Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 718 - 19 de setembro de 2001
Geral Especial
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
online_2001/imagens/pixTransparente.gif" width="135" height="5">
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Especial
 

A descoberta da vulnerabilidade americana
A perícia dos pilotos
Os inimigos dos EUA
Choque de civilizações
A morte pelo celular
Os brasileiros desaparecidos
O abalo econômico e a reação mundial
As escolas de terrorismo
Um dia de transtornos até no Brasil
O medo ancestral da invasão


colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
A Semana

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Digite uma ou mais palavras:

Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Reportagens de capa 2000 | 2001
Entrevistas
2000 | 2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

A morte pelo celular

Condenadas, vítimas telefonaram
para a família ­ e tentaram reagir

 
Fotos AFP
AFP
"Eles dizem que têm uma bomba."
Mark Bingham, 31, na ligação em que se despediu da mãe, Alice (foto à direita)

Para um público sedento de notícias confortantes em meio à catástrofe, eles já estavam sendo chamados de "os heróis do vôo 93". Eram no mínimo três, homens altos e fortes, que decidiram atracar-se com os seqüestradores do Boeing 757 da United Airlines que havia decolado de Newark rumo a San Francisco. Não se sabe se conseguiram. Mas o avião foi o único que não chegou ao destino traçado pelos terroristas. Caiu em campo aberto, perto de Pittsburgh. O que aconteceu lá dentro, entre o início do seqüestro e a decisão desesperada de reagir, foi narrado num punhado de telefonemas dados por passageiros munidos de celular. As ligações choveram dos vários palcos da tragédia. Tanto a bordo dos aviões seqüestrados quanto nos prédios do World Trade Center e, mais tarde, de seus escombros, o telefone celular foi o elo possível, para um grupo de pessoas aterrorizadas, feridas, à espera da morte certa, com o mundo como ele era antes que mergulhassem no pesadelo. Alguns desses telefonemas forneceram o primeiro e dramático esboço do modo de agir dos terroristas. Na maior parte das vezes, porém, o celular foi unicamente o instrumento da despedida.


AP
"Vamos morrer. Temos de fazer alguma coisa."
Thomas Burnett,
38, ao avisar que ia atacar os terroristas

Dezenas de ligações partiram do vôo 93 da United Airlines, que levava 45 pessoas a bordo. Quando o empresário californiano Thomas Burnett, 38 anos, três filhas pequenas, fez o primeiro de quatro telefonemas à mulher, Deena, um passageiro já havia sido morto e ele não tinha ilusões sobre seu destino. "Sei que vamos morrer. Temos de fazer alguma coisa", avisou. Deena implorou para que ficasse quieto, sentado, sem chamar a atenção. Burnett não lhe deu ouvidos. Jeremy Glick, 31, também ligou várias vezes para a mulher, Lyzbeth, em Nova Jersey, que por sua vez contatou a polícia. Conversaram a três por telefone, e ele descreveu o que viu: três seqüestradores que pareciam árabes, um deles com "uma caixa vermelha que afirmava ser uma bomba", outro com "uma espécie de faca". Segundo Glick, alguns passageiros haviam ouvido (por telefone também) que um avião tinha explodido contra o World Trade Center. Perguntou se era verdade e, diante da afirmativa, foi falar com os outros passageiros – eles estavam sem vigilância, com os seqüestradores na cabine de comando. Na volta, contou que alguns homens, todos parrudos, esportistas como ele, haviam tomado uma decisão: como não tinham nada a perder, iam atacar os terroristas. "Ele disse: 'Eu te amo. Fique na linha'", contou Lyzbeth. Pouco depois, o avião se espatifou nos arredores de Pittsburgh.

Antes disso, Mark Bingham, de 31 anos, teve tempo de se despedir da mãe, Alice Hoglan, na Califórnia. "Ele falou: 'Estou no ar. Fomos seqüestrados por três homens que dizem que têm uma bomba'", contou Alice, que é comissária da United, em prantos. Outra ligação do vôo 93 foi de um homem não identificado, que, trancado no banheiro, chamou a polícia. "Estamos sendo seqüestrados. Isto não é um trote", repetiu várias vezes, desesperado. Na última ligação, ele disse que tinha havido uma explosão e que estava vendo uma fumaça branca.

 
AP
Reuters
"O que eu digo para o piloto fazer?"
Barbara Olson, 46, na última conversa com o marido, Theodore (à dir.)

No vôo 77 da American Airlines, lançado contra o Pentágono, Barbara Olson, 46 anos, comentarista da rede de notícias CNN, também disparou o celular. Ligou para o marido, Theodore Olson, que é advogado-geral da União. Disse que os seqüestradores portavam facas e haviam juntado passageiros e tripulantes no fundo do avião – indicação de que os próprios terroristas conduziam o aparelho na hora da queda. Segura de si, conhecida pelas opiniões apaixonadamente direitistas, Barbara ainda tentou algum tipo de controle da situação, perguntando ao marido: "O que digo para o piloto fazer?". O empresário Peter Hanson, vítima do vôo 11 da American Airlines, que explodiu contra uma das torres do World Trade Center, contou, em ligação para o pai, em Connecticut, que os seqüestradores estavam barbarizando os comissários de bordo, para forçar os pilotos a destrancar a porta da cabine. "Uma aeromoça foi esfaqueada", narrou.

Das duas torres do World Trade Center partiram inúmeras ligações logo após o choque dos aviões. Entre os milhares de pessoas que desciam as escadas de emergência, muitas ligavam para a família. Daniel Lopez, que trabalhava no 96º andar, deixou recado na secretária eletrônica para a mulher: "Meu prédio foi atingido. Cheguei ao 78º andar. Estou bem, mas vou ficar e ajudar a retirar o pessoal". Aí as torres desabaram, uma depois da outra, e os celulares emudeceram. Ressurgiram mais tarde, em número muito menor, dos escombros dos prédios, nas mãos de sobreviventes desesperados, à espera de salvação. Dois policiais foram localizados graças à conversa por telefone com as equipes de resgate. Os demais, no entanto, eram fiapos de esperança soterrados sob mais de 10 metros de ruínas fumegantes.

 
Veja também
A descoberta da vulnerabilidade americana
A perícia dos pilotos
Os inimigos dos EUA
Choque de civilizações
A morte pelo celular
Os brasileiros desaparecidos
O abalo econômico e a reação mundial
As escolas de terrorismo
Um dia de transtornos até no Brasil
O medo ancestral da invasão



   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS