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André
Petry
Trololó tucano
"Cá para nós: os tucanos
governam São
Paulo há doze anos, governaram o Brasil
por oito anos e Lula, há quatro no poder,
é o único culpado pelo caos?"
Dá gosto ver como os tucanos
reagem quando a vaca vai para o brejo. São Paulo virou show
da bandidagem, e Geraldo Alckmin, governador do estado até
quatro meses atrás, percorreu um calvário de explicações:
começou a semana falando em "números europeus" e encerrou
insinuando que o PT pode estar por trás das ações
criminosas do PCC. Vale a pena acompanhar a evolução:
Domingo, dia 9. Ao embarcar para a Europa, Alckmin não
enxerga crise alguma, diz que os presídios paulistas estão
sob controle e que o índice de fugas das penitenciárias
do estado é de apenas 0,13%, "um número europeu".
Segunda, dia 10. Já na Europa, Alckmin descobre a América,
vislumbra um pedacinho de crise e faz um diagnóstico ululante:
"Nosso problema são os presos, temos 140.000 pessoas em presídios,
inclusive líderes de facções criminosas".
Quarta-feira, dia 12. De volta a São Paulo, Alckmin vai
mais longe e explica que a nova onda de atentados do PCC decorre
de um acerto do governo paulista. "É reação
a uma ação da polícia, que prendeu um dos grandes
traficantes, líder do crime organizado no estado." (Referia-se
ao bandido Emivaldo Silva Santos, de 30 anos, preso no dia anterior.)
No mesmo dia, o senador Jorge Bornhausen, a Bia Falcão da
política nacional, diz suspeitar que o PT está por
trás das ações do PCC. Por quê? Porque
as ações criminosas recrudesceram no dia em que uma
pesquisa eleitoral apontava crescimento de Alckmin...
Quinta-feira, dia 13. Alckmin finalmente enxerga uma crise importante,
mas agora acha que Bornhausen pode ter razão e tudo muda:
"Estranhas a forma como a coisa ocorre, a época em que ocorre,
a maneira como os atos são desencadeados".
Como assim? A coisa não
ocorre porque "nosso problema são os 140.000 presos, inclusive
líderes de facções criminosas"? A época
em que a coisa ocorre não é por causa da "ação
da polícia, que prendeu um dos grandes traficantes, líder
do crime organizado no estado"?
O episódio é uma
demonstração constrangedora do esforço dos
tucanos para se eximirem de responsabilidade numa crise em que estão
cobertos de responsabilidade. O tucano José Serra, virtualmente
eleito para o governo paulista, passou a semana dizendo que Lula
era o responsável pela crise em São Paulo e que, em
vez de tomar as providências necessárias, optou por
fazer "demagogia e trololó". Serra até encampou, com
mais ênfase que Alckmin, a tese de que o PT anda dando a linha
para o PCC...
Lula não fez nada na área
da segurança pública. Na campanha de 2002, disse que
seria sua prioridade, apresentou um programa bonitão e, depois
de eleito, engavetou todas as letras. Prometeu que faria cinco presídios
federais de segurança máxima. Se conseguir um milagre,
encerra o mandato com dois. Mas, cá para nós: os tucanos
governam São Paulo há doze anos, governaram o Brasil
por oito anos e Lula, há quatro no poder, é o único
culpado pelo caos?
Ora, senhores: dizer isso é
combinar demagogia com trololó.
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