BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2026

19 de setembro de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Claudio de Moura Castro
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Televisão
O bazar eletrônico

O telecomércio cresceu, e já movimenta
cerca de 1 bilhão de reais por ano


Marcelo Marthe

 
Lailson Santos
Carreiras: compra e venda de horários na TV. E, para ele, um iate

Vinte anos depois de seus primeiros passos na televisão brasileira, o telecomércio está ativo como nunca. Numa estimativa conservadora, movimenta 1 bilhão de reais por ano. Alguns canais se dedicam exclusivamente a ele. Além disso, a TV aberta e a TV paga cedem largas fatias de sua programação a essa atividade que se desdobra em duas formas básicas: a televenda e o infomercial. Os programas de televenda são como lojas: neles, bugigangas são vendidas de fato. Os infomerciais são vitrines nas quais empresas exibem os seus produtos, em formato bem mais mambembe do que num anúncio-padrão da TV. Nesse bazar eletrônico, os bons mascates se tornam famosos: a comerciante Sylvia Araújo, por exemplo, virou hit no YouTube graças às propagandas de sua rede de lojas de móveis em São Paulo, nas quais ela surge fantasiada de Mulher-Gato. Enquanto isso, os donos das câmeras faturam alto. Alguns são figuras estabelecidas, como o apresentador Luiz Galebe, do canal Shop Tour, e João Carlos Di Genio, dono da MixTV (e também dos colégios Objetivo). Mas há espaço para novatos. É o caso de Carlos Carreiras, ex-vendedor de sapatos que se tornou o maior comprador de horários na televisão depois de bispos como RR Soares. Carreiras ocupa atualmente 500 horas de programação por mês, em várias redes. Os infomerciais que ele produz podem ser vistos na RedeTV!, na Bandeirantes, na Gazeta e na Rede Mulher.

A televenda é uma operação pesada, que obriga a lidar com fornecedores e estoques, além da logística de entrega dos produtos. Não à toa, por trás das principais operações de televendas há grandes redes de varejo. O Shoptime, por exemplo, pertence ao mesmo grupo que controla as Lojas Americanas e o site Submarino. Já os infomerciais, por serem um negócio de estrutura mais leve, oferecem oportunidades para um empreendedor como Carreiras. A fórmula de trabalho que ele desenvolveu é curiosa. Para usar a linguagem do mercado de ações, ele compra horários das redes de televisão "na baixa", quando elas precisam de dinheiro para cobrir seu caixa. E os revende na alta às concessionárias de automóveis e fabricantes de bijuterias que desejam incrementar seus negócios por meio da televisão. Além de ajudar as emissoras a fechar as contas no fim do mês, Carreiras dá aos seus anunciantes a garantia de que eles terão certo retorno em número de telefonemas: sua propaganda continua no ar até que essa cota seja alcançada.

Há cinco anos, Carreiras começou uma rede própria de pequeno alcance (seus canais só estão em alguns pacotes da TV paga), na qual mesclou o formato dos infomerciais à programação local. Além do ABC, a TV+ transmite para cidades como Curitiba e Niterói. Há dez dias, chegou a Salvador. "Meu mote é falar da esquina, não da China", diz. Em meio a propagandas de churrascarias e bufês, seus canais têm programas trash. Na última terça, o veterano Dárcio Arruda, ex-Globo, fazia uma mesa-redonda sobre "cemitérios modernos". A montagem da rede é um passo arriscado, como mostra o exemplo de Luiz Galebe. Por dezoito anos ele reinou no universo dos infomerciais com o canal Shop Tour. Em 2005, foi desalojado da freqüência UHF que alugava. O dono dessa freqüência era João Carlos Di Genio, que decidiu pôr no ar o seu canal, a MixTV, abocanhando boa parte do público que antes assistia ao Shop Tour. Começou aí uma briga que ainda corre na Justiça. "Galebe queria o monopólio. Mas ele virou passado para nós", diz Fernando Di Genio, sobrinho do dono e administrador do canal. Carreiras também teve uma rusga com os donos da MixTV, dos quais foi parceiro. "Eles sugaram todo o meu know-how", diz Carreiras. "A saída foi natural", retruca Fernando Di Genio. "Ele já tinha o canal no ABC para se ocupar."

Aos 37 anos, casado e sem filhos, Carreiras administra seu negócio em família. O pai, que foi ajudante geral, é o mensageiro. Duas irmãs são diretoras e uma terceira "cuida do rango da galera". Embora seja uma figura de bastidor, Carreiras não fica a dever a Galebe em lábia de vendedor. Bem como no consumismo. Nesta semana, ele se dará um presente de aniversário: um iate de 48 pés de 2,5 milhões de reais. Era para ser uma surpresa para a família. Mas esta reportagem acaba de cortar sua graça.

 




Fotos Divulgação
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |