Panorama
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Vida digital"A diferença entre o
remédio e o veneno está na dose ministrada ao paciente. É
possível aplicar esse raciocínio também à internet,
que pode nos ser extremamente útil, porém bastante prejudicial
quando mal operada." ("O Big Bang da Internet",
12 de agosto). Excelente a reportagem
"A internet transforma seu cérebro" (12 de agosto), com o neurocientista
Gary Small. Como pesquisadora na área de processos perceptivos e de memória,
tenho investigado o efeito do uso do computador em jovens, adultos e idosos. Pesquisas
nessa área são extremamente relevantes, pois contribuem teoricamente
e vêm enfatizando a necessidade de práticas em habilidades mentais
como prevenção ao declínio do processo de memória
em função da idade, e o uso da tecnologia tem colaborado nesse sentido.
Especialmente em relação à utilização da internet
por idosos, que, além do estabelecimento de novas conexões neurais,
tem permitido a ampliação das relações sociais, um
tanto comprometidas após a aposentadoria. Porém seu uso deve ser
moderado, conforme anuncia a entrevista.
Rozângela Alves JustinoVEJA marcou um gol de
placa entrevistando a psicóloga Rozângela Alves Justino (Amarelas,
12 de agosto). Essa entrevista entra para a história do bom jornalismo.
A voz que faltava foi ouvida: a psicóloga punida pelo Conselho Federal
de Psicologia por atender os homossexuais que a procuram. A jornalista Juliana
Linhares foi incisiva nas perguntas que fez, e as respostas da psicóloga
foram diretas e muito reveladoras. Parabéns pelo fino senso jornalístico
da revista, ao perceber o anseio dos leitores por ouvir essa voz. Parabéns
à psicóloga por arriscar sua carreira afirmando que continuará
fazendo o que em consciência julga seu dever profissional fazer. A 43ª
Assembleia-Geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), em
1990, retirou a homossexualidade da sua lista de doenças ou transtornos
mentais, suprimindo-a do Código Internacional de Doenças (CID-10)
a partir de 1993. A OMS diz explicitamente: "A orientação sexual
por si não é vista como transtorno". Em consonância com
essa perspectiva, o CFP, responsável pela regulamentação
profissional dos psicólogos no Brasil, publicou em 1999 resolução
que proíbe o tratamento da homossexualidade como doença e, portanto,
a oferta de cura a algo que não é uma enfermidade. O conselho, dentro
de suas atribuições, atua para que o desenvolvimento da psicologia
no Brasil esteja alinhado com as necessidades de uma sociedade democrática,
inclusiva e respeitadora da diversidade. Parabéns,
VEJA, por publicar uma entrevista tão oportuna com a psicóloga Rozângela
Alves Justino. Sou médico pediatra há mais de quarenta anos e sempre
considerei o homossexualismo um distúrbio do comportamento, e acho que,
como tal, ele deve ser tratado. Quando uma mãe se queixa de que seu filho
está com essa tendência, aconselho-a a procurar um psicólogo
ou psiquiatra para que ela seja demovida. A "homofobia", tão
falada hoje, nada mais é do que um sentimento natural daqueles que respeitam
as leis de Deus e da natureza. Parabéns à jornalista Juliana Linhares pela
coerência das perguntas feitas na entrevista com Rozângela Alves Justino.
Infelizmente não podemos parabenizar a entrevistada. A psicóloga
fere frontalmente os princípios da ciência, a Organização
Mundial de Saúde e o código de ética de sua profissão
ao pretender mudar a orientação sexual dos homossexuais com base
em suas convicções religiosas. Na mesma semana dessa entrevista,
a Associação Americana de Psicologia (APA) declarou que "não
há evidência alguma que apoie a afirmação de alguns
profissionais de que a orientação sexual pode ser alterada por terapia".
No exercício da profissão de psicólogo, deve haver o respeito
à cidadania das pessoas LGBT, e não o incentivo ao preconceito,
à discriminação e ao estigma. Nas palavras da juíza
Emília Maria Velano, em sentença sobre a alegação
de inconstitucionalidade feita por Rozângela quanto à Resolução
001/99 do Conselho Federal de Psicologia: "O Conselho Federal de Psicologia
tem a obrigação de reprimir esse comportamento, principalmente no
que concerne ao tratamento de homossexuais em consultórios de psicologia,
como se fossem doentes sujeitos a transtornos". Apoio todas as afirmações
da psicóloga Rozângela Alves Justino e seu trabalho na reabilitação
de homossexuais. Até a 9ª Revisão da CID, realizada em 1975,
esse comportamento era classificado como perversão sexual. Em 1985, foi
classificado como distúrbio social, e na 10ª REV CID, de 1995, não
foi mais considerado perversão. Antigamente, a homossexualidade era transgressão
penal (Oscar Wilde foi preso por isso), depois passou a ser perversão sexual.
Hoje é obrigação sexual. Atualmente, pervertidos somos nós,
os heterossexuais (!). Mesmo sendo heterossexual, gostaria de expressar
minha indignação no que diz respeito à entrevista que a psicóloga
Rozângela Alves Justino concedeu a VEJA. Suas respostas corroboram a tese
de que, de tanto ouvirem possíveis vulnerabilidades alheias, esses profissionais
acabam entrando em parafuso e, em vez de ajudar, colocam mais "minhocas"
na cabeça dos pacientes. Ponto para o Conselho Federal de Psicologia. Perplexo, triste, em choque.
