Edição 1927 . 19 de outubro de 2005

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Carta ao leitor
Uma história misteriosa

 

Paulo Vitale
João Gabriel: mergulho no caso da morte de Celso Daniel

Um assassinato em circunstâncias misteriosas, emoldurado por um entrecho que mistura corrupção política, sexo e uma série de mortes igualmente intrigantes de personagens relacionados ao crime. Os ingredientes clássicos de um bom romance policial temperam o homicídio do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em 2002. Estrela de primeira grandeza do Partido dos Trabalhadores, Celso Daniel seria o coordenador da campanha presidencial do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, não tivesse sido seqüestrado e brutalmente morto em janeiro daquele ano. Ao contrário de um bom romance policial, no entanto, essa é uma história ainda longe de um final convincente. Até hoje muitas sombras (além de um "Sombra" em pessoa, Sérgio Gomes da Silva, que acompanhava a vítima na fatídica noite do seqüestro) turvam a visão dos motivos que levaram ao assassinato do prefeito. A última delas projetou-se poucos dias atrás. O legista Carlos Delmonte Printes, que concluíra que Celso Daniel havia sido torturado antes de ser abatido a tiros, foi encontrado morto em seu escritório em São Paulo. É o sétimo personagem ligado ao caso a perder a vida.

Para acompanhar os desdobramentos dessa história intrincada e inventariar os seus principais lances, VEJA destacou um de seus jornalistas mais experientes, o repórter João Gabriel de Lima. Ao longo de dois meses de apuração, ele leu 200 páginas de documentos, entrevistou dois dos três principais suspeitos de ter cometido o crime e todos os promotores e policiais encarregados da investigação. Além disso, conversou longamente com amigos e familiares de Celso Daniel, alguns deles defensores da tese de que se trata de um crime de vingança política. Na semana passada, João Gabriel foi surpreendido com a morte de um de seus entrevistados, o legista Delmonte Printes. Diz o repórter de VEJA: "Quanto mais se procura o assassino do prefeito, mais se esbarra com corrupção, com corruptos e com cadáveres".

 
 
 
 
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