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19 de setembro de 2007
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Cinema
Os novos românticos

Vulgar, mas doce, Ligeiramente Grávidos anuncia
uma nova era para um gênero que parecia acabado


Isabela Boscov

Divulgação
Katherine Heigl, na cama, e Seth Rogen, de azul: mulheres ambiciosas, homens extraviados

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Trailer do filme

Benjamin é rechonchudo, nem alto nem baixo, e tem um penteado desastroso. Sua voz é anasalada e ele gosta de falar sobre Star Wars, maconha e sexo – sendo que seu conhecimento do terceiro tema é repleto de lacunas. Como se não bastassem todos os outros detalhes, Benjamin não trabalha. Há dez anos vive da indenização ganha por um acidente. Calcula que os 600 dólares restantes ainda possam durar dois anos, mas isso significa que ele não tem dinheiro para pagar um picolé a uma moça. Daí a surpresa quando a loira e linda Alison decide esticar a balada com ele. Numa das muitas sutilezas de Ligeiramente Grávidos (Knocked Up, Estados Unidos, 2007), que estréia nesta sexta-feira no país, a câmera não se aproxima do comediante Seth Rogen para sublinhar a reação de seu personagem. Permanece a meia distância, deixando que o espectador observe, enlevado, a maneira como o rosto de Rogen se ilumina. O problema é que Alison, interpretada pela atriz Katherine Heigl, já bebeu demais na altura em que escolhe Ben como companhia. Bebeu tanto que, na hora H, nem percebe como ele resolve a questão do preservativo: arrumando um baita problema – aquele descrito pelo título do filme.

Como em seu trabalho anterior, O Virgem de 40 Anos, o diretor Judd Apatow atinge em Ligeiramente Grávidos um equilíbrio quase impossível. Seu filme é vulgar e de uma obscenidade pueril; ao mesmo tempo, é de uma doçura imensa, além de uma compreensão sagaz dos jovens de hoje. As confusões de Ben e Alison lembram muito, no humor e nos desdobramentos, as "comédias abiloladas" dos anos 30 e 40, como Aconteceu Naquela Noite e Levada da Breca, nas quais pares como Claudette Colbert e Clark Gable, ou Katharine Hepburn e Cary Grant, obrigavam-se a rever seus conceitos do que seria ou não desejável num parceiro. Ligeiramente Grávidos tem essa mesma tensão amorosa, mas virada do avesso. Nesse mundo, as mulheres são ambiciosas, dedicadas e organizadas; os homens estão extraviados em algum ponto da adolescência. Cabe a eles dar lições sobre como pegar leve e se divertir um pouco.

Em seus momentos mais felizes, Ligeiramente Grávidos advoga um passo adiante no feminismo. A irmã de Alison (interpretada pela impecável Leslie Mann, mulher do diretor) quer do marido mais maturidade e iniciativa, e não está errada. Mas Alison, que aprende a aceitar que Ben nunca será um executivo de carreira ou um grande tomador de decisões, também não está errada: por que buscar um "macho alfa" nos moldes convencionais se ela própria já é tão capaz de liderar a matilha? Não é por acaso, portanto, que Apatow e sua trupe se converteram na grande força da comédia romântica moderna. De um gênero que parecia condenado à inanidade, repetidamente explorando noções cansadas sobre homens e mulheres, eles estão tirando uma novidade – uma reflexão sobre o estado da guerra dos sexos tão pertinente à atualidade quanto a "comédia abilolada" o foi para seu tempo.

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