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19 de setembro de 2007
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Esporte
É possível ser ainda mais veloz?

Recorde dos 100 metros levanta questões
sobre os limites do corpo humano


Rafael Corrêa

Emiliano Grillotti/AFP
Powell: três centésimos de segundo fizeram a diferença
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Quadro: A mais veloz das corridas


No mundo dos esportes de alto desempenho, cada centésimo – e até milésimo – de segundo pode determinar a vitória ou a derrota de um atleta numa prova. Na semana passada, foram exatos três centésimos de segundo que permitiram ao jamaicano Asafa Powell, de 24 anos, bater o novo recorde mundial na corrida de 100 metros rasos e se confirmar no posto de corredor mais veloz do planeta. Powell percorreu a pista do estádio de Rieti, na Itália, em 9,74 segundos, atingindo velocidade média de 37 quilômetros por hora. Anteriormente, Powell dividia o recorde mundial, de 9,77 segundos, com o americano Justin Gatlin, afastado das pistas por suspeita de doping. Desde 1912, quando se começaram a registrar os tempos em que os corredores completam as provas de 100 metros, o recorde da modalidade caiu apenas um segundo. Essa estatística mostra o grau de dificuldade envolvido na superação de marcas pelos atletas e também sugere uma pergunta: haverá um limite para a velocidade que o ser humano consegue atingir?

Gideon Ariel, fundador do Centro Olímpico de Treinamento do Colorado, arrisca uma resposta a essa questão. Usando simulações de computador, ele concluiu que o menor tempo possível que um atleta será capaz de levar para percorrer 100 metros é 9,6 segundos. Abaixo dessa marca, segundo seus cálculos, a força necessária para correr seria tão grande que os tendões se romperiam e os ossos poderiam se quebrar. Outros cientistas contestam a pesquisa e alegam que é impossível estabelecer um limite porque são muitas as variáveis envolvidas na quebra de um recorde. Entre elas, as condições ambientais no dia da prova, o perfil genético do atleta e sua preparação psicológica. Além disso, a ciência desenvolve hoje novos tipos de treinamento que permitem, por exemplo, aprimorar as fibras musculares de contração rápida, necessárias para atingir altas velocidades em curto espaço de tempo. "Os parâmetros mudam o tempo todo. É impossível restringir todas as variáveis a modelos estatísticos e dizer que chegamos a um limite", disse a VEJA Jesus Dapena, professor de biomecânica na Universidade de Indiana.

O fator psicológico parece ter grande peso no desempenho de Asafa Powell. O jamaicano nunca conseguiu ganhar um título em grandes competições. No último Mundial de Atletismo, no Japão, chegou em terceiro lugar, o que leva a crer que a tensão atrapalha seu rendimento. "Não há sinal de que se torne impossível quebrar o recorde dos 100 metros muitas outras vezes", diz o fisiologista inglês Steve Ingham, especializado em melhorar o desempenho de atletas de ponta. O próprio Powell afirmou que se sente capaz de correr ainda mais rápido. Se conseguir, dará mais uma prova de que, por enquanto, o corpo humano consegue estender seus limites.

 

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