BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2026

19 de setembro de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Claudio de Moura Castro
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Especial
De vista bem aberta

Para aumentar a sala e criar sensação
de amplitude, a varanda, sozinha, ganha
o tamanho de um apartamento


Suzana Villaverde

 

Marcio Lima
De frente para o céu e o mar em Salvador: 52 metros quadrados sobre uma dádiva da natureza

Você prefere morar em casa ou apartamento? Para o diretor-superintendente da construtora Camargo Corrêa, Roberto Perroni, a resposta é óbvia. "Todo mundo sonha em morar em uma casa, mas na hora de comprar escolhe um apartamento pela segurança", diz. Com base nessa constatação, o mercado imobiliário encontrou uma solução para atender pelo menos a parte dos anseios de seus clientes e, assim, acelerar as vendas: expandiu as varandas e as transformou em verdadeiros quintais nas alturas. Quintais evidentemente mais modernos, com churrasqueiras caprichadas (mesmo que pouco usadas) num canto já chamado, claro, de gourmet. "Ainda não têm a desvantagem de ficar sujos com facilidade e precisar ser limpos todo dia", enumera Walter Lafemina, presidente da construtora Company. Ao contrário de outras novidades imobiliárias, as varandas gigantes não pesam no custo para o incorporador por serem consideradas, até uma certa medida que varia conforme a legislação de cada estado, áreas não computáveis no valor total de uma obra. "É uma área que não encarece o imóvel e é muito valorizada pelos compradores", diz Lafemina.

Há dez anos, a varanda de um apartamento médio de dois quartos em São Paulo tinha até 1 metro de largura. Hoje estão com 2 ou mais. "O antigo puxadinho que só tinha função para o fumante chegou ao fim", brinca Lafemina. Segundo o diretor de área residencial da Tishman Speyer, Eduardo Machado, a transformação do "respiro do apartamento" em um cômodo a mais cativa os novos compradores. "Quando as pessoas visitam os apartamentos decorados, passam metade do tempo na varanda. É onde eu mais fecho negócios", informa. Varanda, sacada ou balcão, a idéia de um "respiro" no andar superior chegou à arquitetura ibérica através das tradicionais construções árabes, onde eram envoltos em treliça para permitir às mulheres ver sem ser vistas, e começou a ser incorporada aos apartamentos brasileiros na década de 30 basicamente como recurso para aumentar a luminosidade interna. "Eram pequenos balcões que davam a sensação de que a pessoa podia sair, evitando que se sentisse confinada dentro da sala", explica o professor José Eduardo Lefèvre, do departamento de história da arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Nos anos 60, esse espaço praticamente desapareceu – a inspiração modernista, a televisão e o ar-condicionado eliminaram a idéia. No princípio da década de 80, quando os apartamentos começam a diminuir de tamanho para caber no bolso dos clientes, a varanda ressurgiu como um enfeite cuja função era dar a impressão de amplitude. "Há dez anos, ela foi definitivamente reabilitada e começou a crescer. Passou de espaço de ambientação e circulação para um importante espaço de convivência", diz Lefèvre.

 

Luis Gomes
Celina, que reúne os amigos no espaço de frente para o parque: lugar para sessenta convidados – sentados

Em São Paulo, nos 23 prédios de apartamentos de luxo (acima de 1,5 milhão de dólares) em construção ou entregues neste ano, a área média das varandas bateu na faixa dos 50 metros quadrados – o equivalente a um apartamento de um quarto. Redescobertas, ampliadas e protegidas do vento, viraram ponto de encontro. "Se tenho convidados, arrumo a casa inteira, mas sei que eles vão ser atraídos pela varanda", diz Celina Ferreira, 54 anos, mulher do jornalista Amaury Jr. e dona de um espaço de 52 metros quadrados – à altura do portentoso apartamento de 500 metros quadrados com vista para o Parque do Ibirapuera. "Na varanda fazemos aniversários e happy hours. Todo ano damos uma festa na noite em que se acendem as luzes da árvore de Natal do parque", diz. "Cabem sessenta pessoas sentadas, tranqüilamente."

Uma vista como a de Celina é privilégio raro em São Paulo e uma generosa dádiva da natureza em cidades praianas como Salvador. No Corredor da Vitória, a maravilhosa vista para a Baía de Todos os Santos é o local ideal para novos empreendimentos com sacadas que prestam homenagem a tanta beleza. "No Nordeste, é praticamente obrigatório que o apartamento tenha um varandão", diz o arquiteto Ivan Smarcevski, que participou do projeto de um edifício em construção onde as varandas medem 56 metros quadrados. "Não dá para não aproveitar uma vista dessas e um clima onde faz 19 graus no inverno." Em lugares de clima menos ameno, a solução para os novos e enormes espaços abertos é fechá-los com painéis de vidros deslizantes ou toldos verticais de plástico transparente. "Senão, na primeira ventania, a decoração toda vai embora", avisa a arquiteta Brunete Fraccaroli, de São Paulo, consciente da contradição, mas com a experiência de quem já viveu seu momento e o vento levou.

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |