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Brasil
Vavá foi mais longe
Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete
de Lula, também sabia da atividade
de lobista do irmão do presidente. Até
recebeu um empresário a pedido dele

Marcelo Carneiro e Camila Pereira
Antonio Cruz/ABR
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NA ANTE-SALA
DO PRESIDENTE
Carvalho: enquanto ele recebia Vavá no Palácio,
Lula estava fazendo o quê? Abaixo, o lobista da família
Silva e Cristina Caçapava no escritório montado
para "ajudar" empresários |
Marcos Fernandes
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VEJA revelou na semana passada que Genival
Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente
Lula, havia montado um escritório para "ajudar" empresários
com interesses no governo e que conseguira fazer com que pelo menos
um deles, o presidente da Federação Brasileira de
Hospitais, fosse recebido pelo assessor especial da Presidência,
César Alvarez. O Palácio do Planalto respondeu que
o presidente Lula não tinha conhecimento (para variar) das
atividades do irmão e que Alvarez havia sido surpreendido
pelo fato de Vavá comparecer ao Palácio acompanhado
por membros de uma entidade que representa os interesses dos hospitais
privados do país. Com isso, dava a entender que eles haviam
"pego carona" em uma audiência que, na realidade, tinha sido
marcada exclusivamente para o irmão do presidente. O Planalto
omitiu dois fatos graves. É verdade que a federação
tentou "pegar carona" na audiência com Alvarez, mas não
é verdade que o encontro havia sido marcado para atender
apenas Vavá. O assessor Alvarez estava preparado, naquele
dia, para receber um outro empresário, a pedido do irmão
do presidente: o português Emídio Mendes, um dos controladores
do Riviera Group, conglomerado que atua nos setores imobiliário,
turístico e energético, e que, nos últimos
tempos, vinha tentando fechar negócios com a Petrobras. O
empresário português foi, sim, recebido e bem
recebido pelo assessor da Presidência. Graças
a Vavá. Oito dias depois da audiência, o dono do Riviera
Group retornou ao Planalto, no dia 22 de setembro, novamente acompanhado
por Vavá. E, dessa vez, encontrou-se com um superior de Alvarez:
o chefe-de-gabinete pessoal do presidente Lula, Gilberto Carvalho.
Essa segunda informação também foi omitida
pelo Palácio do Planalto.
Ana Araujo
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LULINHA DA TELEMAR
Fábio Luís da Silva: bolada de 5 milhões
de reais. E ficou por isso mesmo. Até quando, presidente?
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O encontro do empresário português com o chefe-de-gabinete
de Lula não foi inócuo, como sustenta a versão
oficial. Quinze dias depois da audiência do dono do Riviera
Group com Alvarez, e uma semana após seu encontro com Gilberto
Carvalho, o empresário esteve no Rio de Janeiro mais
uma vez acompanhado pelo onipresente Vavá e sua "assessora"
Cristina Caçapava para uma visita à sede da
Petrobras. Foi tratar da assinatura de um memorando de entendimento
entre a estatal e uma das empresas controladas por seu grupo, a
Nacional Gás. Ou seja: tanto a intermediação
de Vavá (cujas passagens aéreas foram pagas pelo empresário)
quanto as negociações do grupo português com
o governo caminham muito bem. A assessoria de imprensa da Petrobras
informa que as negociações com a Nacional Gás,
que teriam iniciado em julho deste ano, continuam em andamento.
