O Brasil que surge
da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad),
do IBGE, divulgada na semana passada, é animador como
o boletim escolar de um filho estudioso. Dá gosto de
ver, mas não se pode baixar a guarda na preocupação
com o futuro. Os dados foram recolhidos em setembro do ano
passado. Eis alguns resultados: a renda média nos domicílios
teve, entre 2005 e 2006, a maior alta da década. A
desigualdade, embora ainda seja brutal, está em rota
de redução faz mais de dez anos. Aumentou a
proporção de pessoas com emprego formal. Reduziu-se
o analfabetismo e também há mais adultos nas
escolas. As mulheres estão ganhando salários
mais próximos aos dos homens. Enfim, uma torrente de
bons indicadores. O levantamento anterior, feito em 2005,
já indicava números reluzentes. O que foi divulgado
agora, com base nos dados coletados em setembro do ano passado,
vai além: mostra que o Brasil está em rota de
desenvolvimento.
As explicações
para os números que se vêem no quadro ao lado
um resumo das 394 páginas da Pnad se
dividem. Mas não há dúvida de que elas
começam pela estabilidade econômica. Somente
em um país com inflação sob controle
e indicadores confiáveis é que se pode ver,
por exemplo, a queda na taxa de desemprego que ocorreu no
ano passado, a maior nos últimos dez anos. Mas há
outros fatores a considerar. A universalização
do ensino entre crianças e adolescentes, na década
de 90, fez com que mais gente chegasse ao mercado de trabalho
formal e com salários melhores. Existem outras razões
mais imediatas. O aumento real do salário mínimo
em 13,3%, por exemplo, fez com que a renda média dos
domicílios (que soma, entre outros ganhos, salários,
pensões e aposentadorias) subisse 7,2% de um ano para
o outro. Outro fator foi a maior oferta de crédito,
cujo impacto na compra de bens é instantâneo.
Compraram-se mais geladeiras, fogões e máquinas
de lavar. Mas o grande destaque foram os microcomputadores.
Até 2001, eles estavam presentes em 12,6% das casas
brasileiras. Em setembro passado, esse número dobrou
para 22,4% dos domicílios. Esse é um dado significativo
não apenas por revelar o aumento de renda, mas porque
o computador é um gerador de novas riquezas e uma ferramenta
de apoio no que o Brasil mais precisa a educação.
Esta, por sinal,
continua melhorando. O número de pessoas cursando uma
faculdade cresceu 13,2% de um ano para o outro. Segundo o
IBGE, isso se deveu ao envelhecimento da população,
sim (o que por si só não seria um dado tão
positivo), mas principalmente à maior procura por cursos
universitários. O analfabetismo também caiu
de 10,2% em 2005 para 9,6% em 2006. E se reduziu o número
de analfabetos funcionais na população acima
de 10 anos. Eram 24,9% dos brasileiros em 2005 e passaram
a 23,6% em 2006. São aquelas pessoas que, por ter menos
de quatro anos de estudo, sabem ler e escrever o nome, mas
não vão além de produzir um bilhete.
Esse é um resultado com impacto direto na produtividade
das empresas. Portanto, tem um efeito multiplicador. Quando
esses dados foram colhidos, em setembro, faltava um mês
para as eleições presidenciais. A renda em alta
e o desemprego em baixa explicam por que o presidente Lula
foi eleito, apesar das denúncias de corrupção
que embotaram seu governo. O desafio é mantê-los.