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SENADO Em estado de agonia O senador Jader Barbalho tinha duas decisões importantes para tomar na semana passada. A primeira, ele anunciou na quinta-feira: a intenção de renunciar à presidência do Senado, de onde estava licenciado havia dois meses. A outra decisão, que trata diretamente de seu futuro político, ficou para o início desta semana. Está marcada para quinta-feira a votação do relatório da comissão que investigou as denúncias de corrupção contra o senador. Se o processo for aberto, Jader pode perder o mandato e ter os direitos políticos cassados pelos próximos oito anos. Jader pode, é claro, ser absolvido, o que, se depender exclusivamente das provas, é uma hipótese impossível. Sabendo disso, a saída para o senador pode ser anunciar a renúncia ao mandato. O relatório do Conselho de Ética afirma que existem "provas irrefutáveis" de que o senador se beneficiou dos desvios no Banpará, conforme revelaram documentos sigilosos do Banco Central publicados por VEJA há dois meses. O relatório da comissão também mostra que Jader mentiu aos senadores que o investigavam ao se defender das acusações e, por isso, quebrou o decoro parlamentar. Se a maioria dos quinze senadores com direito a voto no Conselho de Ética aprovar o documento, estará aberto oficialmente o processo por quebra de decoro, cuja pena pode ser a cassação do mandato. Como ninguém em Brasília duvida que isso irá acontecer, restam a Jader duas alternativas a renúncia ou o processo. Na semana passada, a Polícia Federal e o Ministério Público entregaram ao procurador-geral da República um relatório sobre as investigações das fraudes na Sudam. Há depoimentos e documentos que mostram como a quadrilha operava e deixam clara a identidade de seu mentor ele mesmo, Jader Barbalho. A guilhotina desceu um pouco mais.
MEMÓRIA 1 Morre
a dama da gravura
nacional
A artista plástica Fayga Ostrower morreu aos 81 anos, de câncer, na noite de quarta-feira, no Rio de Janeiro. Nascida em Lodz, na Polônia, Fayga veio para o Brasil junto com a família, na década de 30. Naturalizada brasileira, abandonou o emprego de secretária depois de fazer um curso de gravura. Começou sua carreira usando o figurativismo para tratar de temas sociais. Mas, diante de uma série sobre retirantes, concluiu que dramas humanos não se enquadravam numa abordagem figurativa. "Não dá para embelezar retirantes", disse. Desde então, tornou-se expoente da gravura abstrata nacional. Fayga também era professora universitária de teoria da arte e autora de diversos livros sobre o assunto.
MEMÓRIA 2 Entre
os negócios, o
esporte e as artes
PMDB
Aconchegado nos braços
do governo
O PMDB reuniu 4.500 militantes em Brasília para traçar os rumos do partido. Houve debates emocionados, discussões acaloradas e até troca de sopapos entre deputados. No final, a decisão: o PMDB continua PMDB. Explica-se: os convencionais elegeram o governista Michel Temer para presidir o partido nos próximos dois anos. Isso significa que, pelo menos por enquanto, continuarão bem perto do Palácio do Planalto, inclusive com os cargos que desfrutam na administração federal. Decidiram também que lançarão candidato próprio às eleições presidenciais de 2002. É tudo o que o Planalto não queria. Contraditório? Não, coisas do PMDB. O candidato do partido será definido em janeiro, um tempão antes do prazo final para a oficialização das candidaturas. Dá tempo para negociar, negociar e negociar. Até Itamar Franco parece ter ficado satisfeito com a decisão de não decidir nada. Ele deve ficar no PMDB à espera do caos o único propulsor capaz de tirar seu partido das asas governistas.
JUSTIÇA
Cerco fechado sobre Maluf
e sua família
Foi uma sucessão de reveses que caíram sobre a cabeça do ex-prefeito Paulo Maluf. Primeiro, dois promotores pediram à Justiça a quebra de seu sigilo fiscal. Depois, apareceram mais vinte telefonemas de seus filhos Lygia e Flávio para o Citibank de Genebra e para o HBK Investments agora, são 41 ligações comprometedoras para o exterior descobertas desde que seus sigilos telefônicos foram abertos. Como se não bastasse, a Justiça manteve a quebra dos sigilos bancários e telefônicos do ex-prefeito e de cinco parentes acusados de manter aplicações ilegais de 200 milhões de dólares no paraíso fiscal de Jersey. Finalmente, o Ministério Público pediu que se abra o sigilo fiscal de sua mulher, Sylvia, dos quatro filhos e de uma nora. Os promotores querem que a Justiça envie às autoridades suíças o relatório do rastreamento com os dados sobre as ligações realizadas pelo pepebista e por seus familiares. Os suíços investigam a origem de supostas aplicações financeiras mantidas por Maluf. O ex-prefeito divulgou nota na qual voltou a negar que possua contas bancárias no exterior.
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