Edição 1927 . 19 de outubro de 2005

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Lya Luft
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Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
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Entrevista
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Radar
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Datas

Assinado: o contrato de fusão entre a Coteminas, a maior indústria têxtil do Brasil, de propriedade do vice-presidente José Alencar, e a Springs, a maior empresa americana do setor de cama e banho. A participação das companhias será idêntica na Springs Global, que terá sede no Brasil e faturamento anual estimado em 2,4 bilhões de dólares. Na fusão, a Coteminas receberá 200 milhões de dólares. A conclusão da operação depende da aprovação dos órgãos reguladores dos dois países. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi informado pessoalmente pelo seu vice da nova empresa, depois do acordo já firmado. Dia 11, em Minas Gerais e na Carolina do Sul.  

Reduzido: em 46% o preço do anti-retroviral Kaletra, que integra o coquetel anti-aids distribuído a 163.000 pacientes no Brasil. A decisão é fruto de uma negociação de três meses entre o Ministério da Saúde e o laboratório americano Abbott. O acordo, que entra em vigor em março de 2006, institui que a cápsula do Kaletra será vendida ao governo brasileiro por 63 centavos de dólar, contra o 1,17 dólar atual. O Brasil deve economizar 340 milhões de dólares entre 2006 e 2011 e terá também acesso à nova fórmula do Kaletra (Meltrex), cujo registro tramita nos Estados Unidos. Dia 11, em Brasília.

Ivo Gonzalez/Ag. O Globo
Bornay: o eterno primeiro lugar do Carnaval


Morreu:
o carnavalesco Clóvis Bornay, idealizador de fantasias que se tornaram sinônimo de extravagância na maior festa popular do Brasil. Bornay iniciou sua participação no Carnaval em 1937, quando convenceu o diretor do Teatro Municipal carioca a instituir um baile de gala com concurso de fantasias. Além de museólogo do Museu Histórico Nacional, foi jurado nos programas de Chacrinha e Silvio Santos e atuou no cinema, em Terra em Transe, de Glauber Rocha, e Independência ou Morte. Foi carnavalesco das escolas de samba Portela e Mocidade Independente de Padre Miguel. Nos últimos anos, tinha o status de hors-concours. Dia 9, aos 89 anos, de parada cardiorrespiratória, no Rio de Janeiro.


AFP
Park, com os bonecos de Wallace e Gromit: perda total


Destruído:
por um incêndio o estúdio da Aardman Animatinos, do inglês Nick Park, criador dos personagens de massinha Wallace e Gromit e diretor de A Fuga das Galinhas. O fogo consumiu a instalação no mesmo dia em que Park celebrava a notícia de que o longa-metragem Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais estreara em primeiro lugar na bilheteria americana, com 16 milhões de dólares. As chamas queimaram todos os modelos, projetos de criação e cenários da Aardman – além de seus dois Oscar. Dia 10, em Bristol.  

Ganharam: o prêmio Booker o escritor irlandês John Banville, pelo romance The Sea. O Booker é a mais importante honraria literária da Inglaterra e costuma ter impacto imediato nas vendas internacionais de seus vencedores. A edição de 2005 foi a mais acirrada dos últimos anos. Conhecido no Brasil por romances como O Livro das Provas (Record), Banville bateu concorrentes como Julian Barnes e Kazuo Ishiguro. Dia 10, em Londres.

• o Prêmio Clio da Academia Paulistana de História o escritor, jornalista e historiador Hernâni Donato, de 83 anos, pela quarta vez. Donato é presidente de honra do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e membro das academias paulistas de História e de Letras. Dia 12, em São Paulo.

AFP
Homo floresiensis: sem queixo


Reunidas:
novas evidências de que os esqueletos encontrados no ano passado na Ilha de Flores, na Indonésia, pertencem a uma espécie distinta de hominídeo, e não a homens anões. A análise detalhada de uma mandíbula dos Homo floresiensis (apelidados de hobbits, em referência à saga O Senhor dos Anéis) demonstrou que eles não tinham a protuberância óssea que forma o queixo, típica dos humanos modernos. Os ossos apontam para uma criatura de 1,10 metro, com braços longos como os de um chimpanzé. Estima-se que os Homo floresiensis tenham vivido entre 95.000 e 13.000 anos atrás. Apesar da descoberta, vários cientistas preferem explicar a baixa estatura dos hobbits devido a seu prolongado isolamento geográfico. Dia 12, na Indonésia.  

Escolhido: o ator Daniel Craig como o novo James Bond, em substituição ao irlandês Pierce Brosnan. O inglês de 37 anos será o sexto ator a interpretar o agente secreto – e o primeiro loiro a fazê-lo. Sua aventura inicial como 007 será Casino Royale, já em produção. Dia 14, em Londres.

 

O NOBEL DA DISCÓRDIA

Max Nash/AP
LITERATURA
Harold Pinter: blablablá político

Concedidos: o Prêmio Nobel de Literatura ao inglês Harold Pinter, de 75 anos. Pitoresco e falastrão, nos últimos anos ele vem chamando mais atenção por suas posições políticas do que por seus escritos – entre os quais se incluem peças como Feliz Aniversário e roteiros como o de A Mulher do Tenente Francês. Pinter chegou a relacionar sua luta contra o câncer de esôfago, há três anos, com o "pesadelo da histeria, ignorância, arrogância, estupidez e beligerância americanas" – suas palavras. Por ocasião da intervenção no Iraque, chamou o primeiro-ministro Tony Blair de "idiota iludido". O radicalismo de Pinter atiçou o jornal inglês The Guardian, que afirmou em reportagem de agosto de 2001 que o dramaturgo defendia a inocência de Slobodan Milosevic, ex-ditador da Iugoslávia e genocida comprovado, sob o argumento de que ele era "vítima da agressão do imperialismo americano". Pinter negou as afirmações. No mês seguinte, novo artigo do Guardian sugeria que o dramaturgo aprovava os atentados de 11 de setembro. Embora a obra de Pinter seja representativa, sua premiação reforça a suspeita de falta de clareza nos critérios de seleção do Nobel de Literatura. A vencedora de 2004, por exemplo, foi a austríaca Elfriede Jelinek, dona de uma obra pouco relevante, mas crítica feroz da extrema direita. A Academia Real Sueca, entretanto, afirma não levar em consideração a visão política de seus candidatos. Dia 13, em Estocolmo.

 
Kevin Frayer /AP
AP
ECONOMIA
O israelense Aumann (à esq.) e o americano Schelling: teoria do jogo

• o Prêmio Nobel de Economia ao israelense Robert J. Aumann, de 75 anos, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, e ao americano Thomas C. Schelling, 84, professor da Universidade de Maryland, por suas análises da teoria do jogo, úteis para o entendimento e planejamento de políticas de desarmamento e segurança, formação de preços no mercado e negociações econômicas e políticas. Eles dividirão o prêmio, no valor de 1,3 milhão de dólares. Dia 10, em Estocolmo.

 
 
 
 
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