Programas de busca
em 3D dão uma nova dimensão
ao uso de mapas, roteiros e compras pela internet
Carlos Rydlewski
Fotos divulgação
O Live Search Maps, da Microsoft,
mostra em versão de teste a localização do carro virtual
com a visão do satélite e a do motorista. Abaixo, consulta
às anotações de Mozart, guardadas na Biblioteca Britânica
Uma réplica
virtual em três dimensões da Terra está
sendo construída na internet em ritmo acelerado. Lançado
em 2005, o Google Earth, programa de computador que permite
sobrevoar uma detalhada fotografia da superfície terrestre
feita por satélites, foi o primeiro a se tornar popular.
Sua versão básica, gratuita, foi baixada mais
de 250 milhões de vezes. Nos últimos dois anos,
várias empresas submeteram essas imagens a um poderoso
zoom. Agora, pode-se passear virtualmente pelas ruas de várias
cidades com a perspectiva visual de quem caminha pela calçada.
Esses ambientes em 3D também estão se transformando
em ferramentas de busca. De forma experimental, já
é possível entrar em lojas, hotéis e
até folhear virtualmente livros raros em bibliotecas.
Na semana passada,
a Microsoft, a principal concorrente do Google na geoweb
como é chamado o mapeamento global , lançou
o Live Search Maps (www.livemaps.com.br),
com o traçado de ruas de 1 004 cidades brasileiras.
Em 170 delas, é possível definir rotas, optando
pelo trajeto mais rápido ou mais curto entre dois pontos.
Em São Paulo e no Rio de Janeiro, além do itinerário,
são fornecidas informações sobre as condições
de trânsito, com dados atualizados pelo menos a cada
trinta minutos. A Microsoft também lançou um
serviço de busca de produtos, com 5 milhões
de itens. O serviço permite comparar preços
e especificações técnicas de produtos
de mais de 2 500 lojas. Em três meses, os dados do Live
Search Maps e o site dos produtos serão interligados.
Com isso, será possível saber qual o televisor
mais barato à venda em determinado trajeto. Em um ano,
está previsto um novo avanço: as informações
serão observadas não apenas em mapas, mas em
imagens das ruas das cidades feitas por satélite. Num
prazo de três a cinco anos, a busca por um produto ou
por um restaurante poderá ser feita em ambientes virtuais,
construídos por fotos feitas no local, montadas em
3D na web.
Congelados no tempo: a EveryScape
usou fotos para reconstruir um trecho de São Francisco.
No destaque, a visita virtual ao bar, indicado no mapa,
que existe no local
Uma demonstração
do potencial desse tipo de exibição em três
dimensões é oferecida pela EveryScape. No site
dessa empresa americana (www.everyscape.com),
que pretende lançar o produto comercialmente até
o fim deste ano, pode-se visitar virtualmente a Union Square,
no centro de São Francisco. Circula-se entre pessoas
e carros como se aquele trecho da cidade tivesse sido congelado
no tempo. No passeio, são oferecidos links com dados
sobre monumentos e pontos turísticos, pode-se perambular
pelo interior de lojas de material esportivo, por restaurantes
e pelo lobby de um hotel. A intenção é
que seja possível fazer compras ou reservas nesses
locais. "A busca em 3D vai ser um bom teste para esse tipo
de ferramenta, mas ela também poderá ser usada
para outros fins, como entretenimento", disse a VEJA Mok Oh,
fundador do EveryScape. Ex-pesquisador do Instituto de Tecnologia
de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), Oh é
um dos criadores da tecnologia que permite expor imagens reais
em 3D na internet. Ele é também o responsável
por um dos mais interessantes vídeos sobre o sistema,
batizado de Infinite Corridor, disponível no YouTube.
Em 360 graus: utilizada pelo
Google, a Dodeca (acima) é instalada sobre veículos
e usa onze câmeras para produzir imagens em 3D de ruas
e edifícios
A criação
da geoweb é o resultado do avanço nos últimos
anos em três frentes. A principal delas diz respeito
à infra-estrutura da rede internacional de computadores.
Esta está sendo ampliada com a criação
de gigantescos centros de armazenamento de dados, onde ficam
arquivadas fotos das ruas e pontos comerciais esquadrinhados
por satélites, aviões ou câmeras instaladas
em carros. A Microsoft tem vinte desses centros. O maior deles
está em construção em Washington. Terá
140 000 metros quadrados o equivalente a dezessete
campos de futebol. O investimento pode superar 1,5 bilhão
de dólares. Esses equipamentos consomem tanta energia
elétrica que são construídos nas imediações
de usinas.
Outro impulso foi
dado por novos softwares, genericamente classificados como
parte da web 2.0. Esses programas permitem maior interação
entre os usuários e os objetos mostrados na internet,
como rotações de 360 graus e zoom em imagens
de satélite. Os anúncios, principalmente por
meio de links patrocinados, constituem a terceira força
do planeta em 3D. "Eles vão pagar a conta da construção
desse novo mundo", diz Guilherme Stocco, do grupo de serviços
on-line da Microsoft. A idéia é que, quando
alguém entrar numa loja virtual na web, a empresa visitada
pague ao site pelo serviço. A expansão do mundo
virtual em 3D não ocorrerá apenas por meio de
companhias como Google ou Microsoft. Os especialistas acreditam
que, à medida que os softwares necessários estiverem
acessíveis e mais baratos, qualquer pessoa poderá
utilizar fotos para montar espaços em três dimensões.
Essa, aliás, é uma aposta quase certeira: foi
a participação dos usuários espalhados
pelo mundo ou a colaboração que
construiu a internet. Pode muito bem erguer a nova geoweb.