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Edição 2026

19 de setembro de 2007
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Cartas/especial: O julgamento de Renan

Cartas

 

 

"Num país em que muitos não sabem ler nem
escrever pelas más condições de ensino, quem
o faz corretamente é extremamente valorizado."

Silvio Rodrigo Kmiecik
Campo Magro, PR

 

Língua portuguesa

Excelente a reportagem "A riqueza da língua" (12 de setembro), sobre a reforma ortográfica e a importância que o uso correto da língua exerce na carreira e na ascensão profissional. Na área jurídica, em que atuo, o manejo adequado do vernáculo tem especial relevância, já que é o instrumento através do qual são veiculadas todas as pretensões, manifestações e decisões pelos advogados, magistrados e demais operadores do direito. Igualmente, nos concursos públicos, o domínio da norma culta da língua tem sido cada vez mais rigorosamente cobrado, o que exige dos candidatos intensa preparação e estudo. A despeito disso, não são raras as vezes em que nos defrontamos com verdadeiras aberrações lingüísticas em peças processuais, provas e exames públicos, o que, mais que simples ofensa à língua portuguesa, revela um problema grave e profundo, que remonta à educação de base dos jovens e que certamente não será solucionado com a pretendida unificação ortográfica.
Gustavo Rogério
Advogado
Limeira, SP

Fiquei muito feliz com a reportagem e mais feliz ainda pela precisão com que aborda a questão da qualidade do português utilizado por executivos e profissionais liberais. Em meus quinze anos de vivência profissional em empresas multinacionais, tendo exercido diversos cargos de gerência, presenciei inúmeras contratações para as quais era exigido "inglês fluente", que na maioria das vezes nem seria utilizado, e nunca qualidade na nossa língua. E convivi todo esse tempo com colegas que mal conseguiam se expressar ou redigir textos minimamente condizentes com sua posição. VEJA mostrou que, felizmente, isso está mudando, e espero que os erros crassos citados sejam banidos de vez da vida corporativa.
Gilberto Baracat Júnior
Rio Branco, AC

Realmente maravilhosa a reportagem sobre a língua portuguesa. Mostrou de maneira clara como os idiomas evoluem. Adorei o resumo dos dez erros que mais fazem declinar uma carreira. Exatamente aqueles com que mais me debato para erradicar junto aos meus colegas de trabalho.
Adrimar Nascimento
Canoas, RS

A internet revolucionou comportamentos, posturas e até mesmo sentimentos. Tudo passou a ser diferente depois dela, ainda que, indiscutivelmente, com menos qualidade. Os jovens estariam fora da realidade se não acompanhassem essas mudanças e também seriam chamados de caretas por suas "tribos". Algo impensável para eles. Por que, então, vão se preocupar com novas regras de uso do hífen e dos acentos se sabem que, utilizando até menos de 5.000 palavras, podem chegar a cargos bem mais altos do que o de executivo de uma empresa?
Mirna Machado
Atibaia, SP

A língua, como organismo vivo, é um bem social coletivo e está propensa a mutações e à absorção de empréstimos, neologismos, jargões, gírias, o que não pode levá-la a perder sua essência, sua riqueza. Lamento ver que nossa língua, outrora chamada de "inculta e bela" e depois lapidada por mãos consagradas como as de Machado de Assis, Graciliano Ramos e Drummond, para citar apenas alguns, encontra-se, hoje, em uma nação desamparada de cultura para perpetuar sua beleza, seduzida pela ausência de fronteiras, submetida à velocidade do tempo e às demandas de comunicação.
Gislene Maria Bicalho
Diretora da Superintendência Regional de Ensino
Ubá, MG

Excelente a escolha da reportagem de capa, e o artigo de Reinaldo Azevedo está ótimo, como sempre. Sou professor de graduação em administração, fazendo doutorado, e atesto que a situação do domínio da norma culta da língua portuguesa está, na média, ruim. Certa vez, durante uma aula como professor substituto na Federal de Pernambuco, eu coloquei no quadro alguns erros de português cometidos pelos alunos. Não tardou para que uma aluna levantasse o braço e perguntasse (em tom aborrecido): "Mas o senhor não vai considerar isso na nota não, né, professor?". Eu parei um pouquinho e disse: "Claro que sim, o domínio do português é item de avaliação, conforme descrito no programa entregue no primeiro dia de aula".
Nelson Filho
Recife, PE

 

