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Toro, de Hellboy, estreia
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| MONSTROS DE FILME B Guillermo del Toro: o demoníaco não é uma lenda é o que os homens fazem uns aos outros |
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| • Trecho: Noturno |
Está aí a razão pela qual a primeira metade de Noturno é tão envolvente e soturna e pela qual sua segunda metade deixa tanto a desejar. Em filmes como os dois Hellboy e o belíssimo O Labirinto do Fauno, que fervilham com sua imaginação exuberante, erudita e crivada de angústia, Del Toro cria imagens sempre únicas e poderosas. No livro, contudo, o trabalho pesado ficou a serviço de um coautor que recebeu de Del Toro uma sinopse detalhada. E o talento de Hogan para evocar imagens não tem nada de extraordinário. É possível que, em um filme dirigido pelo mexicano, a língua descomunal com que os vampiros arpoam suas vítimas parecesse tétrica e hedionda; nas páginas de Noturno, ela é só vagamente repulsiva, e um bocado pueril.
Muitos dos temas recorrentes de Del Toro, é verdade, ajudam a alicerçar Noturno, como o da monstruosidade da guerra. O vampiro-mestre que desencadeia
esse apocalipse sobre Nova York se tornou profundamente corrupto por ter se alimentado
tempo demais nos campos de extermínio nazistas e, em Manhattan,
é inexoravelmente atraído para as ruínas das Torres Gêmeas.
O demoníaco, para Del Toro, não é uma lenda, uma abstração
nem algo divino; é o que os homens fazem uns aos outros. Como Noturno é a primeira parte de uma trilogia, ainda se pode esperar uma correção
de rumo e que o ci-neasta prevaleça sobre o autor de thrillers.
Aí, sim, aquele sentido agudo para o mal e o macabro que se percebe no
início do livro talvez venha a se desdobrar plenamente.