Na manhã de quarta-feira passada, VEJA
entrevistou o empresário Emídio Mendes pela primeira
vez, para que ele explicasse a razão da sua reunião
com César Alvarez. Mendes disse que tinha sido levado por
Vavá até o assessor da Presidência para discutir
um assunto prosaico: um pedido para que o governo brasileiro "ajudasse
países africanos de língua portuguesa" com envio de
medicamentos. Na mesma ocasião, VEJA também perguntou
por que motivo o irmão do presidente Lula o havia acompanhado
à Petrobras, cuja sede fica no Rio. "O Vavá tem um
amigo que queria me vender um terreno na cidade e nós fomos
lá para avaliar a área", respondeu. Na tarde de quinta-feira,
VEJA procurou novamente Emídio Mendes. Confrontado com a
informação de que a sua segunda audiência no
Planalto, com Gilberto Carvalho, girara em torno não de ajuda
a países africanos, mas de negócios que seu grupo
quer manter com a Petrobras, Emídio respondeu não
ter feito "nada de errado". "Estou apenas contribuindo para aumentar
as exportações do Brasil." A Petrobras vem se tornando
uma assídua freqüentadora do noticiário de escândalos
políticos. Em julho deste ano, o ex-secretário-geral
do PT Silvio Pereira admitiu ter recebido um automóvel Land
Rover, no valor de 73.500 reais, de presente da empreiteira baiana
GDK, que mantém negócios com a petrolífera.
No mês passado, um relatório do Tribunal de Contas
da União, referente às atividades da estatal no primeiro
semestre deste ano, resultou numa quilométrica lista de irregularidades,
incluindo contratos suspeitos, concorrências dirigidas, superfaturamento
e pagamentos por serviços não realizados.
Wilson Dias/ABR
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O ENCONTRO ERA
OUTRO
César Alvarez: o assessor da Presidência
omitiu audiência com empresa da área de energia
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Os fatos mostram que, por trás da maior
parte das falcatruas envolvendo dinheiro público, há
sempre um personagem obrigatório: o lobista aquele
que "engraxa" as engrenagens do poder público a serviço
de causas quase sempre pouco nobres. O fato de o irmão do
presidente Lula ser dono de um escritório destinado a intermediar
negócios de empresários com o governo e de
ter conseguido trafegar com tamanha desenvoltura nos corredores
do Planalto e da Petrobras é, portanto, alarmante.
E evidencia um problema recorrente no governo petista: a dificuldade
do presidente Lula, e de sua família, de separar o público
do privado. Em julho, VEJA mostrou como a Telemar companhia
que tem, entre seus controladores, o BNDES, um banco estatal
pagou 5 milhões de reais para tornar-se sócia de uma
pequena empresa pertencente a Fábio Luís Lula da Silva,
filho do presidente. Três meses depois da divulgação
da notícia, a sociedade de Lulinha com a Telemar vai muito
bem, obrigada. O presidente continua dizendo que o filho não
fez nada de errado ao aceitar a bolada da empresa e que ele, Lula,
tampouco agiu incorretamente ao fechar os olhos para a sorte grande
de seu rebento.
Na semana retrasada, o presidente declarou,
por meio de assessores, que não tinha conhecimento das atividades
do irmão ainda que Vavá tenha estado no seu
local de trabalho, no mesmo andar em que fica o seu gabinete, e
tenha sido recebido pelo seu subsecretário-geral. Agora,
a situação é um pouco mais complicada. Gilberto
Carvalho atua como fiel escudeiro de Lula desde a primeira campanha
presidencial, nos anos 80. Ocupa uma sala a pouquíssimos
metros do gabinete de Lula e é seu mais íntimo assessor,
além de amigo e freqüentador dos churrascos da Granja
do Torto. A pergunta óbvia é: Carvalho não
comunicou ao presidente que seu irmão levava empresários
para fazer negócios no Palácio do Planalto? E, se
comunicou, por que o escritório de Vavá funcionou
a pleno vapor até sua existência e finalidade terem
sido reveladas por VEJA? Solicitada a responder a essas perguntas
na última sexta-feira, a assessoria da Presidência
limitou-se a dizer que tanto Carvalho quanto o presidente estavam
"incomunicáveis". Para quem, ao longo dos últimos
escândalos, sempre se mostrou o último a saber, o termo
não deixa de ser apropriado.
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