O Salão de
Frankfurt mostra a estratégia das
fábricas de investir em carros menos poluentes
Rafael Corrêa
Fotos divulgação
1 300 QUILÔMETROS
COM 61 LITROS DE DIESEL BMW 318d O novo 318d gasta 16% menos combustível
do que sua versão anterior, sem perda de potência.
Também polui pouco. Emite 125 gramas de CO2 por
quilômetro rodado, contra a média de 160
gramas dos carros europeus. Quando chega às lojas: no fim deste ano Preço: 48 000 dólares
Os salões
de automóveis, realizados periodicamente em várias
cidades do mundo, têm como objetivo exibir os lançamentos
das fábricas além de protótipos
futuristas que em geral jamais chegam às ruas. O maior
desses eventos, o Salão Internacional do Automóvel
de Frankfurt, que abriu as portas na semana passada, mostra
mais do que carros novos. A feira revela que a indústria
automobilística adotou como estratégia apostar
alto nos veículos ecologicamente corretos, ou seja,
que rodam com menor quantidade de combustível e emitem
menos gases poluentes. Os carros com que sonham os ambientalistas,
aqueles movidos a hidrogênio, continuam uma realidade
distante. Em compensação, várias fábricas
apresentam modelos que usam de maneira inovadora os velhos
motores a combustão. A BMW desenvolveu um sistema que
desliga o motor em caso de engarrafamento ou semáforo
muito demorados quando o motorista aciona o acelerador,
o motor volta a funcionar automaticamente. O sistema faz parte
de um pacote de acessórios que tornam alguns modelos
da BMW incrivelmente econômicos. Chegam a rodar 1 300
quilômetros com apenas um tanque de diesel. Tudo isso
sem abdicar da potência que caracteriza os carros de
luxo.
Motores convencionais
mais eficientes são o primeiro passo na busca pelos
carros verdes. A etapa seguinte, pelo que se vê em Frankfurt,
é a adoção de modelos híbridos.
Eles combinam, sobre o mesmo chassi, um motor a combustão
e um elétrico, a exemplo das experiências pioneiras
da Toyota e da Honda. Os veículos híbridos transformam
o movimento do motor a combustão em eletricidade, que
é utilizada para impulsionar o motor elétrico.
Este trabalha em conjunto com o motor a combustão,
diminuindo o consumo de combustível. Nos híbridos
com tecnologia mais avançada, é possível
rodar usando apenas o motor elétrico por poucos quilômetros.
A Mercedes-Benz apresenta no salão um modelo, o utilitário
esportivo ML 450, que tem não apenas um, mas dois motores
elétricos. Com isso, o carro roda 13 quilômetros
com 1 litro de combustível consumo equivalente
ao de um veículo muito menor e mais leve. A francesa
Peugeot apresenta um carro híbrido que, embora com
apenas um motor elétrico, consegue a proeza de rodar
33 quilômetros com 1 litro de gasolina.
gasolina +
eletricidade Mercedes-Benz ML
450 O ML 450 será movido por um motor convencional,
a combustão, auxiliado por dois motores elétricos
destinados a diminuir o consumo de combustível.
O carro deve rodar 13 quilômetros com 1 litro de
gasolina, tornando-se o mais econômico entre os
utilitários de luxo. Quando chega às lojas: 2009 Preço: indefinido
No Salão
de Frankfurt podem-se conhecer os carros que, dentro de poucos
anos, vão emitir um volume de poluição
quatro vezes menor do que o de um veículo convencional.
Esses carros invertem a equação dos híbridos
rodam prioritariamente com motores elétricos.
O motor a combustão funciona apenas como gerador de
energia para alimentar as baterias dos motores elétricos
nos percursos longos. Um dos modelos desse tipo que mais chamam
atenção em Frankfurt é o Flextreme, da
Opel, subsidiária européia da fábrica
americana General Motors. Tanto o carro da Opel quanto o modelo
ReCharge Concept, fabricado pela sueca Volvo, são do
tipo plug-in. Esse termo é usado pela indústria
para classificar os carros elétricos que são
recarregados ligando-se sua bateria às tomadas da rede
de força doméstica. O motivo pelo qual esse
tipo de carro híbrido ainda não chegou às
ruas é a baixa capacidade de armazenamento das baterias,
o que limita sua autonomia.
A estratégia
da indústria automobilística européia
rumo aos carros verdes surge em meio à discussão
sobre a contribuição que os veículos
podem dar ao esforço para combater o aquecimento global.
A União Européia pretende promulgar uma lei
que limitará, a partir de 2012, a emissão de
dióxido de carbono (CO2) pelos escapamentos
dos automóveis a 120 gramas por quilômetro rodado.
Hoje, em média, os carros europeus lançam 160
gramas desse gás tóxico por quilômetro
que percorrem. As fábricas européias alegam
que não têm como cumprir a meta estabelecida
pela União Européia em prazo tão curto.
Isso porque os carros verdes têm custo de produção,
em média, 2 750 dólares mais alto do que o dos
modelos convencionais. Elas argumentam que esse custo teria
de ser repassado ao consumidor, o que dificultaria as vendas.
Os carros verdes apresentados no Salão de Frankfurt
são uma tentativa de chegar ao meio-termo entre as
exigências da União Européia e o que a
indústria é capaz de produzir sem prejudicar
seu negócio.
O Fusca do futuro
O Up!, da Volkswagen:
na trilha do avô
Será a Volkswagen
capaz de repetir o sucesso internacional do Fusca? Uma
tentativa nesse sentido foi revelada no Salão
de Frankfurt o modelo Up! Da mesma maneira que
seu "avô", criado nos anos 30, o Up! é
pequeno mede 3,45 metros de comprimento ,
tem tração traseira e acomoda somente
quatro pessoas. Segundo Martin Winterkorn, presidente
da Volkswagen, o modelo foi projetado para quem busca
um carro barato e fácil de dirigir no trânsito
caótico das cidades. A fábrica ainda não
confirmou se vai produzi-lo, mas, caso isso aconteça,
o Up! deve chegar às concessionárias no
fim da década e vai custar 8 300 dólares.