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Home  »  Revistas  »  Edição 2126 / 19 de agosto de 2009


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Leitor

Assuntos mais comentados
Rozângela Alves Justino (Entrevista) – 189
Senado mal-assombrado – 113
Roberto Pompeu de Toledo – 36
Lya Luft – 12
Vida digital (capa) – 10

 

Vida digital

"A diferença entre o remédio e o veneno está na dose ministrada ao paciente. É possível aplicar esse raciocínio também à internet, que pode nos ser extremamente útil, porém bastante prejudicial  quando mal operada."
Hugo Lins Coelho
Recife, PE

("O Big Bang da Internet", 12 de agosto).
Toda essa tecnologia traz muitos benefícios que permitem ao homem conectar-se com o mundo todo, integrar-se em um novo círculo social, fazer compras, realizar pesquisas. Tudo por meio de um simples clique. É óbvio que, quando se pode desfrutar uma imensidão de núcleos informativos, existem alguns inconvenientes, como a invasão de privacidade.
Mariana da Cruz Mascarenhas
São Paulo, SP

Excelente a reportagem "A internet transforma seu cérebro" (12 de agosto), com o neurocientista Gary Small. Como pesquisadora na área de processos perceptivos e de memória, tenho investigado o efeito do uso do computador em jovens, adultos e idosos. Pesquisas nessa área são extremamente relevantes, pois contribuem teoricamente e vêm enfatizando a necessidade de práticas em habilidades mentais como prevenção ao declínio do processo de memória em função da idade, e o uso da tecnologia tem colaborado nesse sentido. Especialmente em relação à utilização da internet por idosos, que, além do estabelecimento de novas conexões neurais, tem permitido a ampliação das relações sociais, um tanto comprometidas após a aposentadoria. Porém seu uso deve ser moderado, conforme anuncia a entrevista.
Paula Mariza Zedu Alliprandini
Professora doutora da Universidade Estadual de Londrina/Departamento de Educação
Londrina, PR

François G.Durang/Getty Images
Revolução digital
Eric Schmidt, presidente do Google: "A falta de normas globais sobre privacidade na internet tem consequências nefastas. Perdem os indivíduos, que não sabem se seus dados estão seguros. Há também incerteza nos negócios"

 

Rozângela Alves Justino

VEJA marcou um gol de placa entrevistando a psicóloga Rozângela Alves Justino (Amarelas, 12 de agosto). Essa entrevista entra para a história do bom jornalismo. A voz que faltava foi ouvida: a psicóloga punida pelo Conselho Federal de Psicologia por atender os homossexuais que a procuram. A jornalista Juliana Linhares foi incisiva nas perguntas que fez, e as respostas da psicóloga foram diretas e muito reveladoras. Parabéns pelo fino senso jornalístico da revista, ao perceber o anseio dos leitores por ouvir essa voz. Parabéns à psicóloga por arriscar sua carreira afirmando que continuará fazendo o que em consciência julga seu dever profissional fazer.
Luiz Roberto de Barros Santos
São Paulo, SP

A 43ª Assembleia-Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1990, retirou a homossexualidade da sua lista de doenças ou transtornos mentais, suprimindo-a do Código Internacional de Doenças (CID-10) a partir de 1993. A OMS diz explicitamente: "A orientação sexual por si não é vista como transtorno". Em consonância com essa perspectiva, o CFP, responsável pela regulamentação profissional dos psicólogos no Brasil, publicou em 1999 resolução que proíbe o tratamento da homossexualidade como doença e, portanto, a oferta de cura a algo que não é uma enfermidade. O conselho, dentro de suas atribuições, atua para que o desenvolvimento da psicologia no Brasil esteja alinhado com as necessidades de uma sociedade democrática, inclusiva e respeitadora da diversidade.
Humberto Verona
Presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP)
Brasília, DF

Parabéns, VEJA, por publicar uma entrevista tão oportuna com a psicóloga Rozângela Alves Justino. Sou médico pediatra há mais de quarenta anos e sempre considerei o homossexualismo um distúrbio do comportamento, e acho que, como tal, ele deve ser tratado. Quando uma mãe se queixa de que seu filho está com essa tendência, aconselho-a a procurar um psicólogo ou psiquiatra para que ela seja demovida. A "homofobia", tão falada hoje, nada mais é do que um sentimento natural daqueles que respeitam as leis de Deus e da natureza.
Silas Leite Prado
Médico pediatra
Belo Horizonte, MG