Reinaldo Azevedo

Lavei minha alma ao ler o artigo "Restaurar é preciso; reformar não é preciso" (12 de setembro), de Reinaldo Azevedo. Obrigada por defender com tanta garra o absurdo da reforma da língua portuguesa que querem promover e mostrar a todos o estado lamentável em que se encontra a educação em nosso país.
Maria Bernardete Machado
Professora de português da rede estadual de ensino
Pindamonhangaba, SP

Reinaldo, como sempre, lúcido a respeito da cultura, da história. Seu artigo sobre a língua portuguesa foi brilhante: defendeu o ensino "mesmo" da gramática, sem subterfúgios inúteis, tais como a idiotice da interpretação de texto (os alunos produzem verdadeiras aberrações "literárias") e outras patacoadas ensinadas pelos professores brasileiros, que também são analfabetos funcionais.
Raul Barbosa de Macedo
Cansanção, BA

Sou tradutora, revisora de texto e professora de idiomas, entre os quais o português. Assim, fiquei emocionada com o excelente artigo "Restaurar é preciso; reformar não é preciso", de Reinaldo Azevedo. O autor foi oportuno e brilhante, expressando-se com rara propriedade. Bravo! Faço minhas todas as suas palavras. Concordo sobretudo com dois pontos: etimologia é fascinante e "fazer uma colocação" (argh!) é de lascar.
Celia Fores Gangl
Brasília, DF

 

Escolas adventistas

Eu e minha esposa estamos muito satisfeitos com a educação que nossos filhos têm recebido por mais de uma década em escolas adventistas. Sobre a controvérsia entre criacionismo e evolucionismo, por se tratarem ambos somente de modelos teóricos explicativos, e não de fatos científicos comprovados, achamos que todas as escolas, e não só as adventistas, deveriam abordar as duas explicações ("Graças a Deus – e não a Darwin", 12 de setembro).
Almir Augusto de Oliveira
São Paulo, SP

Fui menino de rua abandonado pela mãe, não tinha nenhuma estrutura familiar. Tive o maior prazer em estudar em escola adventista. Aprendi princípios valiosos para a minha formação. Muito mais que um desenvolvimento acadêmico, recebi uma formação que me fez cidadão útil e realizado. Aprendi a desenvolver as colunas do caráter para amar a vida. Parabéns pela linda reportagem.
Lauro Crescêncio
Apucarana, PR

Se a evolução realmente houvesse superado o criacionismo pela ciência por meio de evidências indiscutíveis, ela não seria ainda apenas uma teoria, e sim uma lei. Talvez haja certa prepotência de grande parte dos cientistas em colocá-la como uma verdade fundamental.
Bruno de Azevedo Lourenço
Wakefield, MA, EUA

É salutar que em nossos dias tenhamos a segurança de que nossos filhos estejam em ambientes educacionais que priorizem valores éticos, morais e cristãos, independentemente do credo religioso que professemos. O Brasil e o mundo nunca precisaram tanto de homens e mulheres que não se vendam, que permaneçam firmes, leais. Homens e mulheres fiéis a sólidos princípios, assim como a bússola o é ao pólo. Certamente colheremos os frutos de uma educação melhor e, conseqüentemente, de um país com oportunidades mais igualitárias.
Cláudia Marchesin
Pedagoga e especialista em educação infantil
Itabuna, BA

Como pai de dois alunos da educação adventista, sinto-me no compromisso de manifestar meu apreço pela matéria da revista VEJA. Acredito que todo pai que deseja a melhor educação para os filhos verá que não dar ênfase às teorias de Darwin não desmerece em nada o processo educacional com que a rede adventista tem trabalhado nos 110 anos de sua existência. A cada dia que chego em casa e converso com meus filhos, tenho a certeza da escolha acertada que fiz pela escola adventista. Vejo meninos responsáveis por seu uniforme e por suas tarefas, preocupados com o desempenho escolar, animados com a programação diversificada que a escola oferece e com o trabalho de seus professores. Vejo que essas pequenas coisas farão deles no futuro homens capazes de escolhas acertadas e profissionais responsáveis e proativos. Parabéns, VEJA; parabéns, educação adventista
Giovani Pacheco Costa
Curitiba, PR

