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Carta ao leitor Uma
história misteriosa Paulo
Vitale
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Gabriel: mergulho no caso da morte de Celso Daniel |
Um
assassinato em circunstâncias misteriosas, emoldurado por um entrecho que
mistura corrupção política, sexo e uma série de mortes
igualmente intrigantes de personagens relacionados ao crime. Os ingredientes clássicos
de um bom romance policial temperam o homicídio do prefeito de Santo André,
Celso Daniel, em 2002. Estrela de primeira grandeza do Partido dos Trabalhadores,
Celso Daniel seria o coordenador da campanha presidencial do então candidato
Luiz Inácio Lula da Silva, não tivesse sido seqüestrado e brutalmente
morto em janeiro daquele ano. Ao contrário de um bom romance policial,
no entanto, essa é uma história ainda longe de um final convincente.
Até hoje muitas sombras (além de um "Sombra" em pessoa, Sérgio
Gomes da Silva, que acompanhava a vítima na fatídica noite do seqüestro)
turvam a visão dos motivos que levaram ao assassinato do prefeito. A última
delas projetou-se poucos dias atrás. O legista Carlos Delmonte Printes,
que concluíra que Celso Daniel havia sido torturado antes de ser abatido
a tiros, foi encontrado morto em seu escritório em São Paulo. É
o sétimo personagem ligado ao caso a perder a vida.
Para acompanhar os desdobramentos dessa história intrincada e inventariar
os seus principais lances, VEJA destacou um de seus jornalistas mais experientes,
o repórter João Gabriel de Lima. Ao longo de dois meses de apuração,
ele leu 200 páginas de documentos, entrevistou dois dos três principais
suspeitos de ter cometido o crime e todos os promotores e policiais encarregados
da investigação. Além disso, conversou longamente com amigos
e familiares de Celso Daniel, alguns deles defensores da tese de que se trata
de um crime de vingança política. Na semana passada, João
Gabriel foi surpreendido com a morte de um de seus entrevistados, o legista Delmonte
Printes. Diz o repórter de VEJA: "Quanto mais se procura o assassino do
prefeito, mais se esbarra com corrupção, com corruptos e com cadáveres".
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