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19 de setembro de 2007
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Automóveis
Verde sobre rodas

O Salão de Frankfurt mostra a estratégia das
fábricas de investir em carros menos poluentes


Rafael Corrêa

Fotos divulgação
1 300 QUILÔMETROS
COM 61 LITROS DE DIESEL
BMW 318d
O novo 318d gasta 16% menos combustível do que sua versão anterior, sem perda de potência. Também polui pouco. Emite 125 gramas de CO2 por quilômetro rodado, contra a média de 160 gramas dos carros europeus.
Quando chega às lojas: no fim deste ano
Preço: 48 000 dólares

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Os salões de automóveis, realizados periodicamente em várias cidades do mundo, têm como objetivo exibir os lançamentos das fábricas – além de protótipos futuristas que em geral jamais chegam às ruas. O maior desses eventos, o Salão Internacional do Automóvel de Frankfurt, que abriu as portas na semana passada, mostra mais do que carros novos. A feira revela que a indústria automobilística adotou como estratégia apostar alto nos veículos ecologicamente corretos, ou seja, que rodam com menor quantidade de combustível e emitem menos gases poluentes. Os carros com que sonham os ambientalistas, aqueles movidos a hidrogênio, continuam uma realidade distante. Em compensação, várias fábricas apresentam modelos que usam de maneira inovadora os velhos motores a combustão. A BMW desenvolveu um sistema que desliga o motor em caso de engarrafamento ou semáforo muito demorados – quando o motorista aciona o acelerador, o motor volta a funcionar automaticamente. O sistema faz parte de um pacote de acessórios que tornam alguns modelos da BMW incrivelmente econômicos. Chegam a rodar 1 300 quilômetros com apenas um tanque de diesel. Tudo isso sem abdicar da potência que caracteriza os carros de luxo.

Motores convencionais mais eficientes são o primeiro passo na busca pelos carros verdes. A etapa seguinte, pelo que se vê em Frankfurt, é a adoção de modelos híbridos. Eles combinam, sobre o mesmo chassi, um motor a combustão e um elétrico, a exemplo das experiências pioneiras da Toyota e da Honda. Os veículos híbridos transformam o movimento do motor a combustão em eletricidade, que é utilizada para impulsionar o motor elétrico. Este trabalha em conjunto com o motor a combustão, diminuindo o consumo de combustível. Nos híbridos com tecnologia mais avançada, é possível rodar usando apenas o motor elétrico por poucos quilômetros. A Mercedes-Benz apresenta no salão um modelo, o utilitário esportivo ML 450, que tem não apenas um, mas dois motores elétricos. Com isso, o carro roda 13 quilômetros com 1 litro de combustível – consumo equivalente ao de um veículo muito menor e mais leve. A francesa Peugeot apresenta um carro híbrido que, embora com apenas um motor elétrico, consegue a proeza de rodar 33 quilômetros com 1 litro de gasolina.

gasolina +
eletricidade
Mercedes-Benz ML 450
O ML 450 será movido por um motor convencional, a combustão, auxiliado por dois motores elétricos destinados a diminuir o consumo de combustível. O carro deve rodar 13 quilômetros com 1 litro de gasolina, tornando-se o mais econômico entre os utilitários de luxo.
Quando chega às lojas: 2009
Preço: indefinido

No Salão de Frankfurt podem-se conhecer os carros que, dentro de poucos anos, vão emitir um volume de poluição quatro vezes menor do que o de um veículo convencional. Esses carros invertem a equação dos híbridos – rodam prioritariamente com motores elétricos. O motor a combustão funciona apenas como gerador de energia para alimentar as baterias dos motores elétricos nos percursos longos. Um dos modelos desse tipo que mais chamam atenção em Frankfurt é o Flextreme, da Opel, subsidiária européia da fábrica americana General Motors. Tanto o carro da Opel quanto o modelo ReCharge Concept, fabricado pela sueca Volvo, são do tipo plug-in. Esse termo é usado pela indústria para classificar os carros elétricos que são recarregados ligando-se sua bateria às tomadas da rede de força doméstica. O motivo pelo qual esse tipo de carro híbrido ainda não chegou às ruas é a baixa capacidade de armazenamento das baterias, o que limita sua autonomia.

A estratégia da indústria automobilística européia rumo aos carros verdes surge em meio à discussão sobre a contribuição que os veículos podem dar ao esforço para combater o aquecimento global. A União Européia pretende promulgar uma lei que limitará, a partir de 2012, a emissão de dióxido de carbono (CO2) pelos escapamentos dos automóveis a 120 gramas por quilômetro rodado. Hoje, em média, os carros europeus lançam 160 gramas desse gás tóxico por quilômetro que percorrem. As fábricas européias alegam que não têm como cumprir a meta estabelecida pela União Européia em prazo tão curto. Isso porque os carros verdes têm custo de produção, em média, 2 750 dólares mais alto do que o dos modelos convencionais. Elas argumentam que esse custo teria de ser repassado ao consumidor, o que dificultaria as vendas. Os carros verdes apresentados no Salão de Frankfurt são uma tentativa de chegar ao meio-termo entre as exigências da União Européia e o que a indústria é capaz de produzir sem prejudicar seu negócio.

 

O Fusca do futuro

O Up!, da Volkswagen: na trilha do avô

Será a Volkswagen capaz de repetir o sucesso internacional do Fusca? Uma tentativa nesse sentido foi revelada no Salão de Frankfurt – o modelo Up! Da mesma maneira que seu "avô", criado nos anos 30, o Up! é pequeno – mede 3,45 metros de comprimento –, tem tração traseira e acomoda somente quatro pessoas. Segundo Martin Winterkorn, presidente da Volkswagen, o modelo foi projetado para quem busca um carro barato e fácil de dirigir no trânsito caótico das cidades. A fábrica ainda não confirmou se vai produzi-lo, mas, caso isso aconteça, o Up! deve chegar às concessionárias no fim da década e vai custar 8 300 dólares.

 

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