Estudei a vida inteira no Colégio Adventista, que, embora tenha todo um enfoque religioso, em nenhum momento o impõe aos alunos. Em outras épocas (e colégios), a teoria criacionista seria imposta. O Colégio Adventista nos mostra suas convicções sem deixar de abordar o outro lado. Fora isso, a instituição se destaca pelo trato com os alunos e com os pais. Os funcionários nunca perdem a gentileza, a cordialidade. Estão sempre dispostos a ouvir quem os procura. E o exemplo deles serve para moldar o caráter das crianças deixadas sob sua guarda.
Danielle Gazapina
Florianópolis, SC

Eu e minha esposa estudamos em escolas adventistas. Ambos passamos no vestibular na primeira tentativa, sem cursinho, e nos formamos com louvor, sem atrasos. Nossa filha, estudante de escola adventista desde a infância, cursa engenharia na UFRJ, onde também passou na primeira tentativa, sem cursinho. Isso revela uma verdade explícita e outra implícita na reportagem de VEJA: primeiro, o ensino adventista é, de fato, de alta qualidade; segundo, os altos índices de aprovação de seus alunos em vestibulares comprovam que eles aprendem suficientemente as idéias evolucionistas.
Roberto de Oliveira Souza
Rio de Janeiro, RJ

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece que os alunos devem criticar objetivamente as teorias científicas como constructos humanos de representação aproximada da realidade, que essas teorias estão sujeitas a revisões e até a descarte e que o ensino médio tem entre suas finalidades habilitar o educando a ser capaz de continuar aprendendo, a ter autonomia intelectual e pensamento crítico. Fui professor de história num colégio adventista em Florianópolis e hoje sou editor na Casa Publicadora Brasileira (editora adventista), por isso posso garantir que tanto nas aulas quanto em nossos livros didáticos cumprimos o que recomenda a LDB, uma vez que estimulamos o pensamento crítico dos alunos ao apresentar-lhes os dois modelos das origens e permitir que façam comparações e identifiquem as insuficiências epistêmicas do darwinismo.
Michelson Borges
Jornalista e editor na Casa Publicadora Brasileira
Por e-mail

 

João Geraldo Piquet Carneiro

O advogado João Geraldo Piquet Carneiro (Amarelas, 12 de setembro) sabe do que fala. Descomplicar a vida de quem pode criar empregos, gerando produtos ou serviços, é responsabilidade social. O Brasil pode fazê-lo e VEJA cumpre seu papel.
Cleire Paniago
Brasília, DF

O verdadeiro e necessário PAC em benefício de todos os cidadãos brasileiros deveria ser o combate vigoroso e sistemático aos excessos da burocracia, uma retomada do Programa Nacional de Desburocratização. Apenas duas das inúmeras lições do saudoso Hélio Beltrão resumem a questão: "Hoje, como no Brasil colonial, em muitas áreas da administração o cidadão continua a ser tratado, não como cidadão, mas como súdito". "É preciso restabelecer na consciência dos administradores o conceito, às vezes esquecido, de que serviço público significa servir ao público."
Antônio Marcos Umbelino Lôbo
Brasília, DF

O senhor Piquet Carneiro foi brilhante na entrevista, pois botou o dedo na ferida da economia brasileira. A burocracia é o câncer que impede o crescimento do país. É inconcebível que em pleno século XXI ainda não tenham sido abolidos o reconhecimento de firma nem a cópia autenticada em cartório. Já a CPMF é um tributo que envergonha o país. É hora de acabar com isso. Não vai resolver tudo, mas será um bom começo.
Otacílio Oziel de Carvalho
Natal, RN

 

Conde Faber-Castell

Achei interessante e curiosa a entrevista com o conde Anton Wolfgang von Faber-Castell (Auto-retrato, 12 de setembro). Ele, que possui toda a tecnologia do mundo a "seus pés", ou melhor, a suas mãos, vem a público apresentar o valor e a credibilidade que seu produto tem no mercado mundial. A autenticidade e inteligência do conde combinam com essa bem-sucedida multinacional. Lendo na reportagem que ela tem 200 e muitos anos de história, senti, no silêncio do meu anonimato, que fiz parte dela. Quando professora na rede pública, trabalhei com crianças carentes, e meu maior prazer era presenteá-las com lápis da Faber-Castell. Parabéns ao conde Anton e a VEJA pelo seu Auto-retrato.
Anaíde Lemes de Carvalho
Uberlândia, MG

 