Foi assim que me senti ao ler a entrevista. Como, em plena era do Twitter, ainda
é possível existir uma profissional que exerce sua profissão
dessa forma? Não seria mais uma charlatã criando uma fórmula
para encher seus cofres? Veio-me à cabeça o dia em que concedi entrevista
a este mesmo veículo, e quando, com a mesma jornalista Juliana Linhares,
decidi abrir o meu coração e falar da minha vida. Sofrimentos, preconceitos
que um gay sofre em nossa sociedade desde criança. Pensei: o que será
que mudou? Lembrei-me das centenas de cartas que recebi de mães de filhos
gays dizendo que com a minha história passaram a enxergar o coração
de seus filhos de outra forma. Vivemos em uma sociedade com formatos predeterminados
desde o nosso nascimento. Mudar isso e fazer com que sejamos respeitados é
muito difícil. Estamos vencendo barreiras e mostrando que somos iguais.
Na condição de gay e descendente direto do povo judeu, senti-me
desrespeitado em diversas áreas. Considero que essa senhora mereceria as
punições mais severas possíveis por não saber fazer
uso da palavra como psicóloga e por estar pregando um retrocesso em nossa
sociedade.
Senado mal-assombradoA "semana 31" do calendário haverá
de se tornar um marco na história política do país. Já
não se pode mais, em sã consciência, considerar como política
a crise do Congresso. Quem acompanhou os "debates" (aspas necessárias!)
no Senado, na semana passada, saiu com a certeza cristalina de que é uma
crise moral, e das mais graves. Caso não se tomem providências urgentes,
e drásticas, a partir de agora, nada do que vier do Congresso poderá
ser levado a sério. A
origem da crise que hoje imobiliza o Senado e o país não está
apenas nessa casa do Congresso Nacional. Já é hora de darmos nome
aos bois e deixarmos de nos indignar pela metade. É urgente e indispensável
que todos nós digamos a gigantesca e indiscutível responsabilidade
do presidente Lula pela acelerada degradação da política
que se pratica no país. Ao jogar todo o peso de seu prestígio na
preservação, a qualquer preço e custo, da aliança
com o PMDB e na defesa de Sarney, ao afagar em público Fernando Collor
e com ele reunir-se a portas fechadas para demovê-lo da resistência
à entrada da Venezuela no Mercosul, ao chamar de ignorante e imbecil quem
exerce o direito democrático de criticar o Bolsa Família, ao humilhar
ostensivamente os senadores do PT na crise que aí está, ao desprezar
a liturgia do cargo que ocupa e continuar atuando como político de várzea,
Lula precisa ser implacavelmente responsabilizado pelo desfibramento político
e ético por que passa o país. Não só como profilaxia,
mas também como autodefesa, a sociedade precisa assumir ostensivamente
esse papel e essa decisão, pois, a continuar como está, o ano eleitoral
de 2010 será, no mínimo, assustador. O que acaba livrando a cara dos siameses Renan e Sarney de
terem o que merecem é, realmente, a índole tolerante do povo brasileiro,
que parece conviver, indiferente, com as estripulias dos seus políticos.
Fôssemos uma nação de sangue quente, de tradição
rebelde, de ímpeto contestador, e houvesse na maioria de nós consciência
crítica, sou capaz de apostar que gente como Renan, Sarney e Collor não
se elegeria nem vereador de cidade de interior dos cafundós de judas. Há dez
anos leio VEJA. Inicialmente meu pai era o assinante, atualmente eu ocupo esse
lugar. Nesse período, nós, leitores, fomos presenteados com abordagens
contundentes e esclarecedoras. Não seria diferente neste momento da política
nacional, no qual o Senado se desmancha em denúncias, escândalos.
Nós, maranhenses falo dos esclarecidos , agradecemos e nos
rejubilamos com a queda dessa pseudodinastia.
Roberto Pompeu de ToledoQuando Collor,
representando o seu papel de sempre, bufando e lançando olhares de louco,
contou a historinha sobre Roberto Pompeu de Toledo, primeiro fiquei pasma, depois
morri de rir. Pobre paspalho! Imaginar que um homem com a cultura, a inteligência
e a classe de Pompeu de Toledo faria o que ele disse, oferecendo uma capa e uma
entrevista a um ministro do STF em troca de uma condenação, é
subestimar a ambos, ao jornalista e ao ministro Ilmar Galvão. Ao jornalista,
porque somente uma cavalgadura sem moral e sem caráter teria uma "ideia"
tão bizarra; ao ministro, porque Collor sugere então que este seria
um homem a quem se ousaria fazer tais ofertas, o que, todos sabem, Galvão
está longe de ser. O ex-presidente não aprendeu nada, não
mudou nada. Continua a ver o mundo por suas lentes, reduzindo todos à sua
miserável estatura. Para não perder o costume: fora, Collor ("Elle,
o de sempre", 12 de agosto)!
Lya LuftMuito pertinente o artigo "Brasileiro
não gosta de ler?" (12 de agosto). Eu, como estudante e adolescente,
sinto na pele o ardume da imposição de leituras obrigatórias.
As escolas deveriam sugerir leituras condizentes com o perfil das turmas. Uma
leitura verdadeiramente produtiva e prazerosa deve ter o dom de encantar, hipnotizar
e despertar no indivíduo uma vontade avassaladora de ler.
Correção: o Ministério das Comunicações distribuiu 3 754 concessões de rádios comunitárias entre 1999 e 2009, e não entre 2005 e 2009, como publicou a coluna Holofote na edição 2 124. Entre 2005 e 2009, os estados que mais receberam autorizações para funcionamento dessas emissoras foram São Paulo (190), Rio Grande do Sul (186) e Minas Gerais (168). |