Os médicos
dizem que a osteoporose, aquela doença que provoca
o enfraquecimento dos ossos, deve ser combatida desde a primeira
visita ao pediatra. Eles estão respaldados naquilo
que a ciência já concluiu: a prevenção
na infância reduz em 30% o risco de uma pessoa sofrer
desse mal na idade adulta.
Monica Weinberg
A doença preocupa por sua alta incidência
ela afeta 5milhões de brasileiros, a maioria
mulheres na menopausa e pelos riscos que representa
para quem convive com ela. Quase todas as pessoas que
sofrem de osteoporose são vítimas de fraturas,
25% delas fatais. O que também aflige os especialistas
é o fato de essa ser uma doença silenciosa,
que pode avançar rapidamente sem dar sinais de
dor.
Por tudo isso,
os médicos ouvidos por VEJA insistem na tecla
da prevenção. Neste Guia, eles ensinam
a pôr em prática um conjunto simples de
medidas e ainda esclarecem seis das dúvidas mais
freqüentes (e relevantes) sobre a osteoporose.
Ilustração
Natalia Forcat
1
Minha mãe sofre de osteoporose. Devo começar
a prevenção já? O risco de um dia
desenvolver a doença é dez vezes maior. É
justamente por essa razão que os médicos antecipam
o primeiro exame de densitometria óssea, que tem por
objetivo medir o nível de desgaste dos ossos. Todas
as pessoas devem ser submetidas a tal exame ao longo da vida
adulta.
A diferença é que, nos casos em que a hereditariedade
pesa contra o paciente, ele costuma ser feito pela primeira
vez por volta dos 35 anos, em mulheres, e aos 45, nos homens
cerca de quinze anos antes do usual. Os especialistas
advertem, no entanto, que medidas preventivas devem ser adotadas
desde a primeira visita ao pediatra por todo mundo
(leia sobre prevenção).
2Aos 20 anos, já quebrei o braço
duas vezes. Será que tenho osteoporose? A
fratura de ossos é, sim, um indicativo de osteoporose,
mas a probabilidade de uma pessoa com menos de 30 anos sofrer
da doença é de apenas 2%. Nessa faixa etária,
ela decorre de outros males, como diabetes e hipertireoidismo,
ou pode resultar do uso regular de alguns remédios,
como a cortisona mas nunca do envelhecimento natural
dos ossos. Com um histórico de uma dessas doenças
e dois braços quebrados, o médico provavelmente
vai recomendar uma densitometria óssea, com base na
qual poderá fazer um diagnóstico fundamentado
em dados objetivos.
3
A pessoa nunca sentiu dores no corpo, mas mesmo
assim foi diagnosticada a osteoporose. Há risco de
erro no diagnóstico? Com
o exame de densitometria uma radiografia computadorizada
que mede a quantidade de massa óssea , a possibilidade
de o diagnóstico falhar é praticamente nula.
O fato de alguém com a doença nunca ter sentido
dores é, afinal, natural e esperado: a osteoporose
é mesmo indolor. A prática dos consultórios
mostra que, na maioria das vezes, pessoas que se acham sofredoras
da doença são, na realidade, vítimas
de artrite ou artrose esses, sim, males que causam
dores intensas.
4Diz a sabedoria popular que leite é o melhor remédio
para os ossos. O que a ciência acha disso? Os
especialistas concordam com o dito popular e explicam
por quê: o leite é um dos alimentos campeões
em cálcio, cujo estoque no organismo tem papel fundamental
na prevenção da osteoporose. Os cientistas concluíram
que, por meio da ingestão de cálcio em quantidades
adequadas (veja quadro),
o corpo é capaz de fazer uma espécie de poupança
dele até os 35 anos (sendo que mais de 90% desse estoque
se dá até o fim da adolescência). A partir
de então, o tecido ósseo não absorve
mais o mineral com a mesma eficácia e o que foi armazenado
na juventude passa a ser consumido com a perda (natural) de
massa óssea. Para quem não tem reserva de cálcio,
o processo será mais acelerado e há maior
propensão à osteoporose.
5
Suplementos de cálcio são bons preventivos?
Em
geral, os médicos preferem que o cálcio venha
dos alimentos e não dos suplementos por
dois motivos: ele é absorvido com mais facilidade pelo
organismo e não provoca efeitos colaterais típicos
dos suplementos, como prisão de ventre e azia. Os suplementos
são indicados, portanto, só quando não
se pode prescindir deles: em casos de alto grau de desgaste
dos ossos, osteoporose já diagnosticada, intolerância
à lactose ou uso prolongado de cortisona. Para essas
pessoas, o cálcio em pílulas é a garantia
de que não vão deixar de ingerir uma dose diária
mínima do mineral, sem a qual a doença certamente
evoluirá em ritmo mais acelerado. Sem tal suprimento,
também, nenhum dos tratamentos contra a osteoporose
irá adiante.
6
A densitometria óssea mostrou que meus ossos
estão perfeitos. Preciso fazer um novo exame mais adiante?
Sim.
A perda de massa óssea pode se dar num ritmo tão
acelerado que, num intervalo curto de tempo, ossos saudáveis
apareçam desgastados e por isso se recomenda
o monitoramento constante. Em geral, as mulheres devem fazer
o primeiro desses exames depois da menopausa e os homens,
aos 60 anos. A partir de então, em ambos os casos vale
a pena repetir a dose a cada dois anos.
Fontes
consultadas por VEJA:
Luiz Henrique de Gregório, presidente do Densso
Centro de Diagnóstico e Pesquisa da Osteoporose;
Marise Lazaretti Castro, diretora da Sociedade Brasileira
de Endocrinologia; e Tarcísio Pessoa de Barros,
professor da Faculdade de Medicina da USP