BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2026

19 de setembro de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Claudio de Moura Castro
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Especial
O prédio que tem tudo

Lan house, cinema, cozinha infantil, lugar
para tocar bateria – o mercado adora novidades


Suzana Villaverde

 
Roberto Setton
O "clube" do Edifício Rail, em São Paulo: piscina do tipo raia, lavanderia, restaurante e bares

Certas coisas são tão rotineiras que nem se discutem. Por exemplo: todo prédio residencial no mínimo tem piscina, fitness center e salão de festas dotado de espaço gourmet, onde o próprio morador pode exercer seus dotes culinários num jantarzinho para os amigos. Diante dos novos lançamentos, quem mora num lugar que dispõe apenas desses recursos fica até intimidado. A imaginação dos incorporadores – acirrada pela competição – cria novidade atrás de novidade. Equipamentos e serviços estão transformando condomínios em complexos de lazer cheios de nomes complicados e apelos aos compradores, pelo menos na planta, já que na prática o tal jantarzinho pode não sair nunca do plano das aspirações. Para manter a forma, a velha sala de ginástica empalidece diante de pistas de corrida de quase 1 quilômetro e campos de golfe. A garotada nem quer ouvir falar em sala de jogos; a moda é o "espaço jovem" – ou teen, no jargão imobiliário –, salão com decoração moderninha onde os adolescentes podem se reunir longe das crianças, que ficam, claro, no children's space. A opção ao espaço jovem é a garage band, sala com isolamento acústico para que ataquem a bateria sem enlouquecer os vizinhos. As mulheres, tão vitais na hora da decisão de compra, são mimadas com salão de cabeleireiro ou um spa de verdade, com instalações para massagem e tratamentos estéticos. Até os animais domésticos são contemplados: há empreendimentos dotados de pet care, com serviço de banho, tosa e veterinário.

A disseminação dos serviços prediais tem importância especial em empreendimentos mais distantes dos bairros tradicionais, onde estão justamente os terrenos maiores, que facilitam a diversificação dos equipamentos e permitem a construção de vários blocos de apartamentos. "Décadas atrás, a piscina, o salão de jogos e o de festas deram status ao prédio, mas aumentavam tanto o valor do condomínio que só valiam a pena em apartamentos de alto padrão. Agora, em empreendimentos maiores, o custo se dilui", diz Odair Senra, diretor de incorporações da Gafisa. Famílias com crianças não são o único público-alvo. Alguns lançamentos são projetados ou adaptados para jovens solteiros, fatia que está sendo descoberta pelo mercado. Os compradores do Mandarim, empreendimento da Cyrela em São Paulo, por exemplo, não viram muita utilidade no original baby zen, uma espécie de pequena trilha feita para o bebê "entrar em contato com a natureza". A trilha foi transformada em canteiro. Na busca de novos e diferenciados atrativos, a mesma construtora lançou o Domínio Marajoara, na Zona Sul de São Paulo, onde as piscinas do "complexo aquático" de 2 000 metros quadrados são cercadas de um material que imita areia como a de praia.

"A gente cria a necessidade. Na hora da venda, o inusitado se torna essencial", analisa Marcella Carvalhal, gerente de marketing da Klabin Segall, construtora que lançou um empreendimento no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, com nada menos de vinte opções de lazer – uma espécie de versão imobiliária do sanduíche cheese-tudo. Todas as 688 unidades foram vendidas em menos de duas horas. Com tanta coisa, não é raro que os equipamentos passem a maior parte do tempo às moscas, mas isso, diz Rogério Chor, presidente da construtora carioca CHL, não é problema. "O importante é ter à disposição. Funciona como as jóias: as mulheres são loucas por elas, nem que seja para guardá-las no cofre", brinca. Devido à oscilação da demanda, a tendência é que os serviços sejam terceirizados. "Não vendemos mais espaços, vendemos serviços", diz Marcelo Parreira, gerente de produto da construtora RJZ. "Temos empreendimentos que oferecem cozinha experimental para crianças, aulas de artes cênicas, sempre com um bom profissional no local" – a preço especial, sem passar pela conta do condomínio. No Rail, um conjunto de dois prédios com 399 apartamentos para jovens solteiros ou casais sem filhos, em São Paulo, serviços como lavanderia e lanchonete funcionam no sistema pay-per-use – no inglês peculiar do mercado. Um dos maiores clichês de quem está do outro lado do balcão é criticar a proliferação de equipamentos e serviços nos novos prédios por isolar cada vez mais seus moradores, como se estes fossem culpados pela terrível sensação de insegurança que oprime a todos. "Infelizmente, a população é hoje obrigada a viver em verdadeiras fortalezas. Só falta o fosso com o crocodilo. E não duvido que um dia alguém coloque", diz Ricardo Yazbek, dono da construtora R. Yazbek.

 

MENU COMPLETO

Piscina, quadra, sala de ginástica e spa? Isso é quase nada
perto das novidades
que não param de brotar:

• Lan house

• Home office, escritório para o morador receber clientes (em alguns projetos, um para cada apartamento)

• Child care, que além de brinquedos tem fraldário, berços, televisão e poltronas para mães e babás

• Woman care, ou salão de beleza

• Pet care, para cuidar dos animais de estimação

• Cozinha infantil, de verdade, onde um professor contratado ensina os pequenos

• Garage band, uma sala à prova de som para o adolescente ensaiar com sua banda

• Banho romano ou hidromassagem num gazebo

• Gazebo, nome da moda para o velho quiosque

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |