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19 de setembro de 2007
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Economia
Um país em recuperação

Números do IBGE mostram que o Brasil
está menos desigual e com a renda em alta


Marcelo Bortoloti

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Nesta reportagem
Quadro: Um retrato animador
Exclusivo on-line
Em profundidade: Crescimento econômico

O Brasil que surge da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, divulgada na semana passada, é animador como o boletim escolar de um filho estudioso. Dá gosto de ver, mas não se pode baixar a guarda na preocupação com o futuro. Os dados foram recolhidos em setembro do ano passado. Eis alguns resultados: a renda média nos domicílios teve, entre 2005 e 2006, a maior alta da década. A desigualdade, embora ainda seja brutal, está em rota de redução faz mais de dez anos. Aumentou a proporção de pessoas com emprego formal. Reduziu-se o analfabetismo e também há mais adultos nas escolas. As mulheres estão ganhando salários mais próximos aos dos homens. Enfim, uma torrente de bons indicadores. O levantamento anterior, feito em 2005, já indicava números reluzentes. O que foi divulgado agora, com base nos dados coletados em setembro do ano passado, vai além: mostra que o Brasil está em rota de desenvolvimento.

As explicações para os números que se vêem no quadro ao lado – um resumo das 394 páginas da Pnad – se dividem. Mas não há dúvida de que elas começam pela estabilidade econômica. Somente em um país com inflação sob controle e indicadores confiáveis é que se pode ver, por exemplo, a queda na taxa de desemprego que ocorreu no ano passado, a maior nos últimos dez anos. Mas há outros fatores a considerar. A universalização do ensino entre crianças e adolescentes, na década de 90, fez com que mais gente chegasse ao mercado de trabalho formal e com salários melhores. Existem outras razões mais imediatas. O aumento real do salário mínimo em 13,3%, por exemplo, fez com que a renda média dos domicílios (que soma, entre outros ganhos, salários, pensões e aposentadorias) subisse 7,2% de um ano para o outro. Outro fator foi a maior oferta de crédito, cujo impacto na compra de bens é instantâneo. Compraram-se mais geladeiras, fogões e máquinas de lavar. Mas o grande destaque foram os microcomputadores. Até 2001, eles estavam presentes em 12,6% das casas brasileiras. Em setembro passado, esse número dobrou para 22,4% dos domicílios. Esse é um dado significativo não apenas por revelar o aumento de renda, mas porque o computador é um gerador de novas riquezas e uma ferramenta de apoio no que o Brasil mais precisa – a educação.

Esta, por sinal, continua melhorando. O número de pessoas cursando uma faculdade cresceu 13,2% de um ano para o outro. Segundo o IBGE, isso se deveu ao envelhecimento da população, sim (o que por si só não seria um dado tão positivo), mas principalmente à maior procura por cursos universitários. O analfabetismo também caiu de 10,2% em 2005 para 9,6% em 2006. E se reduziu o número de analfabetos funcionais na população acima de 10 anos. Eram 24,9% dos brasileiros em 2005 e passaram a 23,6% em 2006. São aquelas pessoas que, por ter menos de quatro anos de estudo, sabem ler e escrever o nome, mas não vão além de produzir um bilhete. Esse é um resultado com impacto direto na produtividade das empresas. Portanto, tem um efeito multiplicador. Quando esses dados foram colhidos, em setembro, faltava um mês para as eleições presidenciais. A renda em alta e o desemprego em baixa explicam por que o presidente Lula foi eleito, apesar das denúncias de corrupção que embotaram seu governo. O desafio é mantê-los.

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