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19 de setembro de 2007
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Tecnologia
O mundo em sua tela

Programas de busca em 3D dão uma nova dimensão
ao uso de mapas, roteiros e compras pela internet


Carlos Rydlewski

Fotos divulgação
O Live Search Maps, da Microsoft, mostra em versão de teste a localização do carro virtual com a visão do satélite e a do motorista. Abaixo, consulta às anotações de Mozart, guardadas na Biblioteca Britânica

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Uma réplica virtual em três dimensões da Terra está sendo construída na internet em ritmo acelerado. Lançado em 2005, o Google Earth, programa de computador que permite sobrevoar uma detalhada fotografia da superfície terrestre feita por satélites, foi o primeiro a se tornar popular. Sua versão básica, gratuita, foi baixada mais de 250 milhões de vezes. Nos últimos dois anos, várias empresas submeteram essas imagens a um poderoso zoom. Agora, pode-se passear virtualmente pelas ruas de várias cidades com a perspectiva visual de quem caminha pela calçada. Esses ambientes em 3D também estão se transformando em ferramentas de busca. De forma experimental, já é possível entrar em lojas, hotéis e até folhear virtualmente livros raros em bibliotecas.

Na semana passada, a Microsoft, a principal concorrente do Google na geoweb – como é chamado o mapeamento global –, lançou o Live Search Maps (www.livemaps.com.br), com o traçado de ruas de 1 004 cidades brasileiras. Em 170 delas, é possível definir rotas, optando pelo trajeto mais rápido ou mais curto entre dois pontos. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, além do itinerário, são fornecidas informações sobre as condições de trânsito, com dados atualizados pelo menos a cada trinta minutos. A Microsoft também lançou um serviço de busca de produtos, com 5 milhões de itens. O serviço permite comparar preços e especificações técnicas de produtos de mais de 2 500 lojas. Em três meses, os dados do Live Search Maps e o site dos produtos serão interligados. Com isso, será possível saber qual o televisor mais barato à venda em determinado trajeto. Em um ano, está previsto um novo avanço: as informações serão observadas não apenas em mapas, mas em imagens das ruas das cidades feitas por satélite. Num prazo de três a cinco anos, a busca por um produto ou por um restaurante poderá ser feita em ambientes virtuais, construídos por fotos feitas no local, montadas em 3D na web.

Congelados no tempo: a EveryScape usou fotos para reconstruir um trecho de São Francisco. No destaque, a visita virtual ao bar, indicado no mapa, que existe no local

Uma demonstração do potencial desse tipo de exibição em três dimensões é oferecida pela EveryScape. No site dessa empresa americana (www.everyscape.com), que pretende lançar o produto comercialmente até o fim deste ano, pode-se visitar virtualmente a Union Square, no centro de São Francisco. Circula-se entre pessoas e carros como se aquele trecho da cidade tivesse sido congelado no tempo. No passeio, são oferecidos links com dados sobre monumentos e pontos turísticos, pode-se perambular pelo interior de lojas de material esportivo, por restaurantes e pelo lobby de um hotel. A intenção é que seja possível fazer compras ou reservas nesses locais. "A busca em 3D vai ser um bom teste para esse tipo de ferramenta, mas ela também poderá ser usada para outros fins, como entretenimento", disse a VEJA Mok Oh, fundador do EveryScape. Ex-pesquisador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), Oh é um dos criadores da tecnologia que permite expor imagens reais em 3D na internet. Ele é também o responsável por um dos mais interessantes vídeos sobre o sistema, batizado de Infinite Corridor, disponível no YouTube.

Em 360 graus: utilizada pelo Google, a Dodeca (acima) é instalada sobre veículos e usa onze câmeras para produzir imagens em 3D de ruas e edifícios

A criação da geoweb é o resultado do avanço nos últimos anos em três frentes. A principal delas diz respeito à infra-estrutura da rede internacional de computadores. Esta está sendo ampliada com a criação de gigantescos centros de armazenamento de dados, onde ficam arquivadas fotos das ruas e pontos comerciais esquadrinhados por satélites, aviões ou câmeras instaladas em carros. A Microsoft tem vinte desses centros. O maior deles está em construção em Washington. Terá 140 000 metros quadrados – o equivalente a dezessete campos de futebol. O investimento pode superar 1,5 bilhão de dólares. Esses equipamentos consomem tanta energia elétrica que são construídos nas imediações de usinas.

Outro impulso foi dado por novos softwares, genericamente classificados como parte da web 2.0. Esses programas permitem maior interação entre os usuários e os objetos mostrados na internet, como rotações de 360 graus e zoom em imagens de satélite. Os anúncios, principalmente por meio de links patrocinados, constituem a terceira força do planeta em 3D. "Eles vão pagar a conta da construção desse novo mundo", diz Guilherme Stocco, do grupo de serviços on-line da Microsoft. A idéia é que, quando alguém entrar numa loja virtual na web, a empresa visitada pague ao site pelo serviço. A expansão do mundo virtual em 3D não ocorrerá apenas por meio de companhias como Google ou Microsoft. Os especialistas acreditam que, à medida que os softwares necessários estiverem acessíveis e mais baratos, qualquer pessoa poderá utilizar fotos para montar espaços em três dimensões. Essa, aliás, é uma aposta quase certeira: foi a participação dos usuários espalhados pelo mundo – ou a colaboração – que construiu a internet. Pode muito bem erguer a nova geoweb.

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