Parabéns à jornalista Juliana Linhares pela coerência das perguntas feitas na entrevista com Rozângela Alves Justino. Infelizmente não podemos parabenizar a entrevistada. A psicóloga fere frontalmente os princípios da ciência, a Organização Mundial de Saúde e o código de ética de sua profissão ao pretender mudar a orientação sexual dos homossexuais com base em suas convicções religiosas. Na mesma semana dessa entrevista, a Associação Americana de Psicologia (APA) declarou que "não há evidência alguma que apoie a afirmação de alguns profissionais de que a orientação sexual pode ser alterada por terapia". No exercício da profissão de psicólogo, deve haver o respeito à cidadania das pessoas LGBT, e não o incentivo ao preconceito, à discriminação e ao estigma. Nas palavras da juíza Emília Maria Velano, em sentença sobre a alegação de inconstitucionalidade feita por Rozângela quanto à Resolução 001/99 do Conselho Federal de Psicologia: "O Conselho Federal de Psicologia tem a obrigação de reprimir esse comportamento, principalmente no que concerne ao tratamento de homossexuais em consultórios de psicologia, como se fossem doentes sujeitos a transtornos".
Toni Reis
Presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT)
Curitiba, PR

Apoio todas as afirmações da psicóloga Rozângela Alves Justino e seu trabalho na reabilitação de homossexuais. Até a 9ª Revisão da CID, realizada em 1975, esse comportamento era classificado como perversão sexual. Em 1985, foi classificado como distúrbio social, e na 10ª REV CID, de 1995, não foi mais considerado perversão. Antigamente, a homossexualidade era transgressão penal (Oscar Wilde foi preso por isso), depois passou a ser perversão sexual. Hoje é obrigação sexual. Atualmente, pervertidos somos nós, os heterossexuais (!).
Victor Leonardo da Silva Chaves
Médico
Rio de Janeiro, RJ

Mesmo sendo heterossexual, gostaria de expressar minha indignação no que diz respeito à entrevista que a psicóloga Rozângela Alves Justino concedeu a VEJA. Suas respostas corroboram a tese de que, de tanto ouvirem possíveis vulnerabilidades alheias, esses profissionais acabam entrando em parafuso e, em vez de ajudar, colocam mais "minhocas" na cabeça dos pacientes. Ponto para o Conselho Federal de Psicologia.
Ricardo Granatowicz
São Paulo, SP

Perplexo, triste, em choque. Foi assim que me senti ao ler a entrevista. Como, em plena era do Twitter, ainda é possível existir uma profissional que exerce sua profissão dessa forma? Não seria mais uma charlatã criando uma fórmula para encher seus cofres? Veio-me à cabeça o dia em que concedi entrevista a este mesmo veículo, e quando, com a mesma jornalista Juliana Linhares, decidi abrir o meu coração e falar da minha vida. Sofrimentos, preconceitos que um gay sofre em nossa sociedade desde criança. Pensei: o que será que mudou? Lembrei-me das centenas de cartas que recebi de mães de filhos gays dizendo que com a minha história passaram a enxergar o coração de seus filhos de outra forma. Vivemos em uma sociedade com formatos predeterminados desde o nosso nascimento. Mudar isso e fazer com que sejamos respeitados é muito difícil. Estamos vencendo barreiras e mostrando que somos iguais. Na condição de gay e descendente direto do povo judeu, senti-me desrespeitado em diversas áreas. Considero que essa senhora mereceria as punições mais severas possíveis por não saber fazer uso da palavra como psicóloga e por estar pregando um retrocesso em nossa sociedade.
Bruno Chateaubriand
Rio de Janeiro, RJ

 

Senado mal-assombrado

A "semana 31" do calendário haverá de se tornar um marco na história política do país. Já não se pode mais, em sã consciência, considerar como política a crise do Congresso. Quem acompanhou os "debates" (aspas necessárias!) no Senado, na semana passada, saiu com a certeza cristalina de que é uma crise moral, e das mais graves. Caso não se tomem providências urgentes, e drásticas, a partir de agora, nada do que vier do Congresso poderá ser levado a sério.
Etienne Douat
Joinville, SC