Veja essa

Lula perdeu mais uma boa oportunidade de ficar calado (Veja essa, 12 de setembro). Depois que o Brasil vibrou com o fantástico trabalho do procurador-geral da República e pôde regozijar-se com o engrandecimento das instituições, graças à demonstração de coragem e profissionalismo dos ministros do STF, com que direito aquele que deveria estar sintonizado com a nação – mas que só governa para os aloprados de seu partido – vem dizer que "ninguém neste país tem mais autoridade moral e ética" do que o PT? Menos, Lula, menos...
Maria José Machado de Almeida
Rio de Janeiro, RJ

Se o presidente acredita que seu partido é o mais ético deste país, é sinal de que ele sabe que outros partidos estão fraudando, mentindo, subornando e enganando a população mais do que o PT tem feito. Ele, na condição de gestor dos recursos públicos federais, tem a obrigação moral de mandar apurar os terríveis atos que outros partidos estão cometendo.
Rony Von dos Reis de Camargo
Unaí, MG

 

Tropas no Haiti

Acho que a reportagem "Paz, sombra e água fresca" (12 de setembro) ficou boa. Entretanto, VEJA poderia ter esclarecido que essa estrutura que possuímos na base é a que a ONU exige como mínima necessária para todo contingente de qualquer país. Apesar da recente mudança da nossa base, é claro que a estrutura brasileira é diferente da dos demais países. O motivo é que o Brasil foi um dos primeiros a chegar ao Haiti, as melhorias foram sendo colocadas de forma contínua, e não poderíamos ocupar instalações que nos colocassem em situação pior do que a que desfrutávamos na antiga Base Bravo. Nossa base será o modelo para os demais contingentes que mudarão, em breve, para o Campo Charlie. Saudações cavalarianas.
Coronel Carlos Jorge
Chefe do setor de Comunicação Social
Por e-mail

Considerei a reportagem, no todo, favorável à imagem do contingente brasileiro no Haiti. Entendo que a reportagem deva buscar ponto e contraponto. Talvez o pessoal estranhe a conclusão, do jeito que foi escrita. De minha expectativa, esperava apenas que a matéria rendesse mais um pouco sobre a interação dos brasileiros com a população, algo que nós sabemos fazer bem e que tem enorme valor em uma missão da ONU. Quem sabe a viagem renda ainda outra reportagem.
Coronel Cunha Mattos
Chefe da Seção de Informações Públicas do CComSEx
Por e-mail

 

Cartas

No quadro "Que submarino é esse?" (Cartas, 12 de setembro), o leitor Ramon Gomez erra ao incluir entre os submarinos utilizados pelos alemães na investida contra a costa das Américas os do tipo XXI. Na realidade, esses praticamente não entraram em combate devido ao fim da guerra. Se tivessem entrado anos antes do fim da guerra, as baixas brasileiras, não tenho dúvida, seriam absurdamente maiores.
Stefano Grillo
São Paulo, SP

 

Congresso do PT

Com relação ao delirante congresso do PT realizado em São Paulo, nada a estranhar se considerarmos que o grande mentiroso é aquele que acredita na própria mentira ("A Second Life do petismo", 12 de setembro).
José Balan Filho
Curitiba, PR

 

CORREÇÃO: O tenor Luciano Pavarotti faleceu na quinta-feira (6 setembro), e não na sexta-feira ("O tenor das multidões", 12 de setembro).

 

 

CORAÇÃO: O ORGÃO E O SÍMBOLO

 
A capa de VEJA e os símbolos das campanhas: coração

José Luis Neto Francisco, coordenador de projetos do Instituto Neo Mama de Prevenção e Combate ao Câncer de Mama, escreveu: "Excelente a matéria de capa (29 de agosto) que demonstra os avanços da medicina no tratamento das doenças do coração. Recebemos vários e-mails comentando a semelhança da capa da VEJA com o cartão do instituto". Marcelo Oliveira, de Taguatinga, Distrito Federal, viu outra semelhança: "A bela solução visual utilizada na capa da revista lembra muito a peça publicitária estrelada por Xuxa na relevante campanha 'Não Bata, Eduque!' ". O coração é símbolo de bons sentimentos, nada mais natural que ilustre campanhas como a do Instituto Neo Mama e a da rede Não Bata, Eduque. Compare a capa de VEJA com os símbolos das duas campanhas. Mais informações sobre as instituições citadas podem ser obtidas nos endereços www.naobataeduque.org.br/index.php e www.neomama.com.br.

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