa etária. Das dezessete citadas, nove
são humorísticas. Entre os campeões de popularidade
estão A Grande Família e A Diarista, exibidos
pela Rede Globo, e o jurássico Chaves, do SBT. A novelinha
Malhação é uma rara exceção:
os adolescentes gostam de vê-la e se identificam com ela.
Mas outros programas "jovens", como o Altas Horas, apresentado
por Serginho Groisman, e o Caldeirão do Huck, de Luciano
Huck, foram solenemente ignorados. Os dados da Globo, que transmite
essas atrações, corroboram os da pesquisa. "Os diretores
de televisão acreditam que colocar no ar gente que fala gírias
baste para se credenciar junto aos adolescentes. Nada mais falso",
diz Beth Carmona, presidente da Midiativa e da TVE do Rio de Janeiro.
O estudo, em outras palavras, é um banho de água fria
para as emissoras. Elas carecem de programas feitos sob medida para
os adolescentes e, quando os criam, quase sempre erram o
alvo.
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