A origem da crise que hoje imobiliza o Senado e o país não está apenas nessa casa do Congresso Nacional. Já é hora de darmos nome aos bois e deixarmos de nos indignar pela metade. É urgente e indispensável que todos nós digamos a gigantesca e indiscutível responsabilidade do presidente Lula pela acelerada degradação da política que se pratica no país. Ao jogar todo o peso de seu prestígio na preservação, a qualquer preço e custo, da aliança com o PMDB e na defesa de Sarney, ao afagar em público Fernando Collor e com ele reunir-se a portas fechadas para demovê-lo da resistência à entrada da Venezuela no Mercosul, ao chamar de ignorante e imbecil quem exerce o direito democrático de criticar o Bolsa Família, ao humilhar ostensivamente os senadores do PT na crise que aí está, ao desprezar a liturgia do cargo que ocupa e continuar atuando como político de várzea, Lula precisa ser implacavelmente responsabilizado pelo desfibramento político e ético por que passa o país. Não só como profilaxia, mas também como autodefesa, a sociedade precisa assumir ostensivamente esse papel e essa decisão, pois, a continuar como está, o ano eleitoral de 2010 será, no mínimo, assustador.
Vasco Soares da Costa
Niterói, RJ

O que acaba livrando a cara dos siameses Renan e Sarney de terem o que merecem é, realmente, a índole tolerante do povo brasileiro, que parece conviver, indiferente, com as estripulias dos seus políticos. Fôssemos uma nação de sangue quente, de tradição rebelde, de ímpeto contestador, e houvesse na maioria de nós consciência crítica, sou capaz de apostar que gente como Renan, Sarney e Collor não se elegeria nem vereador de cidade de interior dos cafundós de judas.
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
Recife, PE

Há dez anos leio VEJA. Inicialmente meu pai era o assinante, atualmente eu ocupo esse lugar. Nesse período, nós, leitores, fomos presenteados com abordagens contundentes e esclarecedoras. Não seria diferente neste momento da política nacional, no qual o Senado se desmancha em denúncias, escândalos. Nós, maranhenses – falo dos esclarecidos –, agradecemos e nos rejubilamos com a queda dessa pseudodinastia.
Robson Sousa Praseres
São Luís, MA

 

Roberto Pompeu de Toledo

Quando Collor, representando o seu papel de sempre, bufando e lançando olhares de louco, contou a historinha sobre Roberto Pompeu de Toledo, primeiro fiquei pasma, depois morri de rir. Pobre paspalho! Imaginar que um homem com a cultura, a inteligência e a classe de Pompeu de Toledo faria o que ele disse, oferecendo uma capa e uma entrevista a um ministro do STF em troca de uma condenação, é subestimar a ambos, ao jornalista e ao ministro Ilmar Galvão. Ao jornalista, porque somente uma cavalgadura sem moral e sem caráter teria uma "ideia" tão bizarra; ao ministro, porque Collor sugere então que este seria um homem a quem se ousaria fazer tais ofertas, o que, todos sabem, Galvão está longe de ser. O ex-presidente não aprendeu nada, não mudou nada. Continua a ver o mundo por suas lentes, reduzindo todos à sua miserável estatura. Para não perder o costume: fora, Collor ("Elle, o de sempre", 12 de agosto)!
Maria Cristina Rocha Azevedo
Florianópolis, SC

 

Lya Luft

Muito pertinente o artigo "Brasileiro não gosta de ler?" (12 de agosto). Eu, como estudante e adolescente, sinto na pele o ardume da imposição de leituras obrigatórias. As escolas deveriam sugerir leituras condizentes com o perfil das turmas. Uma leitura verdadeiramente produtiva e prazerosa deve ter o dom de encantar, hipnotizar e despertar no indivíduo uma vontade avassaladora de ler.
Matheus Campos Braga Coelho
Belo Horizonte, MG

 

Correção: o Ministério das Comunicações distribuiu 3 754 concessões de rádios comunitárias entre 1999 e 2009, e não entre 2005 e 2009, como publicou a coluna Holofote na edição 2 124. Entre 2005 e 2009, os estados que mais receberam autorizações para funcionamento dessas emissoras foram São Paulo (190), Rio Grande do Sul (186) e Minas Gerais (168).